Apologia a homofobia e lesbofobia: quando a religião se confunde com racismo

Escrito por sintese Ligado . Publicado em Roberto Santos

Ser uma mulher lésbica ou um homem homossexual é uma das robertoformas de orientação, expressão e identidade sexual e um direito sexual. Portanto, um Direito Humano de todas as mulheres e homens de serem diferentes. A Lesbofobia e a homofobia são manifestações de violência, frente a um modo de comportamento sexual, considerado “diferente”, são todas as formas de opressão sofrida por mulheres e homens que se relacionam afetivamente e sexualmente com outra mulher e/ou outro homem.

Infelizmente, a violência contra lésbicas, bissexuais, gays, transgêneros, transexuais tem se tornado “natural” na sociedade com preconceitos reprováveis e inaceitáveis. Os principais preconceitos existentes são: Lesbofobia, Homofobia (o medo, a aversão ou o ódio irracional aos homossexuais), Racismo e Machismo.

O artigo 5º da constituição federal nos incisos: VIII, X, XLI, XLII tornam qualquer forma de discriminação, prática de violência seja ela física, psicológica, cultural e verbal ou manifestação de caráter preconceituoso contra pessoas por motivos derivados de sua orientação sexual e de gênero feminino e masculino ato ilícito, devendo ser combatido e punido na forma desta lei.

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
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VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
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X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
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XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;
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XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;

Mesmo a legislação brasileira condenando o racismo, o preconceito lesbofóbico e homofóbico tem aumento fruto da recente decisão da justiça brasileira de legalidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Nessa terça-feira (25/10), o Superior Tribunal de Justiça autorizou, pela primeira vez, que casal do mesmo sexo se case no papel. Em maio, o Supremo Tribunal Federal já tinha reconhecido a união estável entre pessoas do mesmo sexo. A importância da decisão acontece pela vitória dos cidadãos brasileiros que vivem com pessoas do mesmo sexo de casarem-se no papel com direito de mudar o estado civil de solteiro para casado, adotar o sobrenome do(a) parceiro(a) e ter direito a herança do cônjuge.

A decisão acentuou, ainda mais, a onda de preconceito nos cultos religiosos, programas de televisão e rádios evangélicos, inclusive na internet, com atitude discriminatória que fere o estabelecido no art. 5º da constituição, do tipo: “odiamos o pecado, mas amamos o pecador”, “olha, nós te amamos, mas se você é gay ou lésbica é uma abominação e vai para o tacho do capeta”, “não sou eu quem diz, é deus”, “Isso não é coisa de Deus”.......

Como, no Brasil, racismo é crime, muitos estão escondendo-se na religião como álibis para despejar afirmações preconceituosas e permanecer impune. Nos cultos, na televisão, no rádio e na internet a homofobia e lesbofobia tem se acentuado e mesmo aqueles que não são preconceituosos, acabam se tornando a partir de versões bíblicas nazi-facista.

Entretanto, Segundo os ensinamentos bíblicos o racismo é pecado. A Bíblia diz em Gálatas 3:28 “Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.”. O livro sagrado dos cristãos ainda revela em Tiago 2:8-9 “Todavia, se estais cumprindo a lei real segundo a escritura: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem. Mas se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo por isso condenados pela lei como transgressores.” Ainda em Atos dos Apóstolos Lucas diz que todos os homens têm o mesmo sangue: Atos 17:26 “E de um só fez todas as raças dos homens, para habitarem sobre toda a face da terra, determinando-lhes os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação.” Ainda em Atos dos Apóstolos o profeta fala em 10:34-35 “Então Pedro, tomando a palavra, disse: Na verdade reconheço que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é aceitável aquele que, em qualquer nação, o teme e pratica o que é justo.”

As ações preconceituosas escondidas na “liberdade religiosa”, existente no Brasil, é um crime segundo a legislação brasileira e um pecado segundo a Bíblia. O preconceito aprofunda-se a partir de palavras de pastores e padres que não percebem a gravidade que cometem: tratando os iguais como diferentes e até como marginais. Diante desses absurdos, vivemos hoje em uma sociedade onde o pior xingamento é chamar alguém de “viado ou sapatão”. As pessoas preferem ser chamado de bandido, corrupto ou ladrão do que “viado ou sapatão”.

O grave disso é que as pessoas batem palma para o racismo. E ainda por trás de todas as movimentações políticas contra a liberdade e o preconceito aos homossexuais e lésbicas, está a bancada evangélica: deputados estaduais, federais e senadores que são nazi-facista que se esconde na imunidade parlamentar com afirmações públicas homofóbicas e lesbofóbicas.

A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por maioria, proveu recurso de duas mulheres que pediam para ser habilitadas ao casamento civil. Seguindo o voto do relator, ministro Luis Felipe Salomão, a Turma concluiu que a dignidade da pessoa humana, consagrada pela Constituição, não é aumentada nem diminuída em razão do uso da sexualidade, e que a orientação sexual não pode servir de pretexto para excluir famílias da proteção jurídica representada pelo casamento.

O julgamento estava interrompido devido ao pedido de vista do ministro Marco Buzzi. Na sessão desta terça-feira (25/10), o ministro acompanhou o voto do relator, que reconheceu a possibilidade de habilitação de pessoas do mesmo sexo para o casamento civil. Para o relator, o legislador poderia, se quisesse, ter utilizado expressão restritiva, de modo que o casamento entre pessoas do mesmo sexo ficasse definitivamente excluído da abrangência legal, o que não ocorreu.

Em seu voto-vista, o ministro Marco Buzzi destacou que a união homoafetiva é reconhecida como família. Se o fundamento de existência das normas de família consiste precisamente em gerar proteção jurídica ao núcleo familiar, e se o casamento é o principal instrumento para essa opção, seria despropositado concluir que esse elemento não pode alcançar os casais homoafetivos.

Lei garante Aviso Prévio de 30 até 90 dias para os trabalhadores demitidos

Escrito por Roberto Santos Ligado . Publicado em Roberto Santos



A lei do Aviso Prévio agora é real. Ela é resultado de uma luta histórica do movimento sindical brasileiro, o projeto de lei 3.941 de 1989 foi aprovado no Senado naquele ano. Entretanto, ficou engavetado na Câmara dos Deputados até o dia 21 de setembro de 2011 quando foi aprovado pelos parlamentares. O projeto aumenta dos atuais 30 dias para até 90 dias o aviso prévio que o empregador deve conceder ao trabalhador no caso de demissão. Nessa terça, 11 de outubro de 2011, foi sancionado, sem vetos, pela Presidenta Dilma e entrará em vigor na quinta 13 de outubro com a consequente publicação no Diário Oficial da União.

A nova lei regulamenta o disposto no inciso XXI do art. 7º da Constituição Federal de 1988 que dispõe sobre o aviso prévio proporcional ao tempo de serviço do trabalhador. Pelo texto constitucional, o aviso prévio deve ser pago ao trabalhador, em caso de demissão, proporcional ao tempo de serviço, sendo garantido o mínimo de trinta dias. O grande problema é que os patrões nunca pagaram a mais, o pagamento foi sempre o mínino. A lei do Aviso Prévio vem no sentido de regulamentar à matéria e corrigir essa dívida histórica do Estado brasileiro com os trabalhadores que constroem a riqueza do país.

De acordo com o texto, para os trabalhadores que tiverem até um ano de trabalho na mesma empresa, o aviso prévio será de 30 dias. A esse período, deverão ser acrescentados três dias para cada ano de serviço prestado na mesma empresa, limitados a 60 (equivalente a 20 anos de trabalho). Isso significa que o trabalhador com 20 anos de trabalho na mesma empresa, caso demitido, tem direito a 90 dias de aviso prévio (30 dias referente aos 12 primeiros meses mais 60 dos outros 20 anos de trabalho). Portanto, a nova lei determina que seja mantido o prazo atual mínimo de 30 dias de aviso prévio, com o acréscimo de três dias por ano trabalhado, chegando ao limite máximo de 90 dias com 20 anos trabalhados na mesma empresa.

Segundo a Casa Civil da Presidência da República, a lei não é retroativa, ou seja, somente tem validade para os trabalhadores demitidos a partir de 13 de outubro de 2011, quando a lei será publicada. Entretanto, os trabalhadores que já estão no mercado de trabalho poderão usufruir desse benefício. Vale tanto para o trabalhador que for demitido como para aquele que pedir demissão. Assim, o novo prazo de aviso prévio vale para demissões que ocorrerem a partir da publicação da lei no DO e não retroage para quem pediu demissão ou foi demitido antes da vigência da nova regra, nem mesmo para quem estiver cumprindo aviso prévio quando a norma for publicada.

Entretanto, nada impede que os trabalhadores que já foram demitidos antes do dia 13 de outubro entrem na Justiça pedindo a aplicação da lei. A Justiça do Trabalho permite reclamações em até dois anos após a dispensa. Portanto, os trabalhadores demitidos com um prazo de até 02 da publicação da lei poderão acionar a Justiça do Trabalho para valer seus direitos.

Vale ressaltar que o Projeto de Lei do Aviso Prévio somente entrou na pauta de votações da Câmara dos Deputados, depois de 22 anos engavetado, após pressão do Judiciário, que ameaçou legislar no lugar do Congresso. Com o temor que isso ocorresse, os parlamentares entraram em acordo com empresários e centrais sindicais em torno da proposta. No fim de junho, o STF (Supremo Tribunal Federal) já havia decidido que essa indenização deveria ser proporcional ao tempo de serviço. A decisão do Supremo, provocada pelo questionamento de quatro trabalhadores da Empresa de mineração Vale, foi tomada com base no inciso XXI do artigo 7º da Constituição. Portanto, ainda não é possível saber se a entrada em vigor desta nova lei irá extinguir a discussão pelo Supremo.

Steve Jobs e as empresas Apple: iPad, iPhone, iPod, trabalho escravo e trabalho infantil

Escrito por sintese Ligado . Publicado em Roberto Santos

Morreu aos 56 anos de idade de Steve Jobs, fundador junto com robertoo amigo Steve Wozniak, de uma das empresas mais importantes das últimas décadas, a Apple. A morte de Jobs fez os meios de comunicações e as redes sociais encherem Jobs de elogios: visionário, gênio, comunicador e estudioso etc. Os produtos criados por Jobs mudaram a forma que as pessoas tinham de interagir com o mundo ao seu redor.

Na década de 1980 criou o Apple II, um computador pessoal realmente usável, simples, que não requeria conhecimento de eletrônica e informática. Além deste, como se já não fosse suficiente, inventou gadgets revolucionários como o iPad, o iPhone e o iPod. Cada um, à sua maneira, transformou o mercado, ditou tendências, criou nichos e necessidades. Sem falar em programas como o iTunes.

Essas inovações da empresa de Jobs o coloca como um dos maiores empresários da história. Em décadas ainda estaremos ouvindo falar dele, de como suas invenções foram revolucionárias, como transformaram o mundo. Sua genialidade e criatividade ainda serão pauta de livros de administração e os casos estudados em salas de aula mundo afora.

Entretanto, contraditoriamente as inovações tecnológicas da Apple, essa empresa mantém seus trabalhadores submetidos a jornadas de trabalho que lembram escravidão. Não são raros os suicídios na fábrica chinesa que produz estes caros e exclusivos gadgets. Reportagens abundam sobre as condições de vida e de trabalho desses funcionários, que, não raro, passam o dia em completo silêncio por falta do que falar. Sem vida cotidiana, sem assunto, sem conversa, sem interação com o colega. Quanta ironia! Os produtos que trouxeram mais interação são fabricados por aqueles que não têm um centímetro de vida social. Política da empresa, para aumentar a produtividade e, evidentemente, gerar mais lucros. Há dois anos, a companhia foi denunciada por manter operários trabalhando mais de 70 horas por semana.

A Apple, também, está sendo acusada por organizações que monitoram a exploração de trabalho infantil no mundo de explorar jovens com menos de 16 anos em pelo menos três fábricas que mantém na Ásia. As primeiras denúncias foram feitas pela China Labor Watch (CLW), uma organização com sede em Nova York que monitora o respeito aos direitos humanos na China. De acordo com a CLW, ao menos 62 trabalhadores adultos de uma integradora chinesa que fornece produtos para a Apple e Nokia foram flagrados trabalhando em condições desumanas e em ambiente rico em N-hexano, uma substância tóxica capaz, entre outras coisas, de causar degeneração muscular nos operários. De acordo com o jornal inglês Daily Telegraph, a Apple admitiu a ocorrência de trabalho infantil e pediu um relatório para identificar como isto ocorreu.

Na Ásia, a companhia mantém fábricas em Taiwan, China, Cingapura, Filipinas, Malásia e Tailândia. A empresa tem fábricas, também, na República Checa e Estados Unidos

Portanto, é preciso que os consumidores lembrem ao comprarem um produto da Apple dos milhares de trabalhadores asiáticos submetidos a jornadas de trabalho elevadas, baixos salários, negação de direitos trabalhistas e exploração de trabalho infantil praticados por essa empresa. Enquanto Steve Jobs é endeusado pelos meios de comunicações e políticos de todo mundo, esqueceram de falar da situação dos trabalhadores nas empresas Apple. Entretanto, parece que o importante é ter os iPhone e iPad ligados e funcionando... Assim é o capitalismo!

Reflexões sobre a agenda para a educação da “Terceira Via” do New Labour

Escrito por Roberto Silva Santos Ligado . Publicado em Roberto Santos

O texto dialoga sobre a política educacional na Inglaterra pensada a robertopartir da uma concepção ideológica chamada de Terceira Via do New Labour que tenta unir a direita para o social com a esquerda para o capital. Essa nova ideologia aparece através das políticas públicas de forma descontextualizada e compartimentadas sem procurar explorar como elas combinam-se no contexto social real. Assim, a concretude dessa ação acontece na combinação do envolvimento do setor privado nas ações que deveriam ser de responsabilidade do setor público. Essa política foi implementada no setor educacional inglês com sérias conseqüências para o sistema educacional, as escolas, os professores e os alunos.

Implementada no Governo de Tony Blair, a política do New Labour procurou combinar uma política de gestão empresarial nas escolas inglesas. Essa política caracterizou-se por:
• Os recursos são redistribuídos para as escolas com base na per capita e não de acordo com a necessidade das escolas. Esse procedimento é muito adotado no Brasil através da política de transferência de recursos diretos para as escolas (PDE, PDDE, PROFIN);
• Início do processo de privatização das escolas através do aumento das oportunidades de negócios na gestão das escolas. No Brasil esse processo cresce através do crescimento das empresas de consultorias que substitui o papel das Secretarias de Educação, através de seus técnicos;
• Houve uma intensificação das práticas de gestão empresarial nas escolas com monitoramento do desempenho das escolas e competição entre elas para redistribuição dos recursos. Essa é uma política defendida pelo ministério da educação do Brasil e que está crescendo em todo país, inclusive com a tentativa do Governo de Sergipe implantar através da metodologia chamada de índice Guia.
• Política educacional que defende a economização do currículo escolar, priorizando as aprendizagens ligadas ao trabalho. No Brasil essa modelo cresce através da política de educação à distância, empreendedorismo nas escolas que secundariza o conhecimento para exercício da cidadania.
• Introdução de um currículo da subserviência, chamado de “linguagem do currículo mais humanista”. Nessa reestruturação curricular enfatizam o bem-estar espiritual, moral e mental. No Brasil fica cada dia mais forte o discurso das escolas cuidarem desses temas de forma descontextualizadas em vezes do conhecimento sistematizado que, necessariamente, abordam, também, esses temas diante das demandas que surgem na sala de aula;
• Estabelece colaboração entre escolas. Em Sergipe os Centros Experimentais (consideradas escolas Charter), em tese, tem esse papel de mostrar para as outras que pode dá certo, basta acabar os direitos dos professores e fazê-los trabalhar além da carga horária;
• Introduziu a representação dos pais nas comissões escolares com responsabilidade da gestão da escola. Entretanto, quando as empresas têm interesses nas escolas, tendem a resistir as formas democráticas de tomada de decisões, agindo como se estes constrangessem a sua liberdade empresarial. No Brasil essa política de fortalecimento dos conselhos escolares tem crescido, entretanto sem concretização da gestão democrática. Os conselhos servem apenas para referendar as políticas estabelecidas pela Secretaria de Educação com orientações das empresas de consultorias;
• Financiamento adicional para os Centros de Excelências. Em Sergipe, os Centros experimentais (antigos centros de excelências) têm recursos além daqueles recebidos pelas outras escolas como forma de criar “ilhas” dentro do sistema educacional;
• Foi instituído a política dos exames nacionais de matemática, TCI - Tecnologia da Comunicação e da Informação e ciências para definição de um suposto índice de qualidade das escolas. Política parecida com o modelo estabelecido pelo MEC – Ministério da Educação de exames nacionais: ENEM, Prova Brasil, Provinha Brasil como elementos para definição de suposto índice de qualidade das escolas - IDEB e, agora, a certificação dos professores através de um exame nacional;
• Criação das escolas especializadas seletivas com introdução de novas especialidades em gestão de empresas, engenharia e ciências, assim como um novo estatuto para essas escolas e um currículo alinhado ao mercado com ênfase em competências e atitudes empresariais com ramos vocacionais para os jovens. Em Sergipe, os Centros Experimentais têm uma legislação própria onde os professores são obrigados a uma jornada de trabalho elevada e obrigados a trabalharem empreendedorismo como parte do currículo escolar, numa preparação dos alunos para subserviência ao trabalho e a exploração;
• Foi estabelecido um maior envolvimento do setor privado na gestão das escolas. Os centros experimentais em Sergipe são geridos por um conselho gestor compostos por integrantes das empresas que financiam as escolas chamadas de “excelência”;
• Maior liberdade para as escolas estabelecerem os salários dos professores. Os centros experimentais os professores, direção e funcionários têm uma gratificação de 100% do vencimento, a mais que os demais professores, apenas pelo fato de estarem ensinando nessas escolas;

Essa política do New Labour visa transformar as escolas em extensão da gestão empresarial e atribui escalas de desempenho dos professores, da direção e das escolas. Para tanto, implementam ampliação da carga horária docente e repasse de vultosos recursos para as consultorias privadas para que avaliem os professores. O dinheiro que poderiam ser investidos na melhoria das condições das escolas e nos salários dos professores, são gastos em consultorias milionárias.

Outra grave questão é o aumento da carga horária dos professores em decorrência das exigências burocráticas, ou seja, preenchimento de formulários e não para pensar a prática pedagógica, formação continuada ou em projetos pedagógicos com seus alunos. A política New Labour está gerando uma deterioração nas relações sociais da educação. Isso se dá em função da tecnicização e rotinização do trabalho dos professores com sérias implicações na saúde emocional. Os professores reclamam das sobrecargas de reuniões para cumprir exigências do mercado e do governo com um declínio da sociabilidade da vida na escola secundarizando o debate curricular e menos tempo para o convívio informal e entre o pessoal. Assim, os educadores têm que se preocupar com aspectos administrativos e técnicos, ficando sua participação nas tomadas de decisões, bem como sua autonomia pedagógica seriamente limitada.

Ainda, nessa política educacional inglesa, há um processo de competição entre as escolas através dos resultados dos exames. Além do sistema de premiação através do desempenho individual dos professores, desconsiderando a importância do trabalho interdisciplinar. A briga pelo melhor resultado nos exames estão transformando as escolas inglesas em ensino para preparar os alunos para fazerem exames, sem qualquer preocupação com a qualidade do ensino e/ou estímulo a criatividade dos alunos.

A ditas “escolas de excelências” são pensadas com mais aporte de recursos e infra-estrutura para atender uma pequena parcela da população, de modo que mascare a realidade. Assim cria o discurso de que o ensino deficiência é apenas culpa dos professores e das direções escolares que “não estão trabalhando”. Já as escolas onde estudam crianças da classe trabalhadora as condições estruturais são precárias, pois e necessário que haja o discurso das consultorias que é necessário fazer mais na linha da completa privatização do sistema.

O processo de patrocínio privado das escolas gera sérios riscos para a comercialização do currículo. Isso significa que são as empresas que produzem as famosas cartilhas/apostilhas para serem vendidas aos sistemas de ensino. Assim, o patrocínio das empresas visa, também, a construção da “consciência de marcas”. Nessa linha, o setor público ainda continua a financiar as escolas, mas é a iniciativa privada quem vai geri-las administrativamente, bem como os materiais pedagógicos (cartilhas/apostilhas).

Entretanto, tem havido resistência dos sindicatos a mais privatizações. Essa resistência tem gerado resistência, também, dos professores. Essa resistência tem sido de três maneiras:
1. O abandono da profissão com elevados números de pedido de exoneração, gerando uma série crise de falta de professores para preenchimento das vagas;
2. Os professores cumprem as exigências da política do New Labour , mesmo sabendo que não são para melhoria da aprendizagem dos estudantes, mas apenas para que as escolas tenham recursos para garantir qualidade razoável, mesmo sabendo que as escolas especializadas com patrocínio das empresas e estatutos próprios geram desigualdade de financiamento e condições de acesso diferenciadas;
3. Apesar da pressão para estreitamento curricular, há os professores que continuam trabalhando currículos escolares e políticas baseadas numa ampla, humanista e progressista visão de educação. Esse processo visa envolver os estudantes no processo de tomada de decisão nas escolas e curricular que priorize o ensino crítico.

O texto pode ser lido, na integra no link abaixo. Estudá-lo é importante para que possamos entender a política educacional brasileira, pensada numa concepção ideológica chamada de “Terceira Via”. Somente assim poderemos entender o porquê o Governo Déda está tentando impor em Sergipe uma política de privatização do ensino público Sergipe através da avaliação de desempenho fundamentada no Índice Guia.

http://www.curriculosemfronteiras.org/vol2iss1articles/gewirtzconf.pdf

Resistir é preciso! e nossa vida é lutar contra essas políticas que tentam tratar os professores como culpados pelos problemas existentes no ensino pública, com claras intenções de, no futuro, privatizar o ensino público brasileiro e sergipano.

Chile: Greve geral dos estudantes e privatização da educação

Escrito por sintese Ligado . Publicado em Roberto Santos

Marchas com milhares de pessoas pelas ruas de Santiago, capital robertosantosdo Chile, essa é a realidade do país nos últimos meses. Os movimentos estão sendo convocados pela Central Unitária de Trabalhadores (CUT) e movimento estudantil. Esse cenário de grandes manifestações começou com as ocupações e greves em colégios e universidades. Os movimentos têm como principal bandeira de luta uma reforma estrutural no modelo educacional vigente no país há mais de 30 anos, implementado no governo do ditador, aliado dos Estados Unidos, Augusto Pinochet.

O governo ditatorial de Pinochet é responsável por prisões, torturas, desaparecimentos e mortes de 40.018 chilenos. A ditadura no Chile iniciou em 11 de setembro de 1973 quando o governo de presidente Salvador Allende de esquerda e Unidade Popular foi deposto por um golpe militar comandado pelo general/ditador Augusto Pinochet. Começava ali um dos períodos mais sangrento da história chilena, uma ditadura que duraria até 1990. Entre o fatídico dia do golpe até o dia 7 de novembro daquele ano, estimam-se entre 12 e 40 mil os presos políticos detidos no Estádio Nacional de Santiago, muitos assassinados a sangue frio pelas forças armadas. Além de impor o terror no Chile, o país será o laboratório do neoliberalismo no mundo. Assim, todos os serviços públicos foram privatizados, isto é, entregue as empresas multinacionais estadunidenses que passam a ter o completo controle da economia chilena.

Esse modelo neoliberal está gerando um apartheid social no país, e na educação não é diferente. A luta em defesa da educação pública e gratuita iniciada no Chile nos últimos meses destaca-se pelo amplo apoio da população. Além de marchas que reúne 200 mil pessoas, as escolas e universidades privatizadas estão tomadas pelos estudantes. A luta pela educação pública e gratuita transformou-se na principal luta política no Chile e resistência ao modelo neoliberal.

A educação, saúde, saneamento, segurança, habitação, transporte e outros direitos sociais estão todos privatizados (entregues) para as empresas multinacionais que lucram alto. A legislação neoliberal de Pinochet legitimou a educação superior e secundária de mercado. Atualmente as famílias chilenas são responsáveis por financia a educação superior de seus filhos. Nas universidades, chamadas de “públicas”, os alunos pagam taxas de matrícula e as mensalidades custam mais que um salário mínimo. A mensalidade de curso superior no Chile pode chegar a 300 mil pesos chilenos mensalmente, enquanto o salário mínimo no Chile é 182 mil pesos.

Atualmente, mais de 100 mil estudantes encontram-se em situação de inadimplência, com uma dívida média de 2.700.000 milhões de pesos chilenos. Em um país em que mais de um milhão de pessoas recebe por mês salário mínimo, é perfeitamente possível entender porque os mais pobres ficam fora da universidade.

O desenvolvimento das chamadas universidades-empresa, privatizada, funcionam por meio de direções privadas que não asseguram a adequada informação de qualidade e transparência. Nelas, a gestão da educação obedece à lógica do baixo custo: professores com baixos salários e com avaliação de desempenho para que sejam identificados como culpados pelo caos no ensino, chamado de “público” e falta de material acadêmico. Entretanto, as mensalidades pagam, obrigatoriamente, pelas famílias, são elevadas, mesmo o Estado chileno garantindo recursos para funcionamento desses estabelecimentos escolares.

Quanto à situação do ensino secundário é muito parecido com o ensino superior. O financiamento dos colégios “públicos” é realizado pelas empresas, gerando uma desigualdade profunda de acesso a educação. A melhor educação está nos colégios privados onde os filhos das elites estudam situação que garantirá o acesso desses estudantes, as universidades. Já os alunos pobres convivem com o sucateamento das escolas “públicas”, supostamente financiadas pela iniciativa privada, realidade que impede o ingresso dos estudantes de baixa renda ao ensino superior.

Nas manifestações participaram alunos, professores, trabalhadores públicos e representantes de sindicatos empresariais que aumentaram sua solidariedade com os estudantes, após a feroz repressão do governo de Sebastian Piñera durante os protestos. Milhares de jovens foram detidos durante as manifestações, devido à estratégia das autoridades de não autorizar a marcha para aumentar a raiva e criminalizar o movimento social. Os movimentos pretendem mudar a Constituição Política de 1980, elaborada pelos mesmos personagens que agora governam junto com Sebastian Piñera, o multimilionário presidente do Chile

O irmão do atual presidente José Piñera é o formulador da legislação atual em matéria trabalhista, mineira e previdenciária durante o governo do ditador Pinochet. A mobilização dos trabalhadores pretende mudar justamente o panorama deixado pelo primogênito dos Piñera, cujo modelo de sociedade enfrenta a resistência dos chilenos que apóiam o movimento dos trabalhadores e estudantes que defendem o fim do lucro na educação pública para que esta seja gratuita.

A resposta do governo à greve foi a de sempre: deslegitimar os movimentos sociais, assinalando que a greve custará cerca de US$ 400 milhões à economia local. Se consideramos a má distribuição de renda no país, onde 94% da população recebe apenas 6% da riqueza, isso demonstra que o povo chileno já vem perdendo, há muito tempo, com falta de educação, saúde, saneamento, segurança, habitação e transporte público.