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“Se esta Política de governo não gera bom resultado para Sergipe, é preciso mudar”, alerta presidente da CUT/SE

Escrito por Iracema Corso - CUT/SE Ligado . Publicado em Sociedade

Atendendo ao convite do presidente do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE), Clóvis Barbosa, dirigentes de 10 sindicatos filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE) acompanharam com preocupação à exposição feita pelos professores Luiz Rogério de Camargo e Wagner Nóbrega referente ao Anuário Socioeconômico de Sergipe, elaborado pelo Grupo de Pesquisa em Análise de Dados Econômicos, do Departamento de Economia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), na manhã da segunda-feira, 24 de julho.

Segundo o estudo apresentado, Sergipe obteve um resultado ruim nas mais diversas áreas. Nos dois últimos anos a taxa de desemprego chegou a 15%, houve queda na produção de energia, o petróleo não alcançou o crescimento estimado e o PIB de Sergipe caiu aproximadamente 10%.

Os diretores do Sindicontas (TCE), Sindijus (Judiciário), Sintese (Professores), Sinpsi (Psicologia), Sindinutrise (Nutricionistas), Sindisan (Urbanitários), Sindijor (Jornalistas), Sintradispen (Agentes Disciplinares), Sindetran (Detran) e Sindacsei (Agentes Comunitários Itabaiana) acompanharam a apresentação apreensivos pela exposição do quadro social revelado, ainda mais preocupante.

Proporcionalmente Sergipe tem mais analfabetos que a média do Nordeste, o número de jovens que não estudam nem trabalham cresceu, aumentou o número de domicílios sem rede de esgoto, água encanada e coleta de lixo. Desde 2011 o IDEB deixou de superar a meta nacional e ficou aquém dela nos anos seguintes. Em termos de taxa de mortalidade infantil estamos ‘caminhando’ para ficar abaixo da média do Nordeste.

O presidente da CUT/SE, professor Rubens Marques (Dudu), interpretou que se faz necessária uma mudança urgente na política de governo. “Os professores da universidade que apresentaram os dados seguiram a metodologia de não fazer uma leitura política e dizem que este não é o papel deles. Eu discordo, eu acho que todos os dados apresentados aqui são reflexo de uma política, de uma opção. Por exemplo: quando a pesquisa identifica que o estado aumentou a contratação de hospitais e clínicas particulares em detrimento do investimento no setor público, isso é uma opção política. Os dados apresentados indicam que Sergipe está na contramão da história e acho que faltou apresentar o impacto da renuncia fiscal para as políticas públicas, pois menos imposto significa menos recurso para investir. Mas Sergipe continua apostando na renuncia fiscal para atrair industrias e alguns investimentos. No fundo, o debate foi esclarecedor. Quero parabenizar o Tribunal pela realização do debate e o cuidado de Clóvis Barbosa em convidar todos os segmentos da sociedade, o movimento sindical que representa os trabalhadores e que também são usuários do serviço público oferecido à população”.


Dirigente do SINDINUTRISE, Graziella Andrade também citou os problemas na prestação de saúde pública em Sergipe para afirmar que os investimentos do governo na área da saúde são reduzidos e não atendem à demanda. “O resultado da saúde é negativo, está havendo uma desassistência em termos de saúde. Se a população aumenta e o estado diminui o número de leitos, isso significa que a população não está tendo assistência. Cadê a política de saúde pública? Cadê o hospital das Crianças? Cadê o hospital do Câncer?”, questionou.

O vice-presidente da CUT, Plínio Pugliesi, apontou um assunto que não foi mencionado: o arrocho salarial dos servidores públicos do governo do estado, pois algumas categorias já acumulam quatro anos sem reposição inflacionária. Plínio recordou que na semana passada a Seplag apresentou em audiência pública que a previsão é de que em 2018 a receita do governo cresça em R$ 260 milhões e que nos últimos cinco anos a receita aumentou R$ 1,7 bilhão.

Presidente da CUT/SE, Rubens Marques afirmou que a política do governo do estado de arrocho salarial e convênios com iniciativa privada na gestão da saúde é insustentável, contribui para a piora do quadro social e precisa mudar. “A receita do Estado cresceu. Pode não ter sido o esperado, mas houve crescimento. Então é importante que o estado dê o devido reajuste aos servidores públicos”, avaliou.