Retrospectiva: direitos perdidos e ameaçados em 2016

Escrito por Brasil de Fato Ligado . Publicado em Brasil

Confira a lista do Brasil de Fato sobre os principais retrocessos enfrentados pela classe trabalhadora em 2016

O ano que se encerrou foi marcado por alterações intensas no país. A mais visível foi a substituição de Dilma Rousseff (PT) por Michel Temer (PMDB) no comando do Executivo federal. A chegada do peemedebista à Presidência da República sem o crivo eleitoral, após um curto período, revelou uma agenda contrária ao desejo popular manifestado nas eleições de 2014.

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55, recentemente aprovada, resume as intenções do novo governo: um corte drástico nos investimentos públicos, reduzindo o papel do Estado brasileiro, ameaçando garantias e direitos conquistados e, nesse sentido, penalizando os mais pobres e comprometendo o futuro do país e seu desenvolvimento.

Paralelamente, uma série de outras medidas específicas confirmam essa reorientação na política brasileira, sejam de caráter econômico ou social. Direitos previdenciários, estímulo ao desenvolvimento nacional, demarcação de terras indígenas são algumas das áreas afetadas.

Além de projetos já aprovados ou em curso de se consolidar, o governo vem também aventando outras iniciativas, demonstrando que deve manter o mesmo ritmo em 2017.

Retrospectiva: direitos perdidos e ameaçados em 2016

https://www.brasildefato.com.br/2016/12/20/retrospectiva-direitos-perdidos-e-ameacados-em-2016/

Com redutor do salário mínimo, governo tira R$ 1,4 bilhão da economia

Escrito por Rede Brasil Atual Ligado . Publicado em Brasil

Valor fixado para este ano em R$ 937 interrompe trajetória de crescimento contínuo desde 2003

Para fixar o novo salário mínimo, de R$ 937, válido desde ontem (1º), o governo aplicou um "resíduo redutor" de R$ 2,29, um valor que deixou de ser considerado no reajuste. O mínimo deste ano não terá aumento real (acima da inflação), por causa da queda do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015, parâmetro utilizado por lei, mas não houve arredondamento "para cima", como em anos anteriores. Segundo o Ministério do Planejamento, o redutor resulta "da diferença entre o valor observado para o INPC em 2015 e estimativa aplicada para o cálculo do reajuste do salário mínimo de 2016".

Segundo o Dieese, 47,907 milhões de pessoas têm rendimento referenciado no salário mínimo, sendo 23,133 milhões de beneficiários do INSS, 12,212 milhões de empregados, 8,586 milhões de trabalhadores por conta próprio, 3,792 milhões de trabalhadores domésticos e 184 mil empregadores. Considerando este número e o "redutor" de R$ 2,29, são aproximadamente menos R$ 1,4 bilhão na economia este ano, contados 13 meses.

O INPC, calculado pelo IBGE, é o indicador usado pelo governo para reajustar anualmente o salário mínimo, conforme determina a lei. Até novembro, o índice está acumulado em 6,43%. O mínimo foi reajustado em 6,48%, de R$ 880 para R$ 937. Mas a estimativa para a inflação final em 2016 é de 6,74%, diz o próprio Planejamento, citando como fonte o Ministério da Fazenda. A previsão original para a inflação era de 7,5%, o que levaria o mínimo deste ano a R$ 946.

Em nota técnica divulgada hoje (2), o Dieese afirma que desde 2003 o salário mínimo teve aumento real de 77,17%, considerando nesse cálculo um INPC de 6,48% no ano passado. Nesse caso, o INPC acumulado no período chegaria a 164,43%, enquanto o mínimo tem reajuste nominal de 368,5%.

Em valores constantes de janeiro, o mínimo deste ano fica praticamente igual ao de 2015, pelos cálculos do Dieese (R$ 937,01), interrompido uma trajetória de crescimento contínua desde 2003. Em abril daquele ano, o mínimo equivalia a R$ 535,37, em valores atuais.

Mesmo assim, neste momento os R$ 937 permitiriam comprar 2,15 cestas básicas (com valor unitário estimado pelo Dieese em R$ 435), a maior quantidade desde 1979. Em 2003, quem recebia o salário mínimo conseguiria comprar pouco mais de uma cesta (1,38).

Pelas médias anuais, o mínimo de janeiro deste ano é o maior da série. Mas os anos anteriores já têm valores deflacionados pelo ICV-Dieese.

"Do ponto de vista do sistema produtivo, o desafio é fazer com que se reduza a desigualdade na distribuição funcional da renda (isto é, entre trabalho e capital) e na distribuição salarial, promovendo a transição para uma estrutura mais igualitária com um patamar de rendimento mais elevado na média", diz o Dieese. "O SM (salário mínimo), em um processo de elevação contínua e acelerada, deve ser considerado como um instrumento para buscar um patamar civilizatório de nível superior para o Brasil, atendendo aos anseios da maioria dos brasileiros."

Pesquisa CUT/Vox Brasil mostra que 90% dos trabalhadores são contra mudanças na Previdência Social

Escrito por Marize Muniz - CUT Nacional Ligado . Publicado em Brasil

As mudanças nas regras da Previdência Social que, segundo a mídia, serão propostas pelo governo, são rejeitadas pela grande maioria dos trabalhadores de todas as faixas de renda, etárias e níveis de escolaridade de todas Regiões do País, segundo pesquisa Vox do Brasil encomendada pela CUT.

A rejeição aos cortes nos programas sociais atingiu índices ainda maiores, especialmente na Região Nordeste, onde 90,5% dos pesquisados são contra. Os índices contrários aos cortes são maiores nas  mais baixas faixas de renda e escolaridade.

A pesquisa mostrou, também, que os trabalhadores estão atentos e apoiam as medidas que podem estimular a geração de emprego, como o aumento da oferta de crédito para fortalecer o mercado consumidor, programas para estimular as empresas a manter os empregos e para ajudar as pequenas e médias empresas.

A CUT decidiu testar  nas ruas a agenda que propõe para o Brasil voltar a crescer gerando mais emprego e renda e constatou que a pauta da Central está afinada com o que pensam e querem os trabalhadores. A maioria absoluta da classe trabalhadora brasileira aprova as medidas para promover o desenvolvimento, debatidas no12º CONCUT realizado em outubro, e rejeitam o ajuste fiscal e medidas de retirada de direitos conquistados.

Essa é a primeira pesquisa de opinião feita por uma central sindical brasileira para saber o que os trabalhadores pensam sobre as medidas que estão sendo debatidas na área econômica do governo. "Só os empresários faziam pesquisa.  Agora, isso acabou. Também precisamos de um instrumento como esse - pesquisa de opinião - para saber se nossas propostas são aprovadas e também para definir estratégias de luta para defender os direitos da classe trabalhadora" diz o presidente da CUT, Vagner Freitas.

Sobre os resultados desta primeira pesquisa, Vagner avalia que a mais importante conclusão é que a maioria dos brasileiros aprovam as propostas da CUT para o Brasil sair da crise, voltar a crescer, gerar emprego e melhorar a renda. Isso, diz ele, "é um sinal de que a prioridade do governo deve ser a substituição imediata da atual política econômica que só tem gerado recessão e desemprego por uma que priorize os interesses da classe trabalhadora".

O  Vox Brasil pesquisou, entre os dias 11 e 14 de dezembro, 2000 pessoas com mais de 16 anos, nas áreas urbanas e rurais de 125  municípios de todos os Estados e do Distrito Federal.

Vamos aos dados:

Previdência social

88% dos pesquisados responderam que o governo não deveria dificultar as regras para aposentadorias. Do total, 87,3% são homens, e 87,7% mulheres. Apenas 9% (9,7% homens e 8,2% mulheres) concordam com a medida que está sendo analisada pela equipe econômica e 4% não souberam ou não responderam (3% homens e 4% mulheres).

Dos 88% contrários a mudanças nas regras da  Previdência Social, 87,6% são jovens e 88,3% adultos; o percentual dos que têm ensino fundamental e médio foi igual 87,7%.  Já entre os que têm nível superior, foi de 88,3%. Quanto a faixa de renda, são conta a medida 87,8% dos que ganham até 2 salários mínimos (SM), o mesmo percentual (87,8%) dos que ganham entre 2 e 5 SM e 86,4% dos que ganham mais de 5 SM. A maioria é formada por nordestinos, 89,2%. Outros 85% vivem na Região Central/Norte, 87,1% no Sudeste e 88,4% no Sul.

Cortes nos programas sociais

Quanto aos programas sociais, 75% dos trabalhadores responderam que o governo não deve cortar recursos. O percentual entre homens (75,2%) e mulheres (75,5%), foi praticamente igual. Outros 21% disseram que o governo deve fazer cortes. Novamente, os percentuais entre homens (21,6%) e mulheres (20,9%) foram quase iguais. Apenas 3% não souberam ou não responderam (NS/NR).

A maioria dos contrários aos cortes nos programas sociais é formada por pessoas com baixa escolaridade (81,3% têm ensino médio), ganha pouco (85,1% até 2 SM) e vive no Nordeste (90,5%).

Aumento da oferta de crédito

O aumento da oferta de crédito para fortalecer o mercado consumidor, uma das propostas da CUT pesquisadas pelo Vox Brasil, foi aprovado pela maioria dos/as trabalhadoras/as. Para 65% dos entrevistados, a medida ajudaria o país, 14% acham que não, 12% acham que nem ajuda nem prejudica e 10% (NS/NR).

Dos 65% que aprovam, 66,1% são homens e 63,7% mulheres. 61,6% são jovens e 66,5% adultos. A media de aprovação foi de 65% em todas as faixas de renda e escolaridade. O Nordeste foi a Região onde os trabalhadores mais apoiaram a medida (75,5%), seguido pelo Sudeste (63,5%), Sul (57%) e Centro Oeste/Norte (57%).

Programa para dificultar demissões e incentivar empresários a manter empregos

A preocupação com o desemprego ficou comprovada em vários momentos da pesquisa. Quando a questão apresentada foi se ajudaria o país se o governo dificultasse demissões e desse incentivo para os empresários manterem os empregos, 80% dos trabalhadores responderam que a medida ajudaria o país, 7% que prejudicaria e 8% que nem ajudaria nem prejudicaria. Apenas 5% não souberam (NS) ou não responderam (NR).

Desses 80% que aprovam a medida, 80,7% são do sexo masculino e 79% feminino;  78,1% são jovens e 81,8% adultos, de todos os níveis de escolaridade (79,8% do ensino fundamental, 81,5% ensino médio e 75,9% superior) e faixas de renda (80,8% ganham até 2 SM, 80,8% de 2 a 5 SM e 75,5% mais de 5 SM. A medida foi aprovada em todas as Regiões do país: 83,3% no Nordeste, 79,3% Centro Oeste/Norte, 78,9% Sudeste e 76,2% Sul.

Programa para ajudar pequenas e médias empresas

Além da criação de programas de incentivo para as empresas, os trabalhadores defendem a redução de impostos. Para 86% dos entrevistados, ajudaria o país a criação de um programa para incentivar as pequenas e médias empresas. A aprovação atinge ambos os sexos (87,1% homens e 85,7% mulheres), em todas as faixas de renda (85,6% entre os que ganham até 2 SM, 84,9% de 2 a 5 SM e 91,1% mais de 5 SM), etárias (85,1% dos jovens e 89,4% dos adultos) e níveis de escolaridade (83,8% ensino fundamental, 88% ensino médio e 90,8% superior). Os maiores índices de aprovação foram registrados nas Regiões Nordeste (89,6%), Centro Oeste/Norte (89,3%). No Sudeste o índice de aprovação foi de 84,1% e no Sul de 83,4%.

Propostas para reduzir impostos sobre salários

 Questionados sobre redução de impostos sobre salários e aumento de impostos sobre os lucros e ganhos das empresas, os trabalhadores defenderam as opções que, para eles, ajudam a garantir ou aumentar os postos de trabalho. 82% responderam que diminuir impostos sobre salários ajudaria o país. Para 7% prejudicaria. Outros 7% acham que nem ajuda nem prejudica e 5% (NS/NR).

Dos 82% favoráveis à redução de impostos sobre salários, 83,3% são homens e 80,4% mulheres; 80% são jovens e 84,4% adultos. A medida é aprovada em todas as faixas de renda (81,3% dos que ganham até 2 SM, 82% dos que ganham entre 2 e 5 SM e 82,4% dos que ganham mais de 5 SM) e níveis de escolaridade (79,6% ensino fundamental, 85,1% ensino médio e 81,6% superior). Mais uma vez, a maior aprovação é no Nordeste, 85,3%. No Centro Oeste/Norte, 79,3%, no Sudeste, 82,3% e no Sul, 76,2%.

Já a pergunta sobre aumento de impostos sobre os lucros e ganhos das empresas dividiu os entrevistados. Para 49% (49,9% homens e 47,4% mulheres; 47,6% jovens e 49,2% adultos) a medida ajudaria o país. Para 31% (30,9% homens e 36,3 mulheres, sendo 30,2% jovens e 31,9% adultos), a medida prejudicaria. Outros 12% responderam que não ajudaria nem prejudicaria e 9% (NS/NR).

Quanto as faixas de renda, houve uma divisão na avaliação de que a medida pode prejudicar ou ajudar o país - ps que ganham menos aprovam mais a proposta. Para 51,1% dos que ganham até 2 SM a medida ajudaria - 25,4% responderam que prejudicaria. Nas faixas de 2 a 5 SM (47,1% acreditam que ajudaria e 33,5% que prejudicaria), entre os que ganham mais de 5 SM, os percentuais foram 46,5% ajudaria e 34,9% prejudicaria.

Ajuste fiscal

Já o ajuste fiscal, divide os pesquisados. Para 42% o ajuste atinge igualmente todos os segmentos da sociedade. Outros 47% acreditam que atinge mais os trabalhadores. Os índices são parecidos quando se analisam os dados por faixa etária e renda. Para 44,1% dos homens e 40,8% das mulheres atinge toda a sociedade. Para 47,2% dos homens e 46,9% das mulheres atinge mais a classe trabalhadora.

A questão da moradia

 

Sob qualquer aspecto que se aborde a questão da moradia, a resposta dos/as trabalhadores é a mesma: é preciso investir mais.  Para 83% do universo pesquisado, fazer uma ampla reforma urbana, destinando áreas de prédios mal aproveitados para moradia popular ajudaria o Brasil. Só 5% discordaram, 8% acham que nem ajuda nem prejudicaria e 4% (NS/NR).

Concordam que ajudaria o país 82,7% dos homens e 83% das mulheres; 83,6% são jovens e 83% adultos, de todas as faixas de renda (86,3% até 2 SM, 82,3% de 2 a 5 SM e 77,2% mais de 5 SM) e de escolaridade (83,7% ensino fundamental, 83,5% ensino médio e 78,8% ensino superior). O maior índice de aprovação vem da Região Nordeste, 89,7%, seguido do Centro Oeste/Norte, com 88,1%, Sudeste com 79,4% e Sul, com 73,6%.

Minha Casa, Minha Vida

Quanto ao aumento do investimento no programa do governo Federal Minha Casa, Minha Vida, para 82% dos trabalhadores a medida ajudaria o país. Outros 7% disseram que prejudicaria 8% que nem prejudica nem ajuda e 3% (NS/NR).  

Entre a maioria que aprova, 81,5% são homens e 82,3% mulheres. 84,7% são jovens e 80,4% adultos, com ensino fundamental 86%, médio 81% e superior. A medida também é aprovada em todas as faixas de renda (87,8% dos que ganham até 2 SM, 80,9% de 2 a 5 SM e 71,9% mais de 5 SM). No Nordeste, a medida foi aprovada por 91,4% dos entrevistados. No Centro Oeste/Norte por 85,9%, no Sudeste por 78,5% e no Sul por 68,6%.

Reforma agrária

A reforma agrária também é aprovada por trabalhadores do campo e da cidade. Diante da pergunta "fazer uma ampla reforma agrária, com distribuição de terras para agricultores de baixa renda, ajudaria o país ou prejudicaria o país", 76% responderam que ajudaria e apenas 9% discordaram, 11% respondeu que não ajudaria nem prejudicaria e 5% (NS/NR).   

Uma bandeira histórica da CUT, a cobrança de impostos sobre heranças e grandes fortunas, ajudaria o país para 48% dos entrevistados. Outros 25% acreditam que prejudicaria, 18% acham nem ajudaria nem prejudicaria e 9% (NS/NR). Os percentuais de aprovação entre homens e mulheres, jovens e adultos, inclusive por faixa de renda tiveram percentuais parecidos (ver anexo).

Outra bandeira da CUT, a questão da educação, está entre as grandes preocupações da sociedade brasileira. A pergunta foi "aumentar o financiamento da educação, aumentando os recursos do Prouni e do FIES, ajudaria o país. 85% responderam sim, apenas 4% discordaram, 6% optou por nem ajudaria nem atrapalharia e 5% (NS/NR).    

As respostas mostraram também que a taxa Selic é uma preocupação nacional. Isso em todas as  83% dos trabalhadores acreditam que a redução da taxa de juros ajudaria o país, só 6% pensam o contrário, 7% respondeu que não prejudicaria nem ajudaria e 4% (NS/NR). Os percentuais de aprovação à redução da Selic atingem mais de 80% em todas as faixas etárias, de renda e nível de escolaridade. Entre as Regiões do país, só no Sul o percentual (76,5%) ficou abaixo de 80%. No Nordeste 87,1% dos entrevistados apoiam a redução, no Centro Oeste/Norte 83,4% e no Sudeste 83,4%.

Em nota, órgão da CNBB contesta impeachment

Escrito por CNBB Ligado . Publicado em Brasil

 

A Comissão Brasileira Justiça e Paz, orgão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), soltou uma nota contrária ao impeachment da Presidente Dilma Rousseff nesta quinta (03).

Segundo a entidade, o país vive momento difícil e o impeachment ameaça a ordem constitucional democrática brasileira. Para a comissão, é preciso que o bem do País ultrapasse interesses espúrios do presidente da Câmara. Veja abaixo a nota completa:

A Comissão Brasileira Justiça e Paz, organismo da CNBB, no ensejo da ameaça de impeachment que paira sobre o mandato da Presidente Dilma Rousseff, manifesta imensa apreensão ante a atitude do Presidente da Câmara dos Deputados.

A ação carece de subsídios que regulem a matéria, conduzindo a sociedade ao entendimento de que há no contexto motivação de ordem estritamente embasada no exercício da política voltada para interesses contrários ao bem comum.

O País vive momentos difíceis na economia, na política e na ética, cabendo a cada um dos poderes da República o cumprimento dos preceitos republicanos.

A ordem constitucional democrática brasileira construiu solidez suficiente para não se deixar abalar por aventuras políticas que dividem ainda mais o País.

No caso presente, o comando do legislativo apropria-se da prerrogativa legal de modo inadequado. Indaga-se: que autoridade moral fundamenta uma decisão capaz de agravar a situação nacional com consequências imprevisíveis para a vida do povo? Além do mais, o impedimento de um Presidente da República ameaça ditames democráticos, conquistados a duras penas.

Auguramos que a prudência e o bem do País ultrapassem interesses espúrios.

Reiteramos o desejo de que este delicado momento não prejudique o futuro do Brasil.

É preciso caminhar no sentido da união nacional, sem quaisquer partidarismos, a fim de que possamos construir um desenvolvimento justo e sustentável.

O espírito do Natal conclama entendimento e paz.

Carlos Alves Moura
Secretário Executivo
Comissão Brasileira Justiça e Paz

Comando da Petrobras está atrelado ao mercado financeiro, afirma FUP

Escrito por Vitor Nuzzi - da Rede Brasil Atual Ligado . Publicado em Brasil

São Paulo – Com uma greve que atinge de forma sensível a produção, os representantes dos petroleiros afirmam que a principal questão a ser debatida não é a corporativa, relativa à convenção coletiva, mas se refere ao futuro da Petrobras e seu modelo de gestão. "O debate está sendo travado por uma nova direção e um Conselho de Administração muito atrelados ao mercado financeiro", diz o diretor e ex-coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP) João Antônio de Moraes. Segundo ele, tratar do tema apenas sob o ponto de vista "financista" significa quebrar a empresa.

"Qual foi a nação que entrou em crise, seguiu o receituário neoliberal e melhorou?", questiona o sindicalista, que participou na tarde de hoje (5) de uma entrevista coletiva no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, na região central de São Paulo. "Se a Petrobras e o governo botarem pé fundo no que propõe o mercado, vai quebrar a Petrobras e vai quebrar o Brasil", afirma, remetendo a questão às origens da companhia, que enfrentou resistência conservadora antes mesmo de surgir, em 1953. "Se a gente seguisse o mercado a Petrobras não teria sido criada."

A resistência da FUP ao Plano de Negócios e Gestão da Petrobras, que prevê corte de investimentos e venda de participações e até mesmo de ativos, é criticada por analistas de mercado e por boa parte da imprensa especializada. Moraes busca evitar generalização, mas diz estranhar o comportamento quase "em bloco" da mídia em defesa de medidas "que já deram errado em outros países".

Pauta

Segundo ele, o principal item da greve iniciada domingo (1º) nas bases dos sindicatos filiados à FUP é a chamada Pauta pelo Brasil, discutida desde a plenária nacional da categoria, em junho, em um contexto de ataques à Petrobras em várias frentes. "Nenhuma outra empresa ou instituição resistiria." Para o dirigente, trata-se de uma tentativa de "recolocar a Petrobras no patamar em que estava em 2002, acanhada e sobretudo sendo preparada para a privatização".

A partir de 2003, acrescenta, a política da companhia passou a ser mais voltada para "os interesses do país, ainda mais com a descoberta do pré-sal, uma das mais relevantes em todo o mundo nas últimas décadas. "Isso só foi possível a partir da retomada dos investimentos." Ele observa que uma descoberta costuma se tornar comercialmente significativa após 15 ou 20 anos, e com o pré-sal isso aconteceu em prazo muito menor, com aproximadamente seis.

"O pré-sal desperta cobiça no mundo. Você ter pré-sal sem Petrobras ou com a Petrobras pela metade é não ter pré-sal. Se você explorar o pré-sal pela lógica do mercado, não vai sobrar nada para a gente. Os empresários (brasileiros) também têm de travar esse debate." Ele cita o Projeto de Lei do Senado (PLS) 131, de José Serra (PSDB-SP), que retira a obrigatoriedade de a estatal ser a única operadora. "Se não fosse pela atuação da FUP e dos movimentos sociais, esse projeto já teria passado. E seria uma tragédia. Tem mais projetos nessa linha."

Moraes também lembra que não apenas a Petrobras enfrenta dificuldades. "Todas as grandes empresas (no mundo). Ou tiveram prejuízo ou tiveram uma redução brutal de seus lucros", diz Moraes, citando fatores como a queda de preço do petróleo e o câmbio. Mas o debate não pode se restringir aos aspectos econômicos e financeiros, insiste. "O Brasil não sai (da crise) sem discutir uma saída de nação para o petróleo e particularmente para a Petrobras." Segundo a FUP, estimativas apontam uma redução de R$ 700 bilhões nos cinco próximos anos, entre desinvestimentos, redução de participações e venda de ativos.

Gargalo

O diretor da FUP defende a conclusão das obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, para garantir a sustentabilidade brasileira em derivados. O cenário próximo, diz, é de excedente de óleo cru com as atuais refinarias no gargalo. Aos defensores de maior presença privada, ele pergunta quantas refinarias as operadoras construíram no Brasil até 2002. Responde: "Nenhuma". Da mesma forma, de 60 navios encomendados, nenhum é das dezenas de operadoras em atuação no país – 58 são da própria Petrobras.

Segundo Moraes, a agenda em implementação hoje é a dos perdedores, e o debate é para "recolocar a agenda que ganhou as eleições, inclusive no Congresso". Por isso, ele espera outra postura da empresa e do governo, criticando a ação "truculenta" vista até aqui, que resultou inclusive em prisão de dirigentes.

Mesmo a greve, argumenta, foi uma reação a quatro meses de "portas fechadas" na Petrobras, que inclusive não mandou representante à audiência marcada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), no Rio de Janeiro, para discutir regras a serem seguidas pelas partes durante a paralisação. Isso, inclusive, causa preocupação – não no curto prazo – quanto ao abastecimento. "Temos compromisso com o abastecimento. Mas para exercitar esse compromisso é preciso dialogar com a Petrobras."

A greve é feita em todas as bases sindicais dos petroleiros, sendo 12 ligadas à FUP e cinco à FNP. Embora com pontos em comum, as duas entidades não participam conjuntamente do movimento. A Petrobras apresentou uma proposta financeira, que corrige as tabelas salariais com índice (8,81%) abaixo da inflação e, segundo os sindicalistas, reduz direitos sociais da convenção coletiva. Já se fazem comparações com a paralisação de 1995, que também atingiu significativamente a produção e teve reação feroz do recém-instalado governo FHC. "A greve de 1995 tinha a lógica da resistência. Os tanques na refinaria tinham o objetivo de intimidar, mas não conseguiram. Foi a greve que arrancou o compromisso de não privatização da Petrobras."

Moraes reafirma que a Operação Lava Jato deve resultar em punições a quem participou de atos de corrupção, mas isso não pode interferir nas atividades da empresa. "A todo brasileiro interessa que o que está errado seja apurado e os responsáveis sejam severamente punidos. A todos, mas sobretudo a nós, petroleiros. Quem comete crise é pessoa física, não jurídica." Ele observa que a questão envolve uma companhia que responde por 13% do PIB brasileiro (ante 3% em 2002) e por 20% de todos os investimentos no país. "Não dá para aceitar a Petrobras sendo tratada como uma empresa qualquer."