A velha guarda do Vaticano ainda resiste às mudanças que o Papa Francisco tenta impor

Escrito por Philip Pullella, do Vaticano, para Reuters - via Carta Maior Ligado . Publicado em Mundo

As livrarias da Europa receberão neste fim de ano dois novos livros de jornalistas italianos relatando um outro Vaticano, o que as notícias não mostram: uma instituição assolada pelas más administrações, pela cobiça, pelo amiguismo e pela corrupção, onde a agenda de reformas do papa Francisco ainda precisa enfrentar uma dura resistência de parte dos cardeais da velha guarda.

Os livros Merchants in the Temple (“Vendilhões do Templo”), de Gianluigi Nuzzi, e Avarizia (“Avareza”), de Emiliano Fittipaldi, chegam às lojas da Itália nesta quarta-feira, e já vem sendo fortemente criticados no Vaticano. Na segunda-feira, a Santa Sé divulgou um comunicado dizendo que os livros “geram interpretações confusas, parciais e tendenciosas”. O mesmo comunicado anunciou também a prisão de dois membros da comissão que o sumo pontífice criou para estudar as reformas financeiras. Os dois homens, incluindo um religioso de alta influência dentro da Igreja, foram detidos por suspeitas de vazamento de documentos confidenciais aos autores dos livros.

Um de momentos mais importantes do Merchants in the Temple, o livro de Nuzzi, ao qual a Reuters teve acesso antes de sua publicação, é a transcrição de uma gravação do Papa numa reunião, em julho de 2013, quatro meses depois de sua eleição, na qual ele se queixa aos altos cardeais do Vaticano sobre as finanças turvas da instituição. “Temos que esclarecer da melhor forma as finanças da Santa Sé, e torná-las mais transparentes”, diz Francisco na gravação, a que, segundo o autor foi realizada em segredo por alguém que participou da reunião.

“C-l-a-r-i-d-a-d-e. Isso é o que se faz nas companhias mais humildes, e nós devemos fazê-lo também”, disse o santo padre, agregando que “não é um exagero dizer que a maioria dos nossos custos está fora de controle”.

Nuzzi ganhou fama no mundo literário em 2012, com o livro Sua Santità, que se baseou, em grande parte, nos documentos vazados por Paolo Gabriele, o mordomo do ex-papa Bento XVI. Na época, o escândalo que foi chamado de Vatileaks levou o mordomo à prisão e gerou uma grande repercussão a nível mundial, o que, segundo analistas, teria contribuído para a decisão do então papa de renunciar – o que ele anunciou no ano seguinte da publicação do livro.

Em Avarizia, que também se baseia em vazamentos, Fittipaldi denuncia um esquema que consiste no desvio de alguns dos recursos de uma fundação que administra um hospital infantil do Vaticano em Roma. Esses recursos foram usados, entre outras coisas, para pagar as prestações de um apartamento que pertence a um importante cardeal.

Tradução: Victor Farinelli

Tsipras renuncia e convoca eleições antecipadas na Grécia

Escrito por Opera Mundi Ligado . Publicado em Mundo

TELESUR / TT

"Fizemos o que pudemos", disse Tsipras ao anunciar a renúncia

São Paulo – O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, anunciou hoje (20) que vai renunciar e propôs à nação eleições antecipadas.

A imprensa local fala na possível data de 20 de setembro para o pleito. Apesar da renúncia, Tsipras só sairá do cargo quando for formado um bloco para o novo governo.

"Eu apresentarei minha renúncia, bem como a renúncia do meu governo ao presidente da República", declarou o premiê em discurso ao vivo na televisão grega.

"Mas eu me sinto na obrigação de submeter meu balanço ao seu julgamento. Vou perguntar ao povo grego. Vocês vão decidir quem vai dirigir o povo grego no futuro", acrescentou à população.

"Nós estamos hoje em uma situação sem precedentes. Nós não conseguimos obter o acordo que nós esperávamos, mas foi o melhor acordo. Em momentos difíceis, nós devemos nos ater e conquistar o que mais importa: nosso país e nossa democracia. Obrigado, Grécia", disse. 

A decisão vem poucas horas após o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) dar sinal verde ao desembolso inicial de € 23 bilhões a Atenas, possibilitando o governo grego a pagar uma dívida no valor de € 3,4 bilhões ao Banco Central Europeu (BCE).

Segundo analistas internacionais consultados pela Ansa, mesmo com a convocação, Tsipras pode se lançar candidato novamente e ganhar novo fôlego para governar a Grécia. Porém, não se sabe como outros parlamentares do Syriza vão reagir em meio ao racha dentro do partido.

Com o anúncio do premiê, esta será a segunda eleição do ano para os gregos. Em 25 de janeiro, o Syriza venceu a disputa com 36% dos votos. Como a legenda ficou a apenas duas cadeiras da maioria absoluta no parlamento (149 dos 300 assentos), ela se aliou aos Gregos Independentes, legenda da direita nacionalista, para conseguir formar uma coalizão antiausteridade.

Na ocasião, Alexis Tsipras chegou a declarar que a troika (BCE, FMI e Comissão Europeia) e austeridade eram “coisas do passado” na Grécia, prometendo renegociar a dívida pública de € 321 bilhões com a troika, além de encerrar com as privatizações.

Morre o escritor Eduardo Galeano

Escrito por Página 12 Ligado . Publicado em Mundo

Montagem CUT

Página 12

O escritor e jornalista uruguaio, autor de livros emblemáticos como “As veias abertas da América Latina”, “Memória do Fogo” e “O Livro dos Abraços”, faleceu nesta segunda-feira, 13 de abril, em Montevidéu, aos 74 anos. O juri que lhe entregou o doutorado honoris causa da Universidade de Havana, em 2001, o definiu como “um recuperador da memória real e coletiva sul-americana e um cronista do seu tempo”.

Eduardo Germán Hughes Galeano nasceu em Montevidéu, no dia 3 de setembro de 1940. Era filho de Eduardo Hughes Roosen e de Lucía Ester Galeano Muñoz, de quem tomou o sobrenome para assinar como escritor e jornalista. Quando era um adolescente, começou a publicar caricaturas no El Sol, um pasquim socialista do Uruguai, com o pseudônimo de Gius. Apesar de ser oriundo de uma família de classe alta, ele trabalhou como operário numa fábrica de inseticidas e pintor de cartazes, entre outros ofícios.

Seus primeiros passos no jornalismo foram no início dos Anos 60, como editor do semanário Marcha e do diário Época. Depois do golpe de Estado em seu país, no dia 27 de junho de 1973, foi preso, mas libertado posteriormente, e então se instalou na Argentina. Em Buenos Aires, foi diretor da revista cultural e política Crisis, fundada por Federico Vogelius (1919-1986): “aquele foi um grande exercício de fé na palavra humana, solidária e criadora (….) por acreditar na palavra, nessa palavra, Crisis escolheu o silêncio. Quando a ditadura militar a proibiu de dizer o que ela tinha que dizer, se negou a seguir falando”, disse anos depois sobre o fechamento da publicação, que aconteceu em agosto de 1976.

A ditadura argentina, presidida por Jorge Rafael Videla, colocou seu nome numa lista negra de condenados políticos, o que o obrigou a se exilar na Espanha. Ali, ele escreve a trilogia Memória do Fogo (Os Nascimentos, 1982; As Caras E As Máscaras, 1984 e O Século Do Vento, 1986) onde revisita a história do continente latino-americano.

Cronista do seu tempo, a visão de uma América Latina unida foi refletida em sua narrativa, através de obras como Los Días Siguientes (1963) (não tem título em português), Vagamundo (1973), O Livro dos Abraços (1989), Patas Arriba: La Escuela del Mundo al Revés (1998) (não tem título em português).

Em 1985, regressou a Montevidéu, quando Julio María Sanguinetti assumiu a presidência do país através de eleições democráticas. De volta ao seu país natal, juntou-se com Mario Benedetti, Hugo Alfaro e outros escritores e jornalistas para fundar o semanário Brecha. Posteriormente, criou sua própria editora: El Chanchito. Ademais, integrou a Comissão Nacional Pró Referendo (entre 1987 e 1989), constituída para derrubar a Lei de Anistia, promulgada em dezembro de 1986, para impedir o julgamento de crimes cometidos durante a ditadura militar em seu país (1973-1985).

A obra de Eduardo Galeano recebeu galardões em diversas partes do mundo, como o Prêmio Casa das Américas, em 1975 e 1978, o Prêmio do Ministério da Cultura do Uruguai em 1982, 1984 e 1986, o American Book Award de 1989, o Prêmio Stig Dagerman de 2010 e o Prêmio Alba das Letras, em 2013.

Quando recebeu o doutorado Honoris Causa da Universidade de Havana, em 2001, o escritor disse: “Eu amei esta ilha da única maneira que é, digna de fé, com suas luzes e sombras”, enquanto o juri definiu o escritor e jornalista com a certeza de se tratar de “um recuperador da memória real e coletiva sul-americana e um cronista do seu tempo”.

Em 2004, escreveu uma “Carta ao Senhor Futuro”, que sintetiza seus anseios. “Estamos ficando sem mundo. Os violentos chutam ele como se fosse uma bola. Jogam com ele, esses senhores da guerra, como se ele fosse uma granada de mão; e os mais vorazes o espremem como um limão. Nesse passo, temo que, mais cedo que tarde, o mundo poderia não ser mais que uma pedra morta girando no espaço, sem terra, sem água, sem ar e sem alma”, advertiu o escritor nessa carta. “Disso se trata, senhor Futuro. Eu lhe peço, nós lhe pedimos, que não se deixe desalojar. Para estarmos, para sermos, necessitamos que o senhor siga estando, que o senhor siga sendo, que nos ajude a defender sua casa, que é a casa do tempo”.

Moção de solidariedade ao povo palestino

Escrito por CNTE Ligado . Publicado em Mundo



A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação - CNTE, entidade representativa dos profissionais da educação básica pública no Brasil, vem manifestar seu irrestrito apoio ao Povo Palestino, repudiando veementemente os ataques israelenses realizados nos últimos dias com a justificativa, sem provas, do assassinato de três jovens colonos, filhos de famílias que ocupam terras palestinas.

Para a CNTE, é uma lástima a morte dos jovens, porém não é justificável a punição coletiva aos palestinos, mediante o lançamento de bombas, destruindo cidades e casas, e o uso de armas químicas que ferem e matam aleatoriamente civis, inclusive crianças e adolescentes.

Ao tempo que lastimamos e condenamos as mortes dos jovens israelenses, também o fazemos com o genocídio de mais de 1.500 crianças e adolescentes palestinos, entre os anos 2000 e 2013, provocado pelas ações militares e de “segurança” de Israel. Destacamos que nem ao menos se trata de uma guerra – o que também sempre é condenável -, pois o povo palestino, além de não ter território garantido para mais de 700 mil pessoas, não possui armas, aviões, exército. Trata-se, evidentemente de um genocídio gerado pela ganância, por interesses políticos descabidos, pela xenofobia e pela violência intercomunitária.

Nada justifica a agressão do governo de Israel, cujo pano de fundo verdadeiro é a tentativa de destruir a unidade das forças políticas palestinas, anunciada pelo acordo entre a Organização pela Libertação da Palestina (OLP) e o Hamas, que resultou na formação de um novo governo de unidade nacional, o que fortaleceria a luta histórica do Povo Palestino.

Expressamos toda a nossa solidariedade para com a nação palestina e conclamamos a comunidade internacional para frear a agressão israelense que ameaça a segurança e a paz na região. Especialmente o Conselho de Segurança da ONU, que até então mantem injustificável silêncio sobre o massacre, precisa se manifestar, intervindo imediatamente para cessar os crimes em curso contra o povo palestino.

Brasília, 10 de julho de 2014.

Roberto Franklin de Leão
Presidente 
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação - CNTE

Agências de espionagens utilizam aplicativos para rastreamento de suspeitos

Escrito por Rodrigo Giordano - Carta Maior Ligado . Publicado em Mundo

Ao executar o aplicativo Angry Birds - baixado por mais de 1 bilhão de pessoas em todo mundo - qualquer um pode ter seus dados (localização, idade, sexo) acessados pela NSA (National Security Agency) e seu homólogo britânico, a GCHQ (Government Communications Headquarters).


É o que apontam documentos confidenciais entregues aos jornais The Guardian, The New York Times e ao site ProPublica, pelo delator e ex-funcionário da NSA, Edward Snowden. As agências têm trabalhado juntas desde 2007 na coleta de cada vez mais dados de suspeitos de terrorismo e outros alvos, e nos últimos anos os smartphones têm sido cada vez mais utilizados na tarefa.

As agências tiram vantagem do que chamam de "leaky apps", aplicativos que transmitem informações de volta para seu criador, havendo nessa passagem uma tecnologia de rastreamento colocada por empresas de propaganda. Um relatório secreto mostrou que apenas atualizando seu Android (sistema operacional para dispositivos móveis), um usuário envia mais de 500 linhas de dados sobre a história e uso do telefone. Tais informações ajudam as agências de propaganda a traçarem perfis detalhados de usuários baseado na forma como usam o aparelho e quais sites e aplicativos utilizam. As agências de espionagem, então, recolhem essas informações, explorando-as e comparando com as que já possuem.

Os espiões possuem interesse particular no Google Maps, pela facilidade com que permite descobrir a localização de um alvo. Postagens nas versões mobile de redes como Facebook, Twitter e Flickr, permitem saber que lugares o usuário andou visitando. Mas o alcance de informações vai ainda mais longe. Um documento secreto da Inteligência Britânica mostra que é possível coletar dados como orientação sexual e ideologia política de um usuário através de determinados aplicativos e funções de um smartphone.

Já era sabido que as agências buscavam rastrear alvos através de cookies gerados por buscas no google ou qualquer outro site do tipo. No entanto, as informações transmitidas pelos aplicativos oferecem muito mais dados. Os documentos não especificam quanto de informação é coletada por dia ou quantos usuários são afetados, mas deixam claro que a quantidade de dados é bem vasta.

A NSA já gastou mais de 1 bilhão de dólares em seus esforços de vigilância através de celulares para encontrar alvos. O aparelho é substancialmente usado por suspeitos de terrorismo no planejamento de atividades. A agência afirma que já evitou ataques e prendeu suspeitos graças ao serviço.

O foco nos aplicativos, porém, mostra como ferramentas de lazer, usadas no dia a dia e aparentemente inofensivas, podem se tornar instrumentos de espionagem. A NSA, respondendo questões sobre o programa, afirmou que não busca perfis de americanos comuns, mas que isso pode ocorrer acidentalmente. A agência fez questão de ressaltar que existem leis de proteção para tais casos e que eles se estendem a "cidadãos estrangeiros inocentes". Já a GCHQ recusou comentar sobre qualquer programa específico, mas disse que todas suas atividades estão de acordo com as leis britânicas. Companhias citadas nos documentos, como o Google, disseram desconhecer o programa.

Apesar de recentemente anunciar novas restrições, a fim de proteger a privacidade de americanos e estrangeiros comuns, as quais incluem a limitação do uso de dados através de celulares, o presidente Barack Obama não citou o uso de aplicativos e funções de smartphones.

*com informações de Guardian, The New York Times e ProPublica