EUA temem investigação sobre crimes de guerra no Afeganistão

Escrito por *Publicado em estrategia.la | Tradução de Victor Farinelli Ligado . Publicado em Mundo

Publicado em Carta Maior

Em outro ato de prepotência imperial, os Estados Unidos ameaçaram prender e processar juízes e outros funcionários da Corte Penal Internacional (CPI) caso esta empreenda ações por crimes de guerra contra militares estadunidenses que invadiram e massacraram civis no Afeganistão.

John Bolton, assessor de Segurança Nacional estadunidense, afirmou que esta instância judiciária “está morta para nós”, qualificando-a como ilegítima e acusando-a de ser “ineficaz, irresponsável e francamente perigosa para os Estados Unidos, Israel e outros aliados”. Cabe aqui destacar que a corte internacional atacada por Bolton é a encarregada de julgar principalmente os crimes de guerra e de lesa humanidade denunciados internacionalmente.

“Vamos a impedir que estes juízes e promotores possam entrar nos Estados Unidos. Vamos aplicar sanções contra seus bens no sistema financeiro estadunidense e vamos iniciar ações contra eles em nosso sistema judicial”, advertiu.

Desde 2009, a invasão “aliada” causou mais de 27 mil mortes e quase 50 mil casos de feridos entre a população civil afegã. O último informe anual do Alto Comissionado de Direitos Humanos das Nações Unidas indica a maioria das 3,4 mil mortes e dos 7 mil feridos – o que dá um total de mais de 10 mil vítimas civis só no ano passado – foram causadas por ataques suicidas, artefatos explosivos, combates e ataques aéreos.

A guerra contra o “terrorismo” lançada em 2001, após os atentados de 11 de setembro em Nova York, deixou um total de 149 mil mortes diretas no Afeganistão e no Paquistão, segundo um relatório do Instituto Watson para os Estudos Internacionais, da Universidade de Brown, que também contabilizou os mortos por ataques de drones estadunidenses, chegando a uma cifra aproximada entre 1,9 mil e 3,8 mil (devido aos casos controversos), a maioria civis

“O certo é que os ataques de drones perturbam as vidas das pessoas, destroem infraestruturas e também trazem efeitos terríveis para os sobreviventes, afetando sua qualidade de vida, causando desnutrição, doenças e fomentando os deslocamentos massivos de pessoas”, manifestou a diretora do projeto, Neta C. Crawford.

“O custo humano desta horrível guerra – as mortes, a destruição e o imenso sofrimento – é alto demais”, assegurou Tadamichi Yamamoto, representante especial do Secretário Geral da ONU no Afeganistão.

Em um tácito reconhecimento dos crimes de guerra cometidos por seus próprios soldados e pelos mercenários a seu serviço – e também desconhecimento dos tratados internacionais – Bolton declarou, em visita à conservadora Sociedade Federalista, com sede em Washington, que seu governo fará “ o mesmo com qualquer companhia ou Estado que ajude a uma investigação da Corte Internacional contra os estadunidenses”.

Para os Estados Unidos, qualquer iniciativa sobre as ações de seus efetivos de segurança será considerada “uma investigação completamente infundada e injustificável”. Cabe recordar que em novembro de 2017, a promotora Fatou Bensouda, da Corte Internacional, anunciou que pediria aos juízes a autorização para investigar crimes de guerra cometidos no conflito armado afegão, principalmente por parte do exército estadunidense, que até hoje é quem encabeça a coalizão militar que, após derrubar o regime do talibã em 2001, mantém certo controle sobre algumas zonas do país.

Bolton, que foi embaixador de Washington na Organização das Nações Unidas (ONU) durante o governo de George W. Bush, disse que a principal objeção da administração de Trump é a ideia de que a Corte Internacional poderia ter maior autoridade que a Constituição dos Estados Unidos e sua soberania, uma alegação dirigida a insuflar o suposto “nacionalismo” dos cidadãos nas vésperas das eleições parlamentares, que podem deixar o governo sem maioria legislativa.

“A Corte poderia anunciar, a qualquer momento, a abertura de uma investigação formal contra esses patriotas estadunidenses”, explicou o conselheiro de Donald Trump, após a primeira mensagem ameaçadora ao tribunal, e completou: “utilizaremos todos os meios necessários para proteger os nossos concidadãos, e os dos nossos aliados, contra juízos injustos por parte desta corte ilegítima”.

A Corte Penal Internacional é regida pelo Estatuto de Roma, tratado ratificado por 123 países. Sua promotora está capacitada para abrir suas próprias investigações mesmo sem a permissão dos juízes, uma vez que os casos envolvam um país-membro – neste caso, o Afeganistão.

Paralelamente, o governo dos Estados Unidos anunciou, no mesmo dia, o fechamento da missão diplomática da Organização para a Liberação da Palestina (OLP) em Washington, ao acusar os palestinos de “não dar passos para avançar em negociações diretas e significativas com Israel”.

O governo palestino replicou, dizendo que se trata de uma represália à decisão de acusar Tel Aviv pelos crimes de guerra cometidos durante os ataques a Gaza, em 2014, e também os vinculados à colonização de territórios palestinos.

Ricardo Carnevali é doutorando em Comunicação Estratégica e investigador do Observatório em Comunicação e Democracia, associado ao Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE)

Contratação de Cristiano Ronaldo pode levar a greve na Itália

Escrito por Rede Brasil Atual Ligado . Publicado em Mundo

Imagem de anúncio da Juventus sobre a contratação de astro português por quatro temporadas

O anúncio da contratação do atacante português Cristiano Ronaldo pela Juventus, de Turim, levou a central Unione Sindicale di Base (USB) a convocar uma greve de dois dias na fábrica do grupo FCA (Fiat Chrysler Automobiles) em Melfi, sul da Itália. Com aproximadamente 7 mil funcionários diretos, além de 3 mil ligados a fornecedores, e capacidade para fabricar 400 mil veículos por ano, a unidade produz o Fiat 500X e o Jeep Renegade.

Em nota, a USB afirma considerar "inaceitável" que a empresa há anos peça "enormes sacrifícios econômicos" aos trabalhadores da FCA e do CNHI, outra empresa do grupo, enquanto resolve gastar centenas de milhões de euros para contratar um jogador de futebol. De acordo com a imprensa internacional, a aquisição de Cristiano Ronaldo perante o Real Madrid atingiu € 100 milhões, aproximadamente R$ 450 milhões. Com o anúncio da paralisação, notícias de mercado reportam queda de valor nas ações do clube italiano.

De acordo com o comunicado da entidade sindical, a paralisação irá das 22h de domingo (15) às 6h de terça-feira (17). "Enquanto os trabalhadores e suas famílias apertam o cinto cada vez mais, a propriedade decide investir muito dinheiro em um único recurso humano", critica a USB, que questiona ainda a reação ao anúncio. "Discute-se com certo espanto sobre a decisão da greve, mais do que as razões apresentadas com muita clareza no comunicado." E acrescenta: "É justo isto, é normal que uma só pessoa ganhe milhões e milhares de famílias não consigam chegar até a metade do mês?".

A família Agnelli, que controla parte do grupo Fiat (o que inclui Ferrari e Chrysler), é dona do clube. Um dos herdeiros do império, Andrea Agnelli, é o atual presidente da Juventus. Segundo o jornal português Observador, foi Andrea que ontem "embarcou num jato privado, a partir do aeroporto de Pisa, rumo ao sul da Grécia, para se reunir com Cristiano Ronaldo". O contrato será por quatro temporadas, até 30 de junho de 2022.

'O problema da indústria não é a China, é o nosso sistema financeiro'

Escrito por Tiago Pereira - RBA Ligado . Publicado em Mundo

São Paulo – De "oficina do mundo" a uma das líderes da atual fase de inovações tecnológicas conhecida como indústria 4.0, a China continua a suscitar espanto e temor. Sua participação nas exportações mundiais foi multiplicada por 10 nas últimas três décadas, saltando de 1,2% para 12,1%, e, desde 2009, o país é o maior parceiro comercial do Brasil. As trocas comerciais entre os dois chegaram a US$ 58,5 bilhões, em 2016. 

Enquanto os chineses vêm expandindo a compra de ativos no Brasil, que vão desde a participação em terminais portuários para o escoamento de matérias-primas e alimentos rumo à China a empresa que gerencia aplicativo de táxis, cada vez mais empresários brasileiros vão ao Oriente e trazem para cá produtos manufaturados de todo o tipo.

A desculpa é que não é possível competir com o preço dos produtos industriais ofertado pelos chineses, que seria decorrência dos baixos salários e jornadas exaustivas dos trabalhadores. Contudo, a realidade é mais complexa. Ainda antes da dita "reforma" trabalhista do governo Temer, o custo do trabalho no país asiático já era 16% maior que o brasileiro. 

Para o geógrafo Vladmir Milton Pomar, que atua como consultor e palestrante sobre assuntos chineses há mais de 20 anos, o que diferencia a China não é mais o baixo custo da mão de obra, mas o planejamento estatal de longo prazo e massivos investimentos em infraestrutura e desenvolvimento tecnológico.

Segundo ele, não é a competição com os chineses a principal responsável pelo processo de desindustrialização brasileiro. De acordo com dados do IBGE, a participação da indústria no PIB caiu para 11,8% e é hoje a menor desde os anos 1950. Nos anos 1980, esse percentual chegou a superar a casa dos 20%.

O problema é o peso desproporcional ocupado pelo sistema financeiro no conjunto da economia brasileira. Além das altas taxas de juros cobradas pelos bancos, que dificulta a tomada de crédito para investimentos em produtividade, os empresários brasileiros decidiram fazer o caminho inverso. Retiram recursos da produção para investir na ciranda financeira, com lucros garantidos – ou quase.

"Há uma quantidade muito grande de empresas que vão até lá comprar e trazem os produtos para cá. Tem indústrias que vão lá para comprar máquinas e ferramentas, de modo a reduzir o custo de produção no Brasil. E tem indústrias que vão para fabricar lá. Esses caminhos que os empresários brasileiros têm feito são sempre para desindustrializar", aponta Pomar. 

"A lógica é ganhar dinheiro. Se aqui no Brasil consigo lucrar 3%, e produzindo na China e vendendo aqui consigo 10%, dane-se o emprego no Brasil. Cada um vai pensando exclusivamente no seu caso, e vai matando não só o mercado consumidor como cria uma situação de empobrecimento do país", complementa.

Infraestrutura

Para competir com os chineses e inclusive ter acesso ao seu mercado consumidor, é preciso que o Brasil invista em infraestrutura, diz o especialista. "Se pegar os países continentais – Rússia, China, Canadá, Estados Unidos e Brasil –, todos têm malha ferroviária enorme, menos o Brasil. Não se transporta nada grande e pesado, com custo baixo, que não seja via fluvial ou ferrovia."

Os 30 mil quilômetros da malha ferroviária brasileira são comparáveis, por exemplo, aos da Itália, que tem dimensões similares ao estado do Maranhão. Já a China, com proporções comparáveis ao Brasil, a malha viária ultrapassa os 120 mil quilômetros, quatro vezes maior que a nossa. 

"É evidente que a gente sempre vai ter um custo maior na hora de colocar a mercadoria no porto, ou, quando importa, para internalizar a mercadoria. Com isso, a gente tem uma perda de 20 a 30% no que importa e exporta. Vale para o agronegócio, para madeira, minério", aponta.

Financeirização

Outro problema para competir no mercado internacional, segundo Pomar, é o "custo do dinheiro" no Brasil. Não bastassem as altas taxas de juros cobradas pelos principais bancos privados, o atual governo vem promovendo o esvaziamento do BNDES, e o fim da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) complica ainda mais a oferta de crédito para o setor produtivo. "Estamos completamente desarmados para nos relacionar com a China."

Enquanto isso, a China vem expandindo as suas ferramentas de crédito, com o fortalecimento do Banco de Desenvolvimento da China (equivalente ao nosso BNDES), além do Banco Asiático de Desenvolvimento e do banco dos Brics. Mesmo os bancos considerados privados da China têm um mínimo de 50% de participação estatal.

"Temos uma taxa de juros no rotativo do cheque especial que chega a 380% ao ano. No cartão de crédito, de 540%. Isso não existe em lugar nenhum no mundo. Mas parece que, por aqui, todo mundo já se acostumou, porque já existe há tanto tempo que ficamos sem vergonha. Não tem como o setor industrial do Brasil sair do lugar tendo um custo financeiro como esse."

Industriais especuladores

A situação fica ainda mais grave, pois, de acordo com Pomar, os empresários brasileiros se acomodaram com essa situação de transferir o máximo possível da sua produção para a China, e não o fazem mais de maneira improvisada ou temporária, mas como parte de um projeto liderado pelas principais entidades representativas do setor.

"Não são ações de improviso, são ações coordenadas pela CNI (Confederação Nacional da Indústria). Esses caras vão a feiras na China para comprar, visitar empresas, acertar a produção, e essas viagens são promovidas pelo centro internacional de negócios da CNI. É um crime o que esses caras estão fazendo, desde 2004 pelo menos. É uma situação aberrante."

Mais aberrante ainda é que os industriais brasileiros não têm plano de médio ou longo prazo para mudar esse cenário. "Alguém já viu industrial ou comerciante protestar contra a taxa de juros?", indaga Pomar. A resposta, segundo ele, é que "a burguesia industrial brasileira é muito mais rentista que empresarial. Essa é a questão. Enquanto tivermos um setor da economia predando os demais, a gente não vai para frente." 

Ele cita levantamento apontando que, das 500 maiores empresas brasileiras, 254 tinham auferido a maior parte dos seus lucros com operações financeiras, e não com a produção.  "Quando a gente vê um país em que as empresas deixam de ganhar dinheiro com a sua atividade-fim e passam a lucrar no cassino financeiro, aí nós estamos fritos. A questão não é a China, ou qualquer outro país. A questão é aqui. Não temos transporte ferroviário, nem fluvial, e nós temos um setor empresarial que ganha mais dinheiro com operações financeiras do que na sua atividade-fim. Se não resolver isso, não vamos concorrer com a China, e a desindustrialização vai continuar."

Papa critica golpe, condenação de pessoas caluniadas e manipulação da mídia

Escrito por Redação CUT Ligado . Publicado em Mundo

Sem citar o Brasil ou os nomes dos ex-presidentes Lula e Dilma, o Papa Francisco falou sobre manipulação, instrumentalização do povo, criação de “um ambiente de falsa unidade”, que usa a intriga para condenar uma pessoa, depois, “a unidade se desfaz”.

A liturgia, que contém uma dura critica aos golpes de estado, foi lida na manhã desta quinta-feira (17), na missa em Santa Marta, que o papa preside sempre que está no Vaticano.

O Papa comparou as perseguições a Jesus, São Estevão e São Paulo às que ocorrem na "a vida civil”. Segundo ele, na “vida política, quando se quer fazer um golpe de Estado, a mídia começa a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas". Depois chega a Justiça, "as condena e, no final, se faz um golpe de Estado". Uma perseguição que se vê também quando as pessoas no circo gritavam para ver a luta entre os mártires ou os gladiadores.

A seguir a íntegra da reportagem do Vatican News, serviço de informação da Igreja Católica:

Na missa celebrada esta quinta-feira (17/05) na Casa Santa Marta, o Papa Francisco dedicou a sua homilia ao tema da unidade, inspirando-se na Liturgia da Palavra.

Existem dois tipos de unidade, comentou o Pontífice. A primeira é a verdadeira unidade de que fala Jesus no Evangelho, a unidade que Ele tem com o Pai e que quer trazer também a nós. Trata-se de uma "unidade de salvação", "que faz a Igreja", uma unidade que vai rumo à eternidade. "Quando nós na vida, na Igreja ou na sociedade civil trabalhamos pela unidade, estamos no caminho que Jesus traçou", disse Francisco.

A falsa unidade divide

Porém, há uma "falsa unidade", como aquela dos acusadores de São Paulo na Primeira Leitura. Inicialmente, eles se apresentam como um bloco único para acusá-lo. Mas Paulo, que era "sagaz", isto é, tinha uma sabedoria humana e também a sabedoria do Espírito Santo, lança a "pedra da divisão", dizendo estar sendo julgado pela esperança na ressurreição dos mortos".

Uma parte desta falsa unidade, de fato, era composta por saduceus, que diziam não existir "ressurreição nem anjo nem espírito", enquanto os fariseus professavam esses conceitos. Paulo então consegue destruir esta falsa unidade porque eclode um conflito e a assembleia que o acusava se divide.

De povo a massa anônima

Em outras perseguições sofridas por São Paulo, se vê que o povo grita sem nem mesmo saber o que está dizendo, e são "os dirigentes" que sugerem o que gritar:

Esta instrumentalização do povo é também um desprezo pelo povo, porque o transforma em massa. É um elemento que se repete com frequência, desde os primeiros tempos até hoje. Pensemos nisso. O Domingo de Ramos é: todos ali aclamam "Bendito o que vem em nome do Senhor". Na sexta-feira sucessiva, as mesmas pessoas gritam: "Crucifiquem-no". O que aconteceu? Fizeram uma lavagem cerebral e mudaram as coisas. E transformaram o povo em massa, que destrói.

Intrigar: um método usado também hoje

"Criam-se condições obscuras" para condenar a pessoa, explicou o Papa, e depois a unidade se desfaz. Um método com o qual perseguiram Jesus, Paulo, Estevão e todos os mártires e muito usado ainda hoje. E Francisco citou como exemplo "a vida civil, a vida política, quando se quer fazer um golpe de Estado": "a mídia começa a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas". Depois chega a justiça, "as condena e, no final, se faz um golpe de Estado". Uma perseguição que se vê também quando as pessoas no circo gritavam para ver a luta entre os mártires ou os gladiadores.

A fofoca é uma atitude assassina

O elo da corrente para se chegar a esta condenação é um "ambiente de falsa unidade", destacou Francisco.

Numa medida mais restrita, acontece o mesmo também nas nossas comunidades paroquiais, por exemplo, quando dois ou três começam a criticar o outro. E começam a falar mal daquele outro... E fazem uma falsa unidade para condená-lo; sentem-se seguros e o condenam. O condenam mentalmente, como atitude; depois se separam e falam mal um contra o outro, porque estão divididos. Por isso a fofoca é uma atitude assassina, porque mata, exclui as pessoas, destrói a "reputação" das pessoas.

Caminhar na estrada da verdadeira unidade

"A intriga" foi usada contra Jesus para desacreditá-lo e, uma vez desacreditado, eliminá-lo:

Pensemos na grande vocação à qual fomos chamados: a unidade com Jesus, o Pai. E este caminho devemos seguir, homens e mulheres que se unem e buscam sempre prosseguir no caminho da unidade. E não as falsas unidades, que não têm substância, e servem somente para dar um passo a mais e condenar as pessoas, e levar avante interesses que não são os nossos: interesses do príncipe deste mundo, que é a destruição. Que o Senhor nos dê a graça de caminhar sempre na estrada da verdadeira unidade.

Agência norte-americana acaba com neutralidade de rede na internet do país

Escrito por Jonas Valente - Repórter da Agência Brasil Ligado . Publicado em Mundo

A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) revogou hoje (14) a norma que instituía a obrigação da neutralidade de rede para operadoras de telecomunicações. Por três votos a dois, o colegiado, de maioria republicana, seguiu a diretriz do governo de Donald Trump de eliminar essa regulação, aprovada sob a administração de Barack Obama em 2015.

A neutralidade de rede é um princípio segundo o qual as empresas que controlam infraestruturas de telecomunicações por onde ocorre o tráfego de dados da internet – cabos de telefone, de TV paga, satélites, antenas de transmissão de sinal de celular – não podem tratar de forma discriminatória as informações que circulam nesses espaços.

Em outras palavras, uma operadora de telefonia que também controla banda larga não pode deixar lenta ou ruim a conexão de um usuário que utilize a rede para se conectar a um serviço online de chamadas, como o Skype.

Ou seja, independentemente de o usuário usar a rede para enviar um e-mail, carregar um vídeo ou acessar um site, não pode haver privilégio ou prejuízo a nenhuma dessas informações, ou “pacotes de dados” específicos. Por essa regra, as detentoras das redes também não podem celebrar acordos comerciais com sites, aplicativos ou plataformas para que seus conteúdos sejam privilegiados e cheguem mais rapidamente a seus clientes.

A norma sobre neutralidade de rede aprovada em 2015 pela FCC determinava três exigências às operadoras: não bloquear o acesso a sites ou aplicativos, não degradar o sinal (qualidade do tráfego) de conteúdos ou serviços e não fazer qualquer tipo de favorecimento motivado por acordo econômico. O entendimento na ocasião foi de que a neutralidade é fundamental para que o interesse econômico das operadoras não prejudicasse o acesso a informações na web nem criasse um fosso entre aqueles que poderiam pagar por planos completos e caros e aqueles que ficariam nos pacotes básicos.

Regulação “leve”

O diretor da Comissão Federal de Comunicações (FCC), Ajit Pai, ex-executivo de empresas de telecomunicações, argumentou que a decisão coloca a oferta de acesso à banda larga sob regulação “leve”, que deve promover a competição e ajudar os consumidores. “Operadoras de banda larga vão ter incentivos maiores para construir redes, especialmente em áreas não atendidas, e maior concorrência, possibilitando que startups e gigantes da internet tenham mais canais para oferecer seus serviços”.

Durante a sessão, a conselheira Mignon Clyburn, ligada ao partido Democrata, reprovou a supressão da regra. “O que me deixa mais triste é que a agência que devia proteger os cidadãos norte-americanos é a que agora está abandonando essas pessoas”. O conselheiro Brendan Carr, de orientação republicana, se disse “feliz” por encerrar o que classificou como “experimento de regulação pesada e exagerada” sobre a rede e afirmou que a medida não interfere na inovação ou no direito dos consumidores.

Reações

O inventor do protocolo WWW, Tim Berners-lee, criticou fortemente a decisão da comissão norte-americana. “Ao revogar a neutralidade de rede, a FCC abriu o caminho em direção a um dramático giro de como a Internet funciona nos Estados Unidos. Em vez de preservar a internet como um mercado livre de ideias, a FCC deu a um conjunto de conglomerados o poder de decidir o que vive e o que morre online - ignorando os milhões de americanos que se pronunciaram pela proteção da neutralidade de rede”.

Professor da Faculdade de Direito de Columbia e um dos idealizadores do conceito de neutralidade de rede, Tim Wu rebateu os argumentos dos conselheiros republicanos da FCC. “A revogação da neutralidade de rede não tem nada de regulação leve. Ela significa deixar às operadoras de cabo e telefonia fazerem o que quiserem”.

A organização Free Press, uma das líderes do movimento pela aprovação da norma em 2015, também contestou os argumentos do diretor da FCC e afirmou que a neutralidade de rede não reduziu investimentos em áreas pouco atendidas ou dificultou a oferta de acesso à internet pelas operadoras, pelo contrário, incentivou o setor.

O ex-integrante da comissão Michael Copps alertou que a alteração vai deixar usuários reféns das operadoras de telecomunicações. “A FCC está jogando os internautas nas mãos de poucos conglomerados que irão filtrar pontos de vista alternativos”, ponderou.

Nenhuma das principais operadoras de acesso à internet nos Estados Unidos (AT&T, Comcast, Verizon e Tmobile) se manifestou sobre a medida em seus sites ou perfis nas redes sociais. A empresa Netflix, por meio de sua conta oficial no Twitter, lamentou a decisão da FCC e afirmou que a mudança interrompe uma era de criatividade, inovação e engajamento cívico inaugurada com a neutralidade de rede aprovada em 2015.

Próximos passos

A rede pública de televisão dos Estados Unidos, PBS, noticiou que os procuradores-gerais de Nova Iorque, Eric Schneiderman, e de Washington, Bob Ferguson, anunciaram a intenção de entrar na Justiça com um pedido de anulação da votação na FCC.

Parlamentares do Partido Democrata já informaram que levarão a disputa para o Congresso. O representante Mike Coffmann, do Colorado, anunciou que apresentará um projeto de lei sobre o tema voltado a restabelecer o princípio nas bases da norma aprovada em 2015.

O também democrata senador Ed Markey, do estado de Massachusetts, informou que irá entrar com um Congressional Review Act (Ato de Revisão do Congresso), uma espécie de recurso, para invalidar a decisão da Comissão Federal de Comunicações.

Outra estratégia em estudo por democratas e ativistas é a apresentação de propostas legislativas em parlamentos estaduais de modo a assegurar a neutralidade de rede nesses locais. Organizações da sociedade civil como a Associação para as Liberdades Civis da América (ACLU, na sigla em inglês) e o movimento People Power (Poder do Povo) já anunciaram movimentos de articulação com representantes estaduais para a apresentação desse tipo de projetos.

Edição: Luana Lourenço