Casa Branca estuda limitar salários em bancos

Escrito por sintese Ligado . Publicado em Mundo

A equipe do presidente Barack Obama iniciou sérias conversações sobre como pode limitar a remuneração de executivos na indústria financeira dos Estados Unidos, mesmo em companhias que não receberam verbas públicas, segundo pessoas familiarizadas com a questão.

O esforço, que está nos estágios iniciais, é parte de um plano ambicioso, e provavelmente polêmico, do governo para alterar amplamente a maneira como companhias financeiras remuneram funcionários e executivos.

Uma das ideias é alinhar melhor a remuneração com o desempenho de longo prazo.

Membros do governo e de agências reguladoras estão explorando várias opções, inclusive usar os poderes de supervisão do banco central, o poder da comissão de valores mobiliários e persuasão moral. Também estão vendo o que pode ser feito em termos de legislação.

Entre as ideias em discussão está o uso de regras do Federal Reserve, o BC americano, que limitariam a liberdade de um banco pagar a empregados de maneira que ameace a "segurança e saúde" da companhia, como remunerar executivos que concedem créditos com base no volume de contratos de financiamento que obtêm, e não na qualidade desses empréstimos. O governo Obama também está discutindo emitir um guia de práticas aconselháveis para ajudar os bancos a estruturar o pagamento a executivos.

Ao mesmo tempo, o deputado Barney Frank, presidente do comitê de Serviços Financeiros e filiado ao Partido Democrata, está trabalhando num projeto de lei para reforçar a capacidade do governo de monitorar a compensação e proibir incentivos que possam ameaçar a viabilidade de uma companhia ou apresentar um risco sistêmico à economia.

Ainda não está claro como a proposta legislativa se encaixaria com o que o Fed e outros já estão considerando. Mas qualquer decisão do Congresso tornaria mais difícil para os parlamentares desmontar os limites quando a crise financeira capitular.

Se houver novas regras de compensação, é provável que sejam lançadas junto com uma reforma mais ampla da regulamentação dos mercados financeiros que o Departamento do Tesouro está querendo fazer. O esforço é o exemplo mais recente do foco cada vez maior do governo em partes do setor financeiro que até agora vinham sendo intocados. Autoridades há muito têm poder para sancionar bancos por estruturas de remuneração excessivas, mas raramente o usaram.

Membros do governo disseram que o esforço não pretende definir salários ou administrar os detalhes de como empresas recompensam seus empregados.

Apesar de enfraquecida, a indústria bancária dos EUA certamente tentará reagir a quaisquer limites sobre como podem remunerar funcionários. Diretores de bancos já se queixaram a autoridades do governo de que regras rígidas podem levar alguns de seus melhores empregados a trabalhar em outros segmentos que não são regulamentados, como fundos de hedge, firmas de private equity e bancos estrangeiros. Também argumentam que pagar bônus faz parte da maneira como Wall Street trabalha.

Tanto o presidente Obama quanto o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, já acusaram a estrutura de compensação dos bancos de contribuir para a bagunça financeira atual.

Geithner recentemente instruiu sua equipe a iniciar discussões com o Fed, a SEC - sigla em inglês da CVM americana - e outros sobre maneiras de lidar com as práticas de remuneração.

Num recente depoimento no Congresso, o presidente do Fed, Ben Bernanke, disse que o banco central estava trabalhando em regras que irão "requerer ou dizer aos bancos que estruturem sua compensação (...) de maneira consistente com segurança e saúde, o que implica que pagamentos, bônus e tudo o mais seja ligado a performance e não induza risco excessivo".

 

fonte: valor econômico