Açude da Marcela em Itabaiana: uma questão ambiental e de saúde pública

Escrito por Roberto Santos Ligado . Publicado em Roberto Santos


Mais uma vez a sociedade sergipana é informada da mortandade de milhares de peixes no Açude da Marcela situado no município de Itabaiana. O Açude tem uma capacidade de armazenamento de 2.710.000m3 e foi projetado para fornecer água de irrigação para 156 hectares. A água do açude apresenta qualidade imprópria para irrigação em função dos despejos agrícola (agrotóxico) e esgotos domésticos e industriais descartados no reservatório.

A notícia de grande quantidade de peixes mortos não é nova, ano após anos o noticiário é o mesmo, deixando pescadores sem trabalho e a sociedade que consumem os peixes daquele reservatório numa situação difícil: como consumir alimento de um lugar que anualmente milhares de peixes morrem resultado da poluição existente? Segundo noticiário local, pelo menos quarenta homens tiravam o sustento da família praticando a pesca comercial no açude. Mas e as pessoas que consumem esses peixes como fica a saúde delas? E os órgãos ambientais como vêem essa situação?

Segundo explicação da imprensa, a morte dos peixes que já se encontrava em estado de decomposição tem relação com a chuva de verão que caíram no Estado nos últimos dias. A imprensa do município informando sobre o desastre reproduziu uma frase do pescador Leno: "Todo ano é assim, basta chover neste período, para provocar o desastre. Lamentavelmente os peixes são acometidos por um mau inexplicável, proporcionando a morte de toda a população".

No último incidente de mortandade de peixes, como o atual, o açude da Marcela precisou de quatro meses para recuperar a fauna. No último dia primeiro de Fevereiro de 2011, agentes da ADEMA foram contactados para averiguar a situação. Enquanto isso os pescadores passam por dificuldades e a população fica sem respostas.

Entretanto, a situação do açude da Marcela em Itabaiana é resultado da inoperância dos órgãos ambientais que insistem em fechar os olhos para os reais problemas. Podemos aqui debater alguns elementos que entendo serem importantes para tentarmos esclarecer a situação degradante desse estratégico reservatório de água.

O uso excessivo de agrotóxicos lançados nos rios pela atividade agrícola existente próximo do açude pode ser um dos elementos em destaque. Todo veneno agrícola utilizado nas plantações agrícolas dos arredores da Marcela correm para essa área através dos rios ou do lençol freático. Vale registrar que a região do Açude é muito rica na produção de hortaliças (cheiro verde, alface, repolho, coentro, pimentão, cebolinha entro outros). Essas hortaliças abastecem o mercado itabaianense, bem como Aracaju e grande parte do Estado. Para produzir esses alimentos os produtores rurais utilizam as águas da Marcela, combinando com alta dosagem de agrotóxico. Essa combinação, não muito recomendável, gera uma boa aparência nos alimentos para os paladares urbanos.

Outro grave problema é o lançamento de esgotos domésticos nas águas do açude que vêm contribuindo para esses desastres ambientais. Grande parte dos esgotos domésticos produzidos na cidade de Itabaiana são conduzidos para o Açude da Marcela sem qualquer tratamento. As águas da Marcela têm um cheiro muito forte, resultado da inoperância dos gestores públicos (Prefeitura Municipal, Governo do Estado, ADEMA e IBAMA). No caso da Marcela podemos afirmar que temos um crime ambiental legalizado sendo cometido por quem deveria combater.

Os esgotos do matadouro de Itabaiana também correm para o açude. O mal cheiro provocado pelos dejetos do matadouro para quem passa pela rodovia estadual que liga Itabaiana ao povoado Candeias em Moita Bonita mostra bem a gravidade para as águas da Marcela recebendo aqueles dejetos.

Ainda podemos encontrar problemas nessas águas em função do lançamento de metais pesados jogados pelas indústrias que ali se instalaram. Segundo Genival Nunes Diretor presidente da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), "Estudos realizados identificaram altos índices de metais pesados (zinco) e de coliformes fecais.” Um dos graves problemas no lançamento de metais pesados são os dejetos lançados por curtumes. Em vez de produzir adubo para agricultura os dejetos são lançados inatura nas águas da Marcela. Mais um grave problema que mostra a situação difícil que esse importante reservatório de água sofre. Os metais pesados tem alto poder de contaminação da água e conseqüentemente dos peixes e dos alimentos que recebem as águas do açude.

A realidade do açude mostra que é preciso rever a política ambiental do Estado. É inaceitável que anos após anos possamos vivenciar os crimes ambientais sem qualquer ingerência dos gestores públicos para rever essa situação. Culpar a natureza é um instrumento para não querer resolver, de fato, o problema.

Índia: Conflito da Caxemira, Crescimento da Economia e da Desigualdade Social

Escrito por Roberto Santos Ligado . Publicado em Roberto Santos


A população da Índia é a 2ª maior do mundo, ficando atrás apenas da população chinesa. Atualmente a população já ultrapassa a casa de 1,2 bilhões de pessoas. Estimativas demográficas apontam que em 2035 a população chegue aos 1,5 bilhões de pessoas, ultrapassando a China que possui 1,3 bilhões de pessoas. Como a China possui uma política rigorosa de controle de natalidade, o crescimento da população chinesa hoje está estável

Entre os anos 1991 e 2001, data do último censo realizado no país, a população da Índia aumentou em 182 milhões de pessoas. Graças a inúmeras campanhas para o controle da natalidade, o índice de crescimento da população tem diminuído gradativamente. A taxa de mortalidade infantil na Índia é de 32 mortes a cada mil nascimentos. Cerca de 40% dos indianos são analfabetos. Entre as mulheres esse índice chega a 50% de analfabetas. Em 2001, de cada 1000 homens, o país possui 927 mulheres. Muitas famílias preferem ter filhos homens, pois eles podem contribuir economicamente para renda familiar. Já as mulheres os pais têm que pagar o dote para se casar e representa um peso econômico para as famílias pobres.

Alguns políticos defendem a adoção da política chinesa de imposição de planos de controle de natalidade. Na China cada casal só pode ter um filho. Para especialistas, caso isso aconteça poderá haver um desequilíbrio entre homens e mulheres ainda maior, já que a maioria das famílias preferem meninos.

Aproximadamente 70% da população ativa vivem no campo, e trabalham na agricultura. O restante da população é urbana, cerca de 30%. Apesar de a população urbana ser menor, as pessoas geralmente vivem concentradas em grandes cidades industrializadas que chegam a ter mais de um milhão de habitantes. As cidades mais populosas da Índia são: Bombaim (antiga Munbai), Délhi, Bangalore, Calcutá, Madrasta e Hiderabade. A expectativa de vida na Índia é de 69 anos (66 anos para os homens e 71 anos para as mulheres).

Historicamente, a sociedade indiana é composta por diferentes castas e línguas. As castas correspondem a camada social hereditária, cujos membros são da mesma raça, etnia, profissão ou religião e se casam entre si. O sistema de castas torna a sociedade estática, pois além do casamento, vestuários, hábitos alimentares e até a profissão são predeterminados para cada indivíduo que nasce em uma casta.

Quatro castas existiam originalmente:
• Brâmanes – nobres e religiosos.
• Xatrias – guerreiros.
• Vaixias – comerciantes e camponeses.
• Sudras – escravos.

As pessoas que não pertencem a uma dessas castas eram chamados de Párias, aos quais eram reservados os piores trabalhos que existiam. Os descendentes de Párias e Sudras correspondem a maior parcela da população. Essa divisão religiosa acaba, também, se estabelecendo na divisão da sociedade economicamente. A Índia é um país que possui uma das maiores desigualdade social do mundo. Entretanto, a desigualdade social elevada é resultado do modelo de desenvolvimento estabelecido no país.

Por ser um país em desenvolvimento (Emergente), a Índia recebeu grande quantidade de multinacionais a partir da década de 1960, em pleno conflito da Guerra Fria. O modelo de desenvolvimento econômico e social implementado nesse período no mundo capitalista foi diferenciado: Nos países desenvolvidos ou de 1º mundo foi adotado uma ação conjugada de desenvolvimento econômico com qualidade de vida (estado de bem estar social). Nessas nações pudemos assistir um nível de vida da população bastante satisfatório. Esse modelo de desenvolvimento financiado pelos Estados Unidos e seus aliados precisava mostrar para o mundo socialista que no capitalismo também era possível ter qualidade de vida.

Já nos países subdesenvolvidos ou de 3º mundo foi adotado outro modelo de desenvolvimento centrado apenas na exploração das riquezas pelas multinacionais das nações desenvolvidas capitalistas. Como nessas áreas não era possível garantir qualidade de vida para toda população, pois esse não é o objetivo do capitalismo, estabeleceu-se o financiamento de Ditaduras Militares. O apoio financeiro e militar aos Governos autoritários das nações subdesenvolvidas capitalistas gerou um processo de prisões, torturas, estupros e desaparecimento que resultou num dos maiores extermínio da história da população mundial.

Nesse contexto, também estabeleceu um processo de desenvolvimento econômico financiado pelas nações desenvolvidas (multinacionais) sem haver desenvolvimento social. Assim, podemos caracterizar a desigualdade social na Índia não como uma questão religiosa, mas como uma questão econômica do capitalismo que objetiva apenas o lucro. Para lucrar mais se buscou as nações subdesenvolvidas que possui mão-de-obra barata, poucos direitos trabalhistas, matéria prima e fontes de energia abundantes, inserção de impostos e permissão para destruição o meio ambiente sem qualquer tipo de punição.

Apesar do sistema de castas ter acabado oficialmente em extinta na constituição em 1949, com o passar dos séculos, houve inúmeras subdivisões, que deram origens a novas castas, ou tribos. Atualmente, existem cerca de 336 tribos (ou castas) que falam 325 línguas diferentes, existindo ainda aproximadamente 1652 dialetos espalhados por todo o país. Cerca de 30% da população falam a língua hindu, embora essa seja apenas uma das 18 línguas oficiais da Índia. A organização social e política da Índia, portanto, sofre forte influência das castas e da religião, pois o sistema de castas é a base do hinduísmo, religião de mais de 80% da população.

A Índia é considerada a 10º maior economia do mundo. O PIB do país, em 2007, chegou à casa dos U$800 bilhões, com um crescimento de 8% em relação ao ano anterior. A economia indiana é a 2ª que mais cresce no mundo. Contudo, a desigualdade social no país, ao invés de diminuir, aumenta cada vez mais. O PIB per capita da população indiana, em 2007, foi de U$2,700.

O principal responsável pelo crescimento econômico na Índia é o setor de serviços, embora seja o setor agrícola o responsável por 3 em cada 5 empregos no país. Os produtos agrícolas mais comuns são: arroz, trigo, algodão, chá, cana-de-açúcar, juta, sementes oleaginosas, especiarias, legumes e verduras. As criações de aves, cabras, ovelhas, búfalos e peixes também são bem comuns na Índia. O principal produto de mineração é o minério de ferro, embora sejam explorados também: carvão, diamante, cromita e asfalto natural.

O setor industrial na Índia está cada vez mais diversificado. As áreas que mais se desenvolvem são as seguintes: aço, equipamentos e máquinas, cimento, alumínio, fertilizantes, têxteis, juta, biotecnologia, produtos químicos, softwares e medicamentos. A indústria cinematográfica da Índia merece destaque. O país é o que mais produz filmes anualmente. A indústria cinematográfica do país é chamada de Bollywood, em referência a cidade de Bombaím, (antiga Mumbai) e a Hollywood (berço da indústria cinematográfica norte-americana). O nome utilizado não faz jus a todas as produções de cinema da Índia, pois nem todos os filmes são produzidos em Bombaím.
Índia e Paquistão têm ultimamente se enfrentado num conflito pelo controle da Caxemira. Os dois países foram ex-colônias britânicas. Em 1947 conseguiram independência. Os ingleses repartiram a região de acordo com a religião das maiorias: Índia e Sri Lanka de religião Hindu; Paquistão e Bangladesh de religião mulçumana e Nepal e Butão de religião budista. Assim surgiu a Índia, de maioria hindu, e o Paquistão, de maioria muçulmana.

Entretanto, o controle sobre a região da Caxemira foi causa de duas das três guerras (1948-1949, 1965 e 1971) já travadas entre Índia e Paquistão desde 1947 ano em que ambos os países se tornaram independentes do Reino Unido. A Caxemira é uma região montanhosa ao norte dos dois países. Grande parte da população da região é muçulmana e quer a anexação ao Paquistão, que a Índia nega. Atualmente, dois terços do território estão sob domínio indiano e o restante sob controle do Paquistão e da China.

O Paquistão reivindica o controle total da Caxemira sob o argumento de que lá vive uma população de maioria mulçumana, mesma do país. Entretanto, além de ser uma região estratégica para Índia em função da fronteira com a China não possui abundantes recursos minerais ou reservas importantes de petróleo. A principal atividade econômica é a agricultura de subsistência – 80% da população é camponesa. No que diz respeito à indústria, a Caxemira é muito incipiente – as indústrias mais importantes são as de transformação (tecidos, alimentos, bebidas), em geral controladas pelo Estado (Índia, Paquistão ou China) e voltadas para o mercado interno, de baixo nível de renda, surgindo assim o motivo da pouca envergadura da indústria na região. A região, no entanto, por sua posição geográfica peculiar e pelas características dos países que disputam seu controle possui um significado geopolítico inegável. Ademais, 4 dos 5 rios do Paquistão têm origem no Vale de Caxemira – esse fato alimenta as reivindicações paquistanesas de forma constante.

Os enfrentamentos costumam se intensificar nos meses de verão. Nessa época, com o derretimento da neve em porções da cordilheira do Himalaia, os separatistas mulçumanos têm mais facilidade para se infiltrar na Caxemira indiana, vindos de solo paquistanês. Nas lutas entre os grupos que envolvem os dois Exércitos e guerrilheiros pró-Paquistão, mais de 30 mil pessoas já morreram. Segundo o governo indiano, esses grupos recebem o apoio financeiro do Paquistão, que diz apenas ampará-los politicamente.

A rivalidade levou a uma corrida armamentista que culminou com a entrada de Índia e Paquistão, em 1998, no clube dos países detentores de armas nucleares. Ambos desenvolveram ao máximo sua infra-estrutura militar. Desde então, as hostilidades na Caxemira passaram a ser acompanhadas com mais atenção pela comunidade internacional. Vale ressaltar que uma guerra nuclear entre as duas nações poderia exterminar mais de metade da população mundial. A região possui a maior concentração populacional do mundo, somente China e Índia possuem juntos 2,5 bilhões de pessoas.

Acesso gratuito a Internet: projeto Aracaju Digital o Bugio será o 1º bairro

Escrito por Roberto Santos Ligado . Publicado em Roberto Santos


O anúncio do projeto AracajuDigital pela Prefeitura de Aracaju merece nosso completo apoio. É o Estado brasileiro garantido ao povo o acesso gratuito de um instrumento de comunicação extremamente necessário nos dias atuais. A capital sergipana já conta com o primeiro ponto de acesso livre à internet localizado no Parque Augusto Franco (Sementeira) com uma área de acesso que abrange um raio de 200 a 300 metros a partir da torre de comunicação da Guarda Municipal, onde foi instalada a antena transmissora do sinal Wi-Fi (conexão sem fio com a internet). Com velocidade de um mega, a rede possui o nome de ‘AracajuDigital' e pode ser acessada sem senha.

Segunda a Prefeitura em breve o projeto será estendido para os outros bairros. O Bugio será a próxima localidade contemplada seguido por uma praça no Centro da cidade que ainda não está definida e o calçadão do bairro 13 de Julho que terão também redes Wi-Fi. Segundo Prefeito Edivaldo Nogueira, a prefeitura pretende cobrir 30% da cidade com internet gratuita até 2012. A rede pode ser acessada por aparelhos celulares, notebooks, netbooks e por tablet PCs (dispositivos em formato de prancheta), equipados com sistema Wi-Fi.

Essa política adotada pela Prefeitura de Aracaju de levar à população o acesso gratuito a internet garante novas formas de comunicação para a sociedade. Atualmente temos, através da internet, formas de comunicações instantâneas importantes como: o MSN, o telefone pela internet, o email, as redes sociais como o Orkut, Facebook, Twitter entre outras que são ferramentas baseadas de internet que possibilitaram uma verdadeira revolução na forma como comunicamos com outras pessoas.

Este é um ponto muito positivo por tornar as pessoas mais próximas. Mas há um lado negativo que é a exclusão digital, ou seja, muitas pessoas estão sem acesso à internet pelo fato de ser caro o serviço e do ponto de vista tecnológico elas estão excluídas digitalmente. Essa atitude da Prefeitura de Aracaju vem no sentido de superação desse problema que atinge a maioria da população. Entendemos, porém que esse projeto deve ser estendido a 100% da cidade. Assim a população não precisará pagar para ter acesso ao bem básico para a vida das pessoas.

A descentralização da informação, da cultura e da educação são pontos que refletem bem a importância da internet na sociedade, pois com a internet, a informação, cultura e educação deixaram de ser privilégio de alguns apenas. Livros gratuitos na internet, blogs dos mais variados assuntos, serviços de mapas, passeios virtuais que permitem conhecer diversas cidades, bibliotecas, baixar músicas e filmes entre serviços.

A importância da internet na sociedade também pode ser atribuída a inúmeras oportunidades que podem ser exploradas pela internet. Oportunidades como conhecer lugares virtualmente, trabalhar pela internet, conhecer empresas e pessoas, entre outras.

Com certeza a revolução da tecnologia e o acesso a internet trouxe grandes mudanças sociais e culturais, provocando transformações com grande velocidade no mundo todo. Pode ler diariamente as notícias do Estado, do Brasil e do mundo, saber os fatos importantes que envolvem a nossa sociedade, interar dos grandes acontecimentos, desde aqueles que acontecem na cidade como aqueles que ocorrem em qualquer outra parte do planeta. Pode fazer pesquisas sobre os mais variados assuntos, aprender coisas novas, conhecer diversos lugares sem ao menos levantar-me da cadeira. Pode fazer compras sem sair de casa e ainda se comunicar através de emails, mensagens, comunidades, blogs com qualquer pessoa do meu círculo social ou não. Parabéns a Prefeitura de Aracaju por essa iniciativa.


Com informações do emsergipe.com

Indústria da Seca e o uso da Seca no Nordeste

Escrito por Caroline Santos Ligado . Publicado em Roberto Santos


A falta de chuva levou 11 municípios sergipanos, no fim de 2010 e início de 2011, a decretarem situação de emergência em Sergipe, até esta quarta-feira 05 de Janeiro de 2011. A Defesa Civil do Estado informa que em algumas regiões do Estado não chove desde setembro de 2010. A estimativa é de que quase 75 mil pessoas estão sofrendo pela estiagem. Em alguns municípios afetados com a falta de chuva já houve até perda de animais, de safra e diminuição na produção de leite por causa da seca.

Para amenizar os efeitos da seca em Sergipe, a Defesa Civil está atuando na distribuição de cestas básicas para as famílias prejudicadas pela estiagem, e está realizando em parceria com o governo do Estado, a Operação Pipa, para a distribuição de água nos povoados afetados. Já foram distribuídas mais de 6 mil cestas básicas e são usados 95 caminhões-pipa.

Estão em situação de emergência decretada os municípios de Gararu, Nossa Senhora da Glória, Monte Alegre de Sergipe, Poço Redondo, Porto da Folha, Canindé de São Francisco, Frei Paulo, Itabi, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora de Aparecida e Poço Verde.

Segundo informações da Seides-Secretaria de Estado da Inclusão Social, o Governo já realizou entrega de cestas de alimentos para os municípios que decretaram situação de emergência no período de estiagem. O município de Canindé de São Francisco recebeu 1.200 cestas, Monte Alegre 1.300 e Nossa Senhora da Glória 1.100. Os outros municípios somarão mais de 6.800 cestas básicas. No ano de 2009 o Estado teve 12 municípios que decretaram estado de emergência em função da seca.

Além da distribuição de cestas básicas, a distribuição da água através da Defesa Civil é importante, já que muitos sertanejos não têm condições de comprá-la, pois custa em média R$ 80,00 a carrada de um Caminhão-Pipa.

O processo de desmatamento da caatinga está provocando mudança no clima semiárido, predominante no sertão nordestino, que fica cada vez mais seco, a temperatura máxima da região tem apresentado aumento significativo e essas áreas sofrem com chuvas intensas no período chuvoso com sérias conseqüências para a região. Entretanto, os intervalos com período seco é maior. Outra mudança, resultado do extrativismo, do desmatamento desordenado, das queimadas e do uso intensivo do solo na agricultura é o aumento da desertificação.

De acordo com o PAN (Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca, ligado Ministério do Meio Ambiente), 1.482 municípios estão em área suscetível à desertificação em nove Estados (Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e norte de Minas Gerais). Essa área responde por 15,7% do território brasileiro, onde moram 31,6 milhões de pessoas.

Para diminuir o avanço da desertificação são necessários medidas como conservação do solo, da água e das florestas, ações para evitar o desmatamento, as queimadas, o uso de agrotóxicos, e a sensibilização da população, principalmente das comunidades rurais.

Em outros casos, quando as chuvas são suficientes apenas para cobrir de folhas a caatinga e acumular um pouco de água nos barreiros e açudes, mas não permitem o desenvolvimento normal dos plantios agrícolas, dá-se a seca verde. Essas variações climáticas prejudicam o crescimento das plantações e acabam provocando um sério problema social, uma vez que expressivo contingente de pessoas que habita a região vive, verdadeiramente, em situação de extrema pobreza.

A seca é o resultado da interação de vários fatores, alguns externos à região (como o processo de circulação dos ventos e as correntes marinhas, que se relacionam com o movimento atmosférico, impedindo a formação de chuvas em determinados locais), e de outros internos (como a vegetação pouco robusta, a topografia e a alta refletividade do solo). O fenômeno do "El Niño", também contribui pois consiste no aumento da temperatura das águas do Oceano Pacífico, ao largo do litoral do Peru e do Equador e interfere na circulação das massas de ar frias que provoca chuvas no Nordeste. A ação do homem também tem contribuído para agravar a questão, pois a constante destruição da vegetação natural por meio de queimadas acarreta a expansão do clima semi-árido para áreas onde anteriormente ele não existia.

Entretanto, as regiões semi-áridas e áridas do mundo são aproveitadas pela agricultura, por meio do desenvolvimento de culturas secas ou culturas irrigáveis, como acontece nos Estados Unidos, Israel, México, Peru, Chile ou Senegal. Portanto, o Nordeste brasileiro podear ser utilizado, também, para as culturas agrícolas irrigadas, mas por que não é?

A seca é um fenômeno natural que se manifesta de forma perversa e oportunista na medida que é utilizada para interesses políticos, provocando a manutenção da pobreza e da miséria na região. Portanto a seca é usada para provocar a destruição da natureza, a poluição dos rios e a exploração por parte os grandes proprietários, altos comerciantes e políticos conhecidos como “coronéis” dos recursos destinados ao combate à pobreza da região. Esse fenômeno é denominado de "indústria da seca".

A questão da seca não se resume na falta de água. A rigor, não falta água no Nordeste. Faltam soluções para resolver a sua má distribuição e as dificuldades de seu aproveitamento. É necessário, para os governantes, eliminar a idéia de que a seca, sendo um fenômeno natural, é responsável pela fome e pela miséria que dominam na região. O problema, na verdade é a “indústria da seca”.

Os grandes latifundiários nordestinos, valendo-se de seus aliados políticos, interferem nas decisões tomadas, em escala federal, estadual e municipal. Beneficiam-se dos investimentos realizados e dos créditos bancários concedidos. Não raro aplicam os financiamentos obtidos em outros setores que não para ajudar a população pobre, e aproveitam-se da divulgação dramática das secas pelos meios de comunicações para conseguirem muito recursos. Os grupos dominantes têm saído fortalecidos, enquanto é protelada a busca de soluções para os problemas sociais e de oferta de trabalho às populações pobres. Os trabalhadores sem terra (assalariados, parceiros, arrendatários, ocupantes) são os mais vulneráveis à seca. Esses mesmos trabalhadores acabam mantendo no poder as mesmas pessoas que concederam algum tipo de ajuda quando necessitavam (cestas básicas e água de caminhões pipas, por exemplo).

A tragédia da seca encobre interesses escusos daqueles que têm influência política ou são economicamente poderosos, que procuram eternizar o problema e impedir que ações eficazes sejam adotadas. A questão da seca provocou diversas ações de governo. As primeiras iniciativas para se lidar com a questão da seca foram direcionadas para oferecer água à zona do semi-árido. Nessa ótica foi criada a Inspetoria de Obras Contra as Secas (Decreto n°-7.619, de 21 de outubro de 1909), atual Dnocs, com a finalidade de centralizar e unificar a direção dos serviços, visando à execução de um plano de combate aos efeitos das irregularidades climáticas. Desde lá muitos recursos já foram, teoricamente, investidos na Região Nordeste mas pouco, de eficaz, foi feito para sanar, de vez os efeitos da seca no Nordeste brasileiro.

Hospitais particulares, atendimento pediátrico e a lógica perversa do capitalismo

Escrito por Roberto Santos Ligado . Publicado em Roberto Santos

Os hospitais Primavera e Renascença continuam sem atender as crianças, mesmo robertosantosem casos de emergência. A decisão da Justiça federal dando prazo para reabrirem a Pediatria até 31 de Dezembro 2010 não foi cumprida pelos hospitais. Por enquanto, a única punição determinada pela Justiça foi multar os hospitais Primavera e Renascença, em R$ 10 mil, por dia caso descumpram a decisão. O hospital São Lucas também fechou as portas para as crianças, mesmo com seus pais pagando.

Os hospitais decidiram fechar a Pediatria alegando que não tem pediatras suficientes no Estado. Já a presidente da Sociedade Sergipana de Pediatria Glória Tereza, se mostrou preocupada com a situação e reforça que existem profissionais suficientes para o atendimento nos hospitais. Segundo Glória, faltam melhores condições de trabalho e salário para que esses profissionais continuem na pediatria dizem que os principais problemas são, a baixa remuneração e a falta de UTI. Juntos esses hospitais atendiam em média, cerca de quatro mil crianças por mês.

Em Sergipe, dos hospitais privados apenas o hospital da Unimed atende as crianças. A rede pública está sobrecarregada, só o Hospital João Alves o atendimento no setor da pediatria cresceu 70% em dezembro 2010. Uma realidade que precisa ser alterada imediatamente.

Na última segunda 03 de Janeiro de 2011, a Advocacia Geral da União entrou com um pedido na Justiça para que os diretores dos hospitais particulares também sejam multados. Nesta quarta, dia 05 a decisão proferida pelo juiz substituto da 2ª Vara Federal, Fernando Stefanio, o Hospital Renascença foi multado em R$30 mil diário para o Hospital Renascença caso não reabra a pediatria em 48h. Já o hospital Primavera a decisão ainda não saiu, mas esperamos que seja feito algo imediatamente.

Talvez a intervenção do Estado seja a solução para resolver o problema. Se a rede hospitalar privada está dando prejuízo, é o Estado quem deve assumir a responsabilidade para que a população não seja punida, isto é, nossas crianças. Como o Estado não visa garantir o lucro e os donos dos hospitais estão visando apenas isso, sem qualquer preocupação com a vida das pessoas, o Estado deve intervir nessas unidades hospitalares urgentemente.

Os serviços essenciais são concessões públicas. O descumprimento desses serviços significa descumprimento de contrato, portanto passível de intervenção. A lógica que é posta para a sociedade atual de dominação capitalista merece nossa especial atenção. O capital está transformando serviços essenciais (educação, saúde, segurança, lazer) em lucro. Entretanto, quando esses serviços não garantem os lucros esperados a população é quem sofre, pois acabam suspendendo o atendimento inesperadamente como aconteceu em Sergipe.

Com para as elites brasileiras, tudo funciona apenas para visar o lucro e a saúde é mais um elemento desse negócio. Entretanto, se uma ação irresponsável como essa coloca em risco a vida de centenas de pessoas, isso não importa. O lucro é o centro de tudo. No caso de Sergipe, mesmo pagando a população não pode utilizar os serviços. O luxo e a riqueza nos hospitais-palácios não são suficientes para ter um bom atendimento.

O patrono dos médicos o evangelista São Lucas com certeza não está abençoando situação dessa ordem. E não é só na medicina que o modelo capitalista avançou, o imperialismo transformou o gentil São Lucas em São Lucros. A verdadeira revolução que o homem pode fazer é pensar, e pensar é saúde. A perversidade do modelo capitalista vai no sentido contrário. Visa apenas excluir, adoecer; extorquir, torturar... E, se ainda o resultado for ineficiente, arma-se uma guerra. Assim, o lucro será maior ainda.

Para os capitalistas, saúde em qualquer lugar é o mesmo que doença e é a doença das pessoas deve ser explorada para lucrar. Entretanto, o conceito de saúde deve mais amplo. Devemos compreender a saúde através de um conjunto de ações: educação, prevenção, informação, atendimento adequado às doenças, água, esgoto, transporte, meio-ambiente sem contaminação, justiça social, reforma agrária, direitos, salários dignos, democracia...

A saúde deve ser pensada para garantir qualidade de vida a todos e não apenas tratar quem está doente. O pensamento dos donos dos hospitais particulares pretendem apenas lucrar alto e ter uma vida tranqüila no futuro. Entretanto, que traquilidade é essa quando usa a vida das pessoas para conquistar a tão sonhada qualidade de vida?

E salve o Deus Capitalista!