Professores e professoras de Laranjeiras paralisam suas atividades por dois dias

Escrito por Luana Capistrano Ligado . Publicado em Redes Municipais

A paralisação será nesta quarta e quinta-feira

Diante do descaso com a educação e com a completa falta de diálogo por parte do prefeito, Paulo Hagenbeck, (conhecido como Paulão da Varzinhas), professores e professoras da rede municipal de Laranjeiras decidiram em assembleia ocorrida, na última quinta-feira, 30, paralisar suas atividades nos dia 5 e 6 de setembro.

Há seis meses representantes dos professores vêm tentando marcar audiência com o prefeito sem qualquer sucesso. Em uma ação ‘vingativa’ o prefeito, Paulão da Varzinhas, tem se recusado a receber professores e professoras em audiência, após denúncia feita pelo SINTESE.

A prefeitura de Laranjeiras queria abrir processo seletivo para a contratação de professores e professoras para a rede municipal de ensino. Tal seleção não tem qualquer necessidade, uma vez que a rede de ensino de Laranjeiras tem 4200 estudantes para 320 professores, uma média de 13 estudantes para cada professor.

A contratação desnecessária causaria um inchaço na folha de pagamento do magistério, e a consequência disso viria em forma de atraso de salários, descumprimento da Lei do Piso Salarial, entre outras perdas de direitos. Para evitar a lambança com a verba pública, o SINTESE denunciou a situação ao Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE).

Diante dos fatos, o TCE proibiu que a prefeitura de Laranjeiras fizesse o tal processo seletivo para a contratação de novos professores e professoras para a rede municipal de ensino. Com isso, o prefeito ficou chateado e disse que só receberia os professores em audiência quando o TCE “resolvesse” a questão.

“A situação beira ao irreal. Como pode o prefeito se recusar a receber professores e professoras em audiência porque está chateado com uma denúncia legítima feita pelo nosso sindicato? Não há qualquer necessidade de contratação de novos professores, os números provam isso. O que deve ser feito é o reordenamento da rede municipal de educação, e os professores que estão em desvio de função devem voltar à sala de aula. O prefeito não pode simplesmente dizer que não irá nos receber até que o TCE “resolva” a situação. Esta postura é afrontosa a nós, professores e professoras, e ao Tribunal de Contas do Estado”, coloca o representante do SINTESE em Laranjeiras, professor Nilton dos Santos.

Reivindicação

A prefeitura deve aos professores e professoras da rede municipal de Laranjeiras 1,81% do Piso Salarial, de 2018. A prefeitura deve também horas-extras (40 horas) a professores e professoras que trabalhavam no contra turno

A categoria vem tentando negociar com a prefeitura a implantação do adicional de 1/3 salarial para professores e professoras após os 25 anos de carreira.

Outra reivindicação é a reforma urgente das escolas da rede municipal, que estão com graves problemas estruturais.

No dia 30 de agosto, após a assembleia, professores e professoras chegaram a ocupar a prefeitura, na tentativa de conseguir uma audiência com o prefeito, Paulão da Varzinhas, mas a tentativa mais uma vez foi frustrada porque o prefeito não estava na sede da prefeitura naquele dia.

Chamada Pública

Após pressão feita pelo SINTESE, a prefeitura de Laranjeiras iniciou o processo de chamada pública para matricular crianças e adolescentes que estão fora das escolas, e de adultos que desejam continuar os estudos.    

Os professores e professoras também foram às ruas para trazer mais matrículas para a rede municipal. Ao final do processo de chamada pública aproximadamente 400 pessoas (entre crianças, adolescentes e adultos) estavam certas de retomar os estudos e fazer suas matrículas na rede municipal de ensino, no entanto ao procurarem as escolas não puderam realizar suas matrículas. A prefeitura alega que as escolas de Laranjeiras não têm condições estruturais para receber todos estes novos estudantes.

“Queremos saber por qual motivo a prefeitura não está fazendo matrículas destas pessoas na rede? Esta situação é absurda, a prefeitura não pode simplesmente negar matrículas. Queremos uma solução imediata para esta situação. Isso é um descaso com a população e com a educação de nosso município”, argumenta o professor Nilton dos Santos.