Penúrias do magistério brasileiro

Escrito por CNTE Ligado . Publicado em Educação

Outros dados preocupantes: em média, no Brasil, 20% do tempo das aulas são dedicados para conter a “bagunça” dos estudantes, 13% para atividades administrativas, sem contar que nossos/as professores/as gastam 22% de tempo a mais com atividades extraclasses, 40% dão aulas em cinco ou mais turmas e 20% atuam em mais de uma escola, segundo o censo escolar de 2013.

As informações até agora disponibilizadas pela OCDE não dão conta das condições de trabalho “in loco” nem sobre os salários do magistério. Mas é muito provável que o Brasil se mantenha entre os últimos colocados nestes quesitos. Em termos salariais, por exemplo, estávamos na quarta pior posição no último ranking da OCDE.

A CNTE e seus sindicatos filiados atuam na denúncia das péssimas condições de trabalho dos educadores - professores, funcionários e especialistas - e em prol do direito à educação púbica, gratuita, democrática, laica e de qualidade socialmente referenciada para todos e todas.

Neste contexto de lutas, a lei do piso salarial nacional do magistério - que, necessariamente, precisa se vincular a uma estrutura de carreira atraente e digna - é condição essencial para melhorar as condições de vida e trabalho dos/as professores/as e demais profissionais escolares, que esperam a regulamentação do piso previsto no art. 206, VIII da Constituição Federal.

Outro alento para transpor a triste realidade dos educadores e dos estudantes, sobretudo das redes públicas, diz respeito às 20 metas e 254 estratégias do novo Plano Nacional de Educação, aprovado na forma da Lei 13.005. Entre os compromissos do PNE estão: a garantia do acesso universal à escola de crianças e jovens de 4 a 17 anos, além da ampliação de creches e do fim do analfabetismo da população adulta, a ampliação das vagas públicas nos cursos técnico-profissionais e no ensino superior, a equiparação da remuneração média do magistério da educação básica à de outros profissionais com mesmo nível de escolaridade e a ampliação do financiamento educacional para 10% do PIB, tendo como referência o Custo Aluno Qualidade.

Por outro lado, a pesquisa da OCDE ajuda a desmascarar parte dos gestores públicos e de articulistas da grande imprensa, que tentam culpar os professores e as professoras do Brasil pelo insucesso escolar de milhares de crianças e jovens que ainda não contam com a devida atenção do Estado para terem seu direito à educação respeitado. Trata-se de gente que, além de pisar longe do chão da escola pública, tenta confundir a opinião pública com o objetivo de beneficiar grupos privados na disputa dos recursos públicos e dos currículos e modelos de gestão que priorizem os interesses do mercado.

Para essas pessoas, em especial, recomendamos a leitura da pesquisa da OCDE clicando AQUI

Concursados fazem ato contra a contratação temporária de professores

Escrito por Luana Capistrano Ligado . Publicado em Educação

Para manifestar sua indignação contra a autorização dada pelo Governador, Jackson Barreto, A audiência com o secretário de educação, Belivaldo Chagas, foi marcada para quarta (5), às 16hpara a realização de processo seletivo visando à contratação temporária de professores para a rede estadual, concursados de 2012, que ainda não foram convocados, fizeram na manhã desta segunda-feira, 3, ato em frente a Secretaria de Estado da Educação (SEED).

O ato foi motivado após a SEED ter divulgado matéria em seu site informando que seria realizado o processo seletivo para contratação de professores temporários. De acordo com o texto, a contratação temporária seria feita porque o número de aprovados no concurso de 2012 tinha sido insuficiente para preencher o quadro de professores da rede no interior do estado.  A matéria afirmava ainda, de forma equivocada, que faltavam professores das seguintes disciplinas: Artes, Química, Física, Sociologia, Biologia, Filosofia, Geografia, História, Língua Espanhola, Língua Inglesa e Matemática.

Ao tomar conhecimento da matéria divulgada pela SEED o SINTESE logo se manifestou, em nota pública, contra a realização do processo seletivo e entrou em contato com o secretário de estado da Educação, Belivaldo Chagas, para marcar uma audiência a fim de esclarecer o assunto. O Sindicado se fez presente no ato desta manhã em apoio aos professores concursados para cobrar a audiência com Belivaldo.

“Esse processo de contratação temporária é o ápice do desrespeito aos professores e da faltaAto em frente à Secretaria de Estado da Educação visa impedir que seleção para contratação temporária de professores seja realizada
de compromisso com a educação pública. Desde sexta-feira [dia 31 de janeiro], quando tomamos conhecimento da autorização dada por Jackson, ficamos indignados e estamos hoje aqui nos solidarizando com estes professores. Esperamos que os professores contratados, que existem hoje na rede, sejam afastados e que a SEED convoque imediatamente os professores concursados de 2012, que por direito conquistaram estas vagas. Estaremos na luta ao lado destes professores. O SINTESE também vai disponibilizar assessoria jurídica para aqueles que se sentiram prejudicados dentro de todo este processo”, afirma a vice-presidente do SINTESE, Ivonete Cruz.

Disciplinas

Na manhã desta segunda-feira o assessor de comunicação da SEED, Givaldo Ricardo, deu entrevista em um programa de rádio afirmando que as áreas que não havia professores concursados de 2012 para assumir as vagas eram: matemática química e física. Segundo Gilvdo o processo de seleção seria apenas para estas três áreas. O assessor disse ainda que todos os professores aprovados em uma das três áreas já haviam sido convocados ou convidados para assumir em outras regiões.

A afirmação de Gilvado Ricardo não condiz com a realidade. Mais de 10 professores de Matemática, que foram aprovados no concurso de 2012 e que ainda não foram convocados para assumir o cargo público, estavam presentes no ato em frente à SEED na manhã desta segunda.

Estes professores de Matemática passaram no concurso para as seguintes Diretorias Regionais de Educação (DRE): DRE 2 – grupo 3 que engloba os municípios: Lagarto, Boquim e Salgado; DRE 3  - grupo 4 que engloba os municípios: Itabaiana, Areia Branca e Malhador; DRE 6 - grupo 2 que engloba os municípios: Propriá, Cedro de São João, Telha, Amparo de São Francisco e São Francisco; DRE 7 - grupo 2 que engloba os municípios: Gararu, Itabi e Nossa Senhora de Lourdes e DRE 8 - grupo 1 que engloba os municípios: Itaporanga e São Cristóvão.

O professor de Matemática, André Ramos Dantas da Silva, que foi aprovado no concurso para a DRE 2, diz que nunca foi convocado nem mesmo convidado e que atitude da SEED lhe causou indignação. “Ao saber que a SEED pretende realizar concurso para a contratação de temporários fiquei muito indignado. Na minha DRE e no grupo que passei foram chamados 23 concursados eu passei em 29º, ou seja, ainda tem gente na minha frente para ser convocada. Espero que haja bom senso por parte da SEED e que os concursados sejam chamados”, coloca o professor.

Para o também professor de Matemática, Gilclevernto Góis de Barros, aprovado para a DRE 6 a atitude da SEED mostra o descompromisso do governo do estado com a educação pública. “Esta situação serve para mostrar o descaso do governo de Sergipe com a educação. Para mim não há dúvida que o professor contratado não tem o mesmo compromisso que o professor concursado, que se dedicou e se esforçou para estar ali. Espero que todos os professores concursados sejam convocados e que esta situação se resolva o quanto antes”, almeja o professor Gilcleverton.

A professora de Química Renata Daphne, que foi aprovada para o cadastro reserva da  DRE 8,  conta que ao receber a notícia de que a SEED poderia realizar contratação de professores temporários se sentiu lesada e sem esperança. Para Renata a luta agora é  contra a realização do processo seletivo.  

“Caso este edital para a contratação de professores temporários seja lançados devemos fazer de tudo para derrubá-lo. Porque o edital do concurso de 2012 diz que os aprovados deverão  ser convocados seguindo a seguinte ordem: listas da DRE, depois pela classificação geral e por fim ainda há possibilidade de convites aos excedentes do concurso. Desta forma temos muitas pessoas que ainda estão esperando ser convocadas. Por isso, não há necessidade de contratação de professores temporários. Até porque o concurso não venceu ainda e tem a possibilidade de ser prorrogado”, aponta Renata.

Audiência

Para fechar o ato, representantes do SINTESE e professores concursados ocuparam o gabinete de Belivado Chagas para exigir que a data da audiência para debater sobre a realização de processo seletivo para a contração de professores temporários fosse marca. A Chefe de Gabinete de Belivaldo informou que ele estava em viagem, mas que tinha autorizado que a audiência fosse marca para quarta-feira, dia 5, às 16h, em seu gabinete na SEED.

“É importante que um número expressivo de professores que fizeram o concurso de 2012 e ainda não foram convocados estejam presentas na SEED, na quarta-feira, para acompanhar a audiência com Belivado. Precisamos mostrar que a atitude do governo ao autorizar a realização do processo seletivo para contratação de temporários não é correta. O concurso de 2012 ainda está dentro do seu período de validade e como já foi visto há sim professores para serem convocados, diferente do que foi afirmado pela matéria divulgada no site da SEED, na última sexta-feira, e por Gilvaldo Ricardo em programa de rádio na manhã desta segunda”, lembra Ivonete Cruz.

Reunião

O SINTESE convida os professores concursados não convocados, para uma reunião na terça-feira (4), às 15h, na sede central do SINTESE, localizada a Rua Campos, nº 107, para discutir encaminhamentos de luta frente à posição do Governo do Estado.

Comissão de negociação do SINTESE será recebida por prefeito de Japoatã

Escrito por Luana Capistrano Ligado . Publicado em Educação

Desde o início de 2013 o SINTESE tenta negociar com o prefeito de Japoatã, Gilmarcos Evangelista de Alcântara, dívidas deixadas pela gestão anterior, do prefeito Telmo Guimarães, com o magistério. Finalmente o prefeito aceitou receber uma Comissão de Negociação do SINTESE para discutir as pendências. A audiência será nesta sexta-feira, 13, às 9h, na sala de reuniões da Prefeitura Municipal de Japoatã.

Entre as dívidas deixadas pela gestão de Telmo Guimarães estão o não pagamento do retroativo de 22,22% referente aos meses de outubro e novembro 2012;  o não pagamento dos vencimentos de dezembro 2012 e do 13º salário do mesmo ano.

A Coordenadora da subsede do SINTESE no Baixo São Francisco II, Jociene Amorim, lembra que a administração pública é impessoal. “Os professores de Japoatã não estão pedindo um favor ao prefeito. Eles trabalharam e têm o direito de receber o que lhes é devido. A prefeitura deve pagar os professores, independente se a dívida foi deixada pela gestão passada, devemos ter em mente que a administração pública é algo impessoal. Esta dívida com o magistério pertence ao município de Japoatã e não a prefeito A ou B. Esperamos nesta audiência conseguir resolver toda a situação”, acredita a coordenadora.