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Estudantes poderão se matricular em tempo parcial no Colégio Estadual Felisbelo Freire

Escrito por Luana Capistrano Ligado . Publicado em Rede Estadual

Uma vitória: foi assim que a comunidade escolar do Colégio Estadual Felisbelo Freire, em Itaporanga d’Ajuda, encarou a garantia de abertura de matrículas na unidade de ensino para os estudantes que desejam cursar o 1º ano, do Ensino Médio, em tempo parcial. Há nove meses a comunidade escolar vem lutando contra o modelo excludente de Ensino Médio em Tempo Integral, imposto pela Secretaria de Estado da Educação (SEED)

Professores, pais e estudantes lotam plenária com a SEED e exigem que seja assegurada matrícula também para aqueles que desejam estudar em tempo parcialProfessores, pais e estudantes lotam plenária com a SEED e exigem que seja assegurada matrícula também para aqueles que desejam estudar em tempo parcial

O Colégio Estadual Felisbelon Freire está entre as 42 unidades de ensino da rede que seria transformada em Centro Experimental de Ensino Médio de tempo Integral. Com a mudança, no ano letivo de 2018, os estudantes que desejassem se matricular no Colégio Estadual Felisbelo Freire, no 1º ano do ensino médio, só teriam a opção de cursar esta série na modalidade integral.

Diante de toda a mobilização e da demanda aponta pela comunidade escolar, a Secretaria de Estado da Educação (SEED) assegurou que garantirá a matrícula tanto para o tempo integral quanto para o tempo parcial.

A matrícula para aqueles que optarem por estudar em tempo parcial, será feita na secretaria do Colégio Estadual Felisbelo Freire, nos dia 21 e 22 de maio, para estudantes que já estão na rede estadual, e nos dias 23 e 24 de maio para estudantes que vêm de outras redes (municipal e privada).

Representantes da SEED se reuniram em plenária com a comunidade escolar do Colégio Estadual Felisbelo Freire nesta quinta-feira, dia 10. Mesmo diante da garantia de serem abertas também turmas do 1º ano, do Ensino Médio, em tempo parcial, pais, estudantes e professores, mais uma vez manifestaram sua preocupação sobre a unidade de ensino manter o funcionamento de turmas em tempo integral, devido à precária estrutura física do Colégio. A turma do 1º ano do ensino médio, em tempo integral, começa às aulas na próxima segunda-feira, 14.

“Não temos nem o básico, como alunos poderão ficar o dia todo aqui?”

Os banheiros são fétidos, as salas de aula são quentes, a quadra esportiva está sem a cobertura e tomada por fezes de animais, não há refeitório, a alimentação escolar praticamente se resume a broa, não há laboratórios. Estes são alguns dos problemas do Colégio Etadual Felisbelo Freire, problemas estruturais que não são exclusivos deste Colégio, mas que também são encontrados (com suas variações) nas 42 unidades de ensino que foram transformadas em Centros Experimentais de Ensino Médio em Tempo Integral.

“Toda a estrutura do Felisbelo Freire é ruim. As salas são quentes, quando chove temos goteiras nas salas de aula, os ventiladores que funcionam não podem ficar muito tempo ligados porque sobe cheiro de queimado e quase todos os dias a merenda é broa. A nossa quadra, mesmo quando ela funcionava, sempre estava cheia de fezes de vaca e de cavalo, eu cheguei a pisar uma vez. Do jeito que tá hoje, o Felisbelo não tem condição de ser integral”, avalia o estudante José Augusto Eleutério Júnior, que acabou de concluir o 3º ano do ensino médio.

“O bebedouro muitas vezes passa três dias sem água. Se quisermos beber água temos que trazer de casa. A salas são muito quente, o colégio todo é assim. Os banheiros sempre estão podres, nossa merenda é broa, não temos copos na cantina, se quiser tomar suco tem que trazer copo de casa. Não temos nem o básico, como alunos poderão ficar o dia todo aqui?”, interroga a estudantes, Palmira dos Santos, que acabou de passar para o 2º ano do Ensino Médio.

Durante a plenária com a SEED, o bebedouro da escola, mais uma vez, estava sem água para consumo dos estudantes.

Quadra do Colégio Estadual Felisbelo Freire abandonada, sem cobertura e cheia de fezes de animaisQuadra do Colégio Estadual Felisbelo Freire abandonada, sem cobertura e cheia de fezes de animais

Em resposta ao diversos questionamentos expostos pela a comunidade escolar, em relação à péssima estrutura do Colégio, a diretora do departamento de educação, da Secretaria Estado da Educação, Ana Lúcia Muricy disse: “A estrutura do Colégio a gente vai adequando com o projeto [Ensino Médio em Tempo Integral] em andamento. Infelizmente, teremos que trocar o pneu do carro com o carro andando”

A escolha do ditado popular pela diretora da SEED, pode dizer muito sobre como a Secretaria encara a grave falta de estrutura física e pedagógica presente nas escolas da rede estadual, e também deixa a entender que nada será efetivamente feito, porque afinal é impossível trocar o pneu de um carro com o carro em movimento.

Para o estudante do 2º ano, do ensino médio e também conselheiro escolar, Diego Lucas Costa, é muito difícil acreditar nas mudanças prometidas pela SEED.

“Há dois anos a nossa quadra esta completamente abandona e nada melhorou. Uma reforma simples a SEED não fez. Por que agora vai ser diferente? E se por acaso eles fizerem esta tal reforma, como a gente vai estudar com o Colégio estando obras? Para onde nós vamos? Parece que a SEED não pensa nestas coisas, só diz que vai fazer, que vai melhorar, mas não diz como tudo isso vai acontecer. Eles nem se dão o trabalho de escutar o que realmente queremos. Esse é o mal deste projeto de Ensino Médio de Tempo Integral: não ouvir a comunidade escolar”, coloca o estudante.

A presidente do SINTESE, professora Ivonete Cruz, esteve presenta na plenária. O SINTESE tem acompanhado de perto o caso do Colégio Estadual Felisbelo Freire e apoiado a luta da comunidade escolar. Para Ivonte Cruz nenhuma das 42 escolas da rede estadual que já iniciaram ou iniciarão o Ensino Médio em Tempo Integral, imposto pela SEED, tem condições de receber estudantes e professores por um dia inteiro.

“Antes de começar a implantar o Tempo Integral, o Governo do Estado deveria assegurar escolas com estrutura física que possam garantir o processo efetivo de ensino e aprendizagem. Quando entramos nas escolas da rede estadual o que vemos são unidades de ensino pouco ou nada preparadas para assegurar uma educação de qualidade aos filhos e filhas dos trabalhadores do nosso Estado”, afirma a presidente do SINTESE.