Pesquisa analisa a cobertura da mídia sobre o MST durante a CPI

Escrito por http://www.intervozes.org.br/ Ligado . Publicado em Brasil

Uso de termos negativos, pouca relevância dada às bandeiras do Movimento e exclusão do MST como fonte. O que já era percebido pelos movimentos sociais agora foi comprovado em pesquisa que analisou cerca de 300 matérias sobre o MST em TV, jornal impresso e revistas. A pesquisa foi realizada com apoio da Fundação Friedrich Ebert e da Federação do Trabalhadores em Radiodifusão e Televisão (FITERT).

 

O relatório, intitulado “Vozes Silenciadas”, analisou as matérias que citaram o MST em três jornais de circulação nacional (Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo); três revistas também de circulação nacional (Veja, Época e Carta Capital); e os dois telejornais de maior audiência no Brasil: Jornal Nacional, da Rede Globo, e Jornal da Record. O período pesquisado foi de 10 de fevereiro a 17 de julho, duração das investigações de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o MST.

O estudo

 

MST é retratado como violento e suas bandeiras recebem pouco destaque. A pesquisa concluiu que o movimento, na maioria dos casos, não era central nas matérias que o citam. O tema predominante foi as eleições (97 inserções), com uma grande diferença em relação ao segundo lugar, o Abril Vermelho (42 inserções). A CPMI foi tema apenas de oito matérias (ou 2,6% do total). Nas matérias sobre eleições, o MST não apareceu nos debates sobre políticas agrárias, mas sim como ator social mencionado de forma negativa pelos dois principais candidatos do pleito nacional. O Movimento aparece em segundo lugar no ranking de fontes ouvidas (em primeiro lugar estão matérias que não ouvem nenhuma fonte). Porém, essa colocação representa apenas 57 ocorrências num universo de 301 matérias.

 

Quase 60% das matérias utilizaram termos negativos para se referir ao MST e suas ações. O termo que predominou foi “invasão” e seus derivados, como “invasores” ou o verbo “invadir” em suas diferentes flexões. Ao todo, foram usados 192 termos negativos diferentes, entre expressões que procuram qualificar o próprio MST ou suas ações.

 

A maioria dos textos do universo pesquisado cita atos violentos, o que significa que a mídia faz uma ligação direta entre o Movimento e a violência. Não bastasse essa evidência, dentre as inserções que citam violência, quase a totalidade (42,5% do total de matérias) coloca o MST apenas como autor.

 

Confira aqui a íntegra da pesquisa.

Enquanto Polícia investiga vítimas, mais um agricultor é morto no Pará

Escrito por Jorge Américo, Radioagência NP Ligado . Publicado em Brasil

(1’20” / 312 Kb) - Na manhã desta quinta-feira (25), os conflitos agrários no estado do Pará deixaram mais uma vítima. O agricultor Valdemar Oliveira Barbosa foi morto a tiros quando trafegava de bicicleta pelo bairro de São Felix, na cidade de Marabá. Os disparos foram efetuados por dois homens que estavam em uma motocicleta, segundo informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Até o momento a Polícia não divulgou informações sobre o crime. Conhecido como Piauí, Valdemar coordenou, por vários anos, um grupo de famílias que ocupava a fazenda Estrela da Manhã, em Marabá. No mesmo município, ajudou a organizar uma ocupação urbana, onde estava residindo.

Valdemar também coordenava um acampamento na Fazenda Califórnia, no município de Jacundá. No final do ano passado as famílias foram despejadas pela Polícia Militar. A CPT suspeita que o assassinato de Valdemar tenha ligação com a tentativa de reocupação da fazenda.

Esse é o quarto assassinato ocorrido no Pará desde a morte dos extrativistas José Cláudio e Maria do Espírito Santo, no mês de maio. Desses seis homicídios, ninguém foi preso. Segundo a CPT, quando se trata de crimes no campo, “o comportamento da Polícia Civil do Pará tem sido de investigar as vítimas e não os responsáveis pelas mortes”.

De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo.

Globo admite regionalizar programação

Escrito por sintese Ligado . Publicado em Brasil

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Apresentadores do Jornal do Almoço, da RBS, afiliada da Globo (Fotos: Reprodução)

Há uma guerra no ar.

Redes de televisão e companhias telefônicas estão travando uma disputa nos bastidores dos gabinetes de Brasília. As teles querem tirar canais reservados para a televisão aberta para ofertarem mais telefonia móvel (celular). Para não ceder canais às telefônicas, a Globo já fala até em aumentar a regionalização da programação, um assunto que sempre provocou urticária nos executivos da emissora.

As teles reivindicam do governo federal as frequências (canais) que ficarão ociosas após 2016, quando está previsto o término da transição da TV analógica para a TV digital, também chamado de "apagão analógico" e "switch off".

Por exemplo: hoje, em São Paulo, a Record transmite no canal 7 (sinal analógico) e no canal 19 (digital). Quando a TV analógica estiver totalmente ultrapassada, em tese a Record terá de devolver ao governo o canal 7, assim como a Globo terá de devolver o canal 5 de São Paulo e o SBT, o 4. As telefônicas querem esses canais para usar na telefonia móvel.

As emissoras de TV (todas) não querem ceder espaço hoje dedicado à radiodifusão para as telecomunicações (telefonia). Argumentam que precisarão de maior espaço eletromagnético (frequências/canais) para oferecer novas tecnologias, como a super-high definition (TV de definição muito superior à atual alta definição) e o 3D integral.

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Funcionários da rede japonesa NHK testam câmara de TV de super-alta definição

O assunto dominou discussões na Broadcast & Cable 2011, feira de engenharia de televisão que encerrou ontem em São Paulo.

Em um seminário anteontem (quarta, 24), Fernando Bittencourt, diretor da Central Globo de Comunicação, defendeu pela primeira vez a regionalização da programação da TV.

Segundo ele, os canais que ficarão disponíveis após o apagão analógico "permitirão a regionalização da TV". Ele defendeu que os canais hoje analógicos sejam transformados em digitais e concedidos a afiliadas das redes, que passariam a produzir conteúdo local.

Assim, hipoteticamente, o canal 5 de São Paulo poderia se transformar em uma afiliada da Globo no ABC, que passaria a irradiar telejornais focados na região.

"Ter programação local significa ter cultura local, jornalismo local, publicidade local", afirmou Bittencourt. "O Brasil tem 5.500 municípios, mas só 235 tem geradoras de TV e produzem programação local. É muito pouco 235 geradoras para 5.500 municípios", argumentou.

O discurso da Globo tem um forte apelo político. Os próprios políticos seriam beneficiados com a transformação de canais analógicos em digitais, porque mais municípios teriam propaganda eleitoral gratuita.

A fala da Globo pró-regionalização da programação de TV soa um tanto estranho. É a rede que menos programação local permite às suas afiliadas, e, mesmo assim, impõe um padrão nacional de qualidade. A programação regional nas afiliadas da Globo se limitam a três telejornais locais e a algumas faixas de horário aos sábados, domingos e finais de noite.

Dividendo Digital

A entrega de canais hoje ocupados pelas redes de TV às telefônicas ganhou um termo pomposo: "dividendo digital". Em um outro seminário na Broadcast & Cable, Leila Loria, diretora da área de regulamentação da Telefônica, defendeu a ocupação dos canais de TV analógicos pelo serviço de telefonia móvel. "É o serviço móvel que irá alavancar a banda larga", defendeu Leila.

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As TVs querem manter os atuais canais analógicos para transmitir em 3D integral

Segundo a executiva, os canais de TV analógicos quando ocupados pela telefonia (como ocorre em outros países) "trazem mais benefícios ao país".

Consultor da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), Paulo Ricardo Balduíno combateu o dividendo digital. "Antes de falar em dividendo digital no Brasil, precisamos fazer a transição para a TV digital e discutir o futuro da televisão digital. Temos de garantir espectro para a televisão aberta", afirmou.

Segundo Balduíno, as telefônicas estão reclamando de barriga cheia. A telefonia móvel no Brasil ocuparia 200 megahertz a mais de banda do que a telefonia móvel dos Estados Unidos.

Apesar de as teles terem faturamento quase 10 vezes superior aos das redes de TV, a radiodifusão tem mais força política. As TVs venceram a disputa com as teles em torno do sistema de TV digital, em 2006.

A julgar pelo discurso de membros do governo, as redes de TV estão levando vantagem na luta pela preservação dos canais analógicos. "A TV aberta acerta na programação, faz o que a população quer. E faz com qualidade, porque exporta para diversos países. Essa discussão [da entrega dos atuais canais analógicos para as teles] está em aberto. Não faz sentido fixar datas, como querem alguns", disse na Broadcast & Cable André Barbosa, assessora da Casa Civil da Presidência da República.

Sergipanas vão a Brasília para Marcha das Margaridas

Escrito por Iracema Corso Ligado . Publicado em Brasil

As trabalhadoras sergipanas que vão participar da Marcha das Margaridas, em Brasília, nos dias 16 e 17 de agosto, estão articulando um ônibus que sairá de Sergipe no dia 14, partindo da sede da Central Única dos Trabalhadores, na Rua Porto da Folha, bairro Getúlio Vargas. A Marcha das Margaridas é uma ação estratégica das mulheres do campo e da floresta para conquistar visibilidade, reconhecimento social e político e cidadania plena.


O grupo feminino tem convidado a população para participar deste grande ato através da internet. “Junte-se a nós. Assuma o compromisso com a luta da Marcha das Margaridas de 2011. Venha marchar por desenvolvimento sustentável com justiça, autonomia, igualdade e liberdade para todas as mulheres”, assinala o coletivo.

A Marcha das Margaridas se consolidou na luta contra a fome, a pobreza e a violência sexista e sua agenda política de 2011 tem como lema desenvolvimento sustentável com justiça, autonomia, igualdade e liberdade.

Coordenada pelo Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais composto pela Confederação Nacional de Trabalhadores na Agricultura – Contag, por 27 Federações – Fetag’s e mais de 4000 sindicatos, sua realização conta com ampla parceria.

Em 2011, as mulheres trabalhadoras rurais, mais uma vez, estarão nas ruas, em movimento, para protestar contra as desigualdades sociais; denunciar todas as formas de violência, exploração e dominação e avançar na construção da igualdade para as mulheres.

 

MARGARIDA ALVES
A maior mobilização de mulheres trabalhadoras rurais do campo e da floresta do Brasil tem esse nome, como uma forma de homenagear a trabalhadora rural e líder sindical Margarida Maria Alves.

Margarida Alves é um grande símbolo da luta das mulheres por terra, trabalho, igualdade, justiça e dignidade. Rompeu com padrões tradicionais de gênero ao ocupar por 12 anos a presidência do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Alagoa Grande, estado da Paraíba. À frente do sindicato fundou o Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural. A sua trajetória sindical foi marcada pela luta contra a exploração, pelos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, contra o analfabetismo e pela reforma agrária. Margarida Alves foi brutalmente assassinada pelos usineiros da Paraíba em 12 de agosto de 1983.

fonte: analucia-se.com.br/

Resultado de pesquisa etnorraciais mostra que maioria da população admite a existência de racismo

Escrito por Isabela Vieira - Agência Brasil Ligado . Publicado em Brasil

A pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre as características etnorraciais da população, divulgada no último dia 22, constatou que 63,7% dos brasileiros admitem que a cor ou raça influencia a vida das pessoas. Para um dos coordenadores do estudo, José Luís Petruccelli, isso indica que a população reconhece a existência de racismo no país.

Por meio de questionário aplicado em 15 mil domicílios em cinco estados e no Distrito Federal, o levantamento do IBGE revela que, para os brasileiros, o racismo está mais evidente no trabalho (71%), na relação com a polícia e com a Justiça (68,3%) e no convívio social (65%). De oito categorias, a escola foi citada por 59,3% dos entrevistados e as repartições públicas, por 51,3%.

O estudo também destaca que é na unidade da Federação com maior renda per capita do país (mais de cinco salários mínimos), o Distrito Federal, onde a população mais percebe o racismo. Lá, 10,9% dos entrevistados, na resposta aberta, se declarou "negra" - categoria que não é usada pelo IBGE.

No Amazonas, menos pessoas notam o problema (54,8%). No estado, também foi registrado o menor percentual de autodeclarados "brancos" (16,2%) e a maior proporção de "morenas" (49,2%), termo que assim como "negra" também não é usada pelo instituto para a classificação etnorracial.

Segundo a pesquisa, 96% das população sabe se autoclassificar, sendo que 65% seguem os critérios do IBGE. Para ele, o fato de uma parcela se definir "morena" é uma forma de evitar se assumir "preto" ou "parda", categorias que somadas equivalem a "negros". "Moreno é um termo para fugir da questão. Pode ser quase qualquer um, pode ser bronzeado de sol ou afrodescendente", disse o pesquisador. No total, 21,7% dos entrevistados se declararam "morena" e 7,8%, negra.

A decisão de usar dados desagregados de raça nas pesquisas domiciliares pelo IBGE cumpre recomendações firmadas pelo Brasil na 3º Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata, realizada em Durban, na África do Sul, em 2001.