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Comunidades escolares solicitam revogação de decreto que institui centros experimentais de ensino médio

Escrito por Caroline Santos Ligado . Publicado em Rede Estadual

Estudantes, professores, pais pedem revogação do decreto 31/2017Estudantes, professores, pais pedem revogação do decreto 31/2017

Em audiência no Palácio de Despachos na manhã desta terça, 09, professoras, professores, pais, estudantes solicitaram que o governo do Estado revogue o decreto 31/2017 que institui a transformação de 25 escolas estaduais em centros experimentais de ensino médio.

A audiência contou com a participação de representantes dos colégios estaduais Cleonice Fonseca (Boquim), Manuel Dantas (Cedro de São João), Felisbelo Freire (Itaporanga), Milton Dortas (Simão Dias), Abelardo Romero (Lagarto) João Costa, Gonçalo Rollemberg e Nelson Mandela (Aracaju).

Na fala de todos e todas a indignação pela imposição por parte da Secretaria de Estado da Educação de um modelo de ensino médio em tempo integral que não se adequa as realidades das escolas. Seja pela falta de condições na estrutura física, pela falta de diagnóstico, pela falta de alternativas para os que não se adequarem, pela falta de uma discussão ampla com a realidade.

“Como ter ensino médio em tempo integral em uma escola que não tem quadra esportiva, que não tem condições para isso. Não somos contra o tempo integral, mas não há necessidade de impor”, disse Rebeca Sena estudante do 2º ano do Ensino Médio do Colégio João Costa.

A desconsideração da SEED com relação a decisão da comunidade escolar é o principal motivo para os estudantes do Colégio Estadual Felisbelo Freire em Itaporanga ultrapassarem os 30 dias de greve. “Estamos preocupados não só com a gente, mas com o restante dos estudantes. O Felisbelo tem hoje mais de 1400 alunos se ficar só com o ensino médio em tempo integral só 560 ficarão. E o restante para onde vai”, disse Fernando Onobre estudante do 3º ano.

O processo impositivo ficou claro no Colégio Estadual Gonçalo Rollemberg Leite, localizado no bairro Grageru. Os pais, estudantes, professores e alunos não foram devidamente consultados sobre a implantação da modalidade. Um dos pais contou que a decisão de incluir o Gonçalo Rollemberg foi arbitrária, pois as reuniões por segmento não aconteceram, a assembleia geral não aconteceu. Quando souberam que a escola seria incluída no decreto realizaram as plenárias e rejeitaram a implantação por entenderem que a modalidade é o ideal para nossa escola.

A deputada Ana Lúcia também relatou os problemas no processo de implantação e das atuais escolas que funcionam com a modalidade. Ela alertou que o diálogo é extremamente importante e que as decisões das comunidades escolares devem ser respeitadas, pois são os estudantes, professores, pais e mães que estão na escola.

No auditório lotado no Palácio de Despachos todos colocaram os problemas em impor uma modalidade de ensino que não é ideal para as realidades das escolasNo auditório lotado no Palácio de Despachos todos colocaram os problemas em impor uma modalidade de ensino que não é ideal para as realidades das escolas

Desde o início do ano passado que o SINTESE tem alertado que o método de implantação da SEED não é o ideal para a rede estadual e que isso pode acarretar sérios problemas para a Educação do estado. Com base nos relatos de integrantes das comunidades escolas e visitas às escolas foi constatado que nas 17 escolas em que os centros experimentais de ensino médio estão funcionando existem muitos problemas e, no entendimento do sindicato, é necessário que estes problemas sejam resolvidos antes de ampliar o número de escolas com ensino médio em tempo integral.

“Considerando todo o cenário de 2017 e o que está sendo imposto para 2018, o nosso debate com o governo do Estado é para que decreto 31/2017 seja suspenso e que se abra uma ampla discussão para resolver os problemas das escolas em que o ensino médio em tempo integral é uma realidade. Se o governo insistir em ampliar os centros experimentais de ensino médio da forma em que está fazendo, sem estudo, sem ouvir as comunidades, teremos o caos na rede estadual de ensino”, aponta a presidenta do SINTESE, professora Ivonete Cruz.

Sobre a solicitação das comunidades escolares o vice-governador Belivaldo Chagas disse que ia dialogar com o governador e também verificar as questões legais e de recursos e que daria uma resposta (mas não confirmou data).