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SINTESE orienta professores e professoras que resistam à BNCC do Ensino Médio

Escrito por Caroline Santos Ligado . Publicado em Nacional

 

SEED organiza escolas para o Dia D da BNCC e SINTESE orienta que os professores e professoras rejeitem a proposta apresentada pelo Governo Federal

Na manhã desta terça, 31, a Diretoria de Educação de Aracaju – DEA realizou reunião preparatória para o dia 02 de agosto, chamado pelo Ministério da Educação - MEC como Dia D da Base Nacional Comum Curricular. Pelo que foi apresentado pelas técnicas da Secretaria de Estado da Educação – SEED, será um dia de estudos sobre a Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio onde os professores e professoras poderão dar sugestões ao texto apresentado pelo MEC.

Para o SINTESE o ‘Dia D’do MEC, não passa de uma falácia, de uma fantasia midiática para forjar um falso processo democrático, que tem como objetivo criar um respaldo ilusório para pressionar o Conselho Nacional de Educação a uma decisão favorável em relação à BNCC do Ensino Médio, sem fazer de fato um debate público amplo.

“A pretensão do MEC com esse Dia D é buscar a legitimidade dos professores e professoras a uma proposta que ao invés de melhorar, acaba com o Ensino Médio e destrói o sonho de milhares de jovens brasileiros”, aponta o vice-presidente do SINTESE, Roberto Silva dos Santos.

Os vídeos instrutivos e propagandas do Governo Federal dizem que todos os componentes estão contemplados no “Novo Ensino Médio”, mas é só dar uma lida no texto da lei (Lei 13.145/2017) e é percebido que somente os conteúdos de Português, Matemática são obrigatórias, os demais componentes curriculares serão felixibilizados nos itinerários formativos (e a mesma lei diz que as escolas públicas não são obrigadas a oferecer em uma só unidade de ensino todos os itinerários), deixando os entes federativos livres para escolher (dentro das suas capacidades financeiras) quais itinerários formativos oferecerem.

CONFIRA AVALIAÇÃO SISTEMÁTICA DA BNCC FEITA PELA CNTE

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE fez uma sugestão de carta (o texto pode ser ampliado pelos docentes) para que cada escola de ensino médio rejeite essa proposta.

VEJA A CARTA AQUI

11 motivos para dizer não à BNCC!

1.A Reforma do Ensino Médio, da qual a BNCC faz parte, tornou obrigatórias nas escolas brasileiras de Ensino Médio apenas as disciplinas de português e matemática;

2.Todas as outras disciplinas (história, geogra­fia, sociologia, ­filosofia, artes, educação física, língua estrangeira, física, química e biologia) não serão mais obrigatórias;

3.A BNCC ocupará 60% do currículo escolar do ensino médio até 2022 e menos de 43% após esta data, dando espaço às áreas "flexíveis" de conhecimento;

4.O currículo ‑flexível poderá ser cumprido totalmente fora das escolas, por meio de inúmeras certifi­cações de qualidade duvidosa e desatreladas dos princípios da formação escolar, tais como: cursos de aprendizagem oferecidos por centros ou programas ocupacionais (ex: Pronatec e Sistema S); experiência de trabalho supervisionado ou outra experiência adquirida fora do ambiente escolar (ex: trabalho voluntário); estudos realizados em instituições de ensino nacionais ou estrangeiras; cursos realizados por meio de educação a distância etc;

5.Essa proposta serve para di­ficultar cada vez mais o ingresso da população de baixa renda na universidade? Aos pobres, só português e matemática! Aos abastados, todas as outras disciplinas (certamente vendidas em pacotes extras) que ajudam a ingressar nas universidades públicas;

6.Caso essa proposta de BNCC seja aprovada, as escolas terão reduzidos seus quadros de educadores/as, já que precisarão basicamente de professores/as das disciplinas de português e matemática;

7.Até para as disciplinas obrigatórias (português e matemática), a Reforma pretende oferecer conteúdos curriculares a distância, diminuindo a necessidade de professores/as em sala de aula;

8.Além de demissões em massa, as relações de trabalho nas escolas serão precarizadas pela Reforma Trabalhista (Lei 13.467/17) e pela contratação de pro­fissionais com “notório saber” na educação técnica-profi­ssional;

9.O objetivo de mercantilizar o Ensino Médio, transferindo a parte flexível do currículo e até mesmo componentes da BNCC para a iniciativa privada, através da educação a distância, é exigência dos maiores apoiadores da BNCC, entre eles: Sistema S (SESC, SENAI, SENAC, SESI etc), Federação Nacional das Escolas Particulares e o Sistema Globo de Comunicações, por meio de seus Telecursos;

10.A mercantilização e a privatização do Ensino Médio, fomentadas pela Reforma, caminham em sintonia com a Emenda Constitucional n. 95, a qual congela por 20 anos os investimentos públicos em políticas sociais, inclusive na educação;

11.A BNCC e a Reforma fazem parte do projeto de Estado Mínimo de um governo sem legitimidade eleitoral e que é produto do Golpe.