O golpe foi dado para reinstalar o neoliberalismo

Escrito por Emir Sader no site Brasil 247 Ligado . Publicado em Emir Sader


Desde sua derrota em 2002, a direita brasileira se colocou como objetivo fundamental desalojar o PT do governo, para reinstalar o modelo neoliberal. Este foi adotado como seu programa desde Collor e FHC.

A primeira vitoria do Lula representou a perda do controle do governo pela direita e a instalação de um programa que rompia, em pontos essenciais, com o neoliberalismo. Rompia ao erigir as políticas sociais como seu eixo fundamental, no lugar do ajuste fiscal. Ao priorizar os projetos de integração regional ao invés dos Tratados de Livre Comercio com os EUA. E ao recuperar o papel ativo do Estado, no lugar da centralidade do mercado.

Nas campanhas eleitorais de 2006, 2010 e 2014, com as candidaturas de Alckmin, Serra, Aecio e Marina, a direita voltou a propor o modelo neoliberal, ponto comum das forcas que compõem o campo da direita no Brasil. E foi derrotada.

Sempre que se contrapuseram o modelo colocado em pratica pela direita nos anos 1990 e pelos governos do PT, nas campanhas eleitorais, a maioria dos brasileiros preferiu esta alternativa, a do desenvolvimento econômico com distribuição de renda. Frente à possibilidade de seguir perdendo eleições, a direita buscou o atalho do golpe, para retomar seu modelo, fracasso nos anos 1990 e, por isso, derrotado sempre posteriormente em disputas democráticas.

O objetivo fundamental do golpe é o de retomar esse modelo, como se vê pelas medidas fundamentais tomadas pelo governo golpista. Com a derrota dos seus candidatos em 2014, Aecio e Marina, tentaram a recontagem dos votos, ou acusações de corrupção contra a Dilma. Tentaram invalidar as eleições, para finalmente apelarem para o golpe via impeachment. Para esta via tinham que contar com a traição do Michel Temer, que embarcou, de forma aventureira, nessa via, por lhe possibilitar chegar à presidência e, a partir dali, tratar de se safar das acusações de corrupção.

A gangue que o Temer reuniu tem em comum essaa acusações e a disposição de apoiar o retorno do modelo neoliberal. O eixo central do governo é a equipe e econômica, coordenada pelo Henrique Meirelles, ponte de apoio do grandes empresariado, especialmente dos bancos, que ocupa os cargos econômicos fundamentais. A Fiesp nem sequer indicou o ministro de indústria e comercio, confirmando que se trata de um governo para aplicar, de forma dura, o ajuste fiscal, que favorece o capital financeiro e inviabiliza qualquer retomada do crescimento econômico.

A Lava Jato contribuiu decisivamente para criar o clima de desestabilização dos governos do PT. Sua atuação absolutamente unilateral e partidária visa sempre o PT e o governo, sendo parte integrante do golpe. Busca ainda inviabilizar a candidatura do Lula, pela possibilidade de uma vitoria eleitora deste representar a retomada do modelo aplicado com grande sucesso desde 2003.

Temer e/ou os tucanos ou outra qualquer via serve a esse fim: reinstalar o modelo neoliberal, com o desmonte do Estado, o corte radical dos recursos para as políticas sociais, com o ataque frontal aos direitos dos trabalhadores, com o fim da política externa soberana. Tudo se subordina a esse objetivos.

A Lava Jato ataca a quadros politicamente mortos da direita, como o Eduardo Cunha e o Sergio Cabral, poupando os que ainda servem ao objetivo central de restauração neoliberal. Podem cair ainda políticos como o Renan Calheiros ou outros, conforme sua utilidade ao projeto neoliberal do golpe. Mas a reinstalação do neoliberalismo é o objetivo central do golpe. Não nos enganemos.

Cadê a análise autocrítica da esquerda?

Escrito por Emir Sader Ligado . Publicado em Emir Sader

Reproduzido do site Carta Maior

Em meio a sofrida vitória da Dilma, a esquerda sofreu duros reveses. A própria vitória apertada é um chamado de atenção, que tem que recair sobretudo na falta de democratização dos meios de comunicação, erro fundamental do governo, que quase leva ao fim do ciclo de governos progressistas no Brasil.

Mas a seu lado há outros reveses significativos, como o de um Congresso mais conservador, de diminuição das bancadas da esquerda – do PT mas, pior ainda, a queda de 50% da bancada do PCdoB -, com a derrota de muitos importantes parlamentares de esquerda. Por mais que o financiamento privado das campanhas pese, ele teve o mesmo efeito da eleição anterior, mas o resultado é claramente pior, revelando uma perda de representatividade dos parlamentares da esquerda, como resultado do desgaste das campanhas da mídia, mas também de um  desempenho pioro do que o que existia anteriormente na defesa das grandes causas populares.

A derrota acachapante em São Paulo é a mais grave – pela sua dimensão e pela sua simbologia – entre todos os retrocessos da esquerda. Nao basta explicações menores, como erros pontuais da esquerda, desempenho capital do Alckmin nas prefeituras, etc. etc. Nada disso, junto, explica o tamanho do reves, que revela uma hegemonia tucana no maior estado do Brasil, daquele com movimentos sociais com mais trajetória, com presença de dirigentes com grande trajetória política, no estado de maior luta de classes do país.

 Deve-se apelar, pra começar a Gramsci, para saber como foi possível que a direita organiza-se uma hegemonia tão solida ao longo de duas décadas no estado que o maior nível de contradições de classe do Brasil. Análises concretas – sociais e culturais, além das políticas – são essenciais para dar conta de um fenômeno dessa proporção. E, claro, análise do PT, como partido.

O mesmo se pode dizer para o Rio Grande do Sul. Em Brasília, o mau governo do PT deve ter sido determinante, mas não basta pra explicar o forte antipetismo num lutar que, justamente pelo peso dos funcionários públicos, já foi um núcleo forte do PT.

É certo que as eleições municipais foram ruins pro PT e pra esquerda, mas ficaram escondidas pela vitória do Haddad em São Paulo e alguns outros resultados também em São Paulo. Mas em Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Rio de Janeiro, Porto Alegre, entre outros lugares, os resultados já foram muito ruins.

Os próprios paradoxos do governo federal – precisa avançar, mas se choca com correlações de força negativas no Congresso, no Judiciário, na mídia, na própria sociedade – dependem de análises mais profundas e urgentes das novas condições que se enfrenta a nível nacional.

O sentimento nacional

Escrito por Emir Sader Ligado . Publicado em Emir Sader

Reproduzido a partir do blog do autor hospedado no site Carta Maior

O Brasil só começou a se pensar como pais, como nação, como povo, a partir da chegada do Getúlio ao poder. Antes, vivíamos para fora e desde fora. Economia exportadora e importadora, sem produção nacional, sem mercado interno importante.

Se pensar como país é concomitante a ter sentimento nacional, ter auto estima. Não foi por acaso que Fernando Collor e FHC atentaram fortemente contra a nossa autoestima, para poder implementar o modelo econômico mais antinacional e antipopular: o modelo neoliberal, que escancarava o país para a exploração externa.


Collor atacou os servidores públicos como “marajás” e os carros produzidos aqui – como metáfora de toda a indústria – como “carroças”. FHC atacou os servidores públicos e os aposentados como “preguiçosos”. Para isso, FHC disse que ia “virar a página do getulismo”, porque queria liquidar o sentimento nacional e as conquistas dos trabalhadores.

   
A vitória do Lula e o sucesso do seu governo foram o maior incentivo à autoestima dos brasileiros, a que nos repensemos como país no mundo, como tipo de sociedade que queremos e podemos construir. Ter orgulho de novo de ser brasileiro é a alavanca para todos os outros avanços do país.

Todos os grandes movimentos populares de transformação do mundo tiveram um componente indispensável no sentimento nacional. A Revolução Russa se fez, também, como reação ao avassalamento do país, derrotado na guerra contra o Japão e tornado servil aos interesses das grandes potencias imperialistas, a Inglaterra e a França.

Posteriormente, a resistência soviética à invasão alemã, a derrota do exército nazista e o  avanço para derrubar o regime do Hitler – o que mudou o curso da segunda guerra e da própria historia -, se fez em nome da Grande Guerra Patriótica, como resistência do povo contra a invasão alemã.

A Revolução Chinesa foi possível como desdobramento da expulsão da invasão japonesa e da norte-americana, com um profundo sentimento nacional e orgulho de serem chineses, que hoje eles voltam a exibir. A Revolução Vietnamita foi uma revolução profundamente nacional nas suas origens, para expulsar os norte-americanos e derrotar o regime fantoche que eles tinham instalado no sul do país.

A Revolução Cubana foi, antes de tudo, uma revolução democrática e nacional, contra a ditadura pró norte-americana do Batista. Da mesma forma que a nicaraguense, contra a ditadura dos Somoza.

Esse componente nacional é chave na disputa política e ideológica. O que provavelmente mais dói na direita brasileira e nos seus aliados internacionais, foi a capacidade do Lula de levantar bem alto o orgulho de sermos brasileiros, a possibilidade de que o país dê certo, de que podemos e devemos seguir nosso próprio caminho, aliado aos países da região e do Sul do mundo, sem nos subordinarmos aos EUA.

A operação antibrasileira em curso atualmente, aqui dentro e desde fora do país – tem o objetivo de destruir a imagem do Brasil do Lula. Do país que mais luta contra a fome no mundo, que mais diminui a desigualdade, que cresce distribuindo renda, que se afirma como país soberano. Para isso tem que difundir esse clima de pessimismo, veiculado pelo monopólio antidemocratico da mídia.

Que o governo é incompetente, corrupto, que tudo que é comandado desde o Estado não dá certo. Que o país trilhou um caminho errado distanciando-se dos EUA e dos modelos centrados no mercado. Que os salários são os responsáveis pela diminuição do ritmo de crescimento e não a especulação financeira.

Em suma, precisam voltar a derrubar a autoestima dos brasileiros, voltando ao fatalismo de que não teríamos jeito. Quem contribui para isso, conscientemente ou não, pela direita ou pela ultraesquerda – queimando bandeiras do Brasil, torcendo contra a seleção, não valorizando todos os avanços na situação do povo – faz o jogo da direita, dos retrocessos. Que somente são possíveis com um povo desmoralizado, derrotado, sem auto estima, sem sentimento nacional.

O Brasil, nestes 50 anos

Escrito por Caroline Santos Ligado . Publicado em Emir Sader

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Reproduzido do blog do autor hospedado no site Carta Maior


O golpe cortou um breve período democrático, de menos de duas décadas, um tempo traumático para a direita, derrotada três vezes nas eleições presidenciais.


O golpe cortou um relativamente breve período democrático, de menos de duas décadas. Tinha sido um tempo traumático para a direita, derrotada três vezes nas eleições presidenciais e frustrada quando triunfou pela única vez.

Ela tinha tido que conviver com um clima relativamente aberto de disputas, com partidos de esquerda, sindicatos, greves, grandes concentrações populares, começo de sindicalização no campo. Desde a fundação da Escola Superior de Guerra - por dois dos próceres golpistas de 1964, Golbery e Castelo Branco -, que os militares, apoiados na Doutrina de Segurança Nacional, se puseram a tramar golpes, até sua consumação em 1964.

Desde então o país viveu o período ditatorial de 21 anos, uma chamada transição democrática de 5 anos do governo Sarney, o período neoliberal de Collor, Itamar e FHC, de 12 anos e os governos do PT, do Lula e da Dilma, cujos 12 anos completam o cinqüentenário desde o golpe.

A ditadura representou a restauração do férreo domínio do grande capital nacional de internacional, com um modelo exportador e de consumo de luxo, amparado num regime de terror. Depois da derrota, pela repressão, da resistência clandestina, vieram os tempos da recuperação econômica - nos moldes citados - até a crise da dívida e as greves do ABC, que levaram o regime à sua fase terminal. Que ele conseguiu condicionar, bloqueando no Congresso as eleições diretas e impondo a via do Colégio Eleitoral.

Esta via condicionou o caráter da transição, impondo-lhe um teor conservador, que a limitou à restauração dos marcos gerais do Estado de direito. Não houve democratização econômica e social, deixando incólumes o poder dos bancos, dos latifundiários, dos meios de comunicação, das grandes corporações industriais e comerciais, nacionais e estrangeiras.

Esgotou-se assim o impulso democrático gessado na resistência à ditadura e expresso na Assembléia Constituinte e se favoreceram as condições para a abertura do período neoliberal. Collor o introduziu com seus dois motes demagógicos: os carros fabricados aqui seriam "carroças", apontando para abertura escancarada do mercado interno;  e os funcionários públicos seriam "marajas", apontando para o Estado mínimo e a centralidade do mercado. Sua queda deixou truncado esse processo, que foi retomado pelo FHC.

Como Collor não conseguiu fazer todo o trabalho sujo das privatizações e do desmonte do Estado, para que o FHC aparecesse como a "terceira via", estilo Tony Blair e Bill Clinton. FHC teve que vestir o tailleur da Margareth Thatcher e cumprir as tarefas duras do receituário neoliberal. Também porque, com o fracasso do Collor, tivemos no Brasil um neoliberalismo tardio, já contemporâneo da crise mexicana, a primeira crise especificamente neoliberal na América Latina.

Além dessas limitações, FHC teve que se enfrentar com fortes resistências do movimento popular, em que o PT, a CUT, o MST e outros movimentos sociais tiveram o maior protagonismo. FHC teve sucesso no controle imediato da inflação, suficiente para se reeleger. Mas ao preço de jogar a economia do pais numa estagnação profunda e prolongada, que levaria ao fracasso do seu governo - incluindo a retomada da inflação e um gigantesco défice publico endividamento com o FMI - e 'a derrota dos tucanos na eleição presidencial de 2002.

Desde então se começou um período de construção de alternativas de superação do neoliberalismo, que prossegue no pais. Lula recebeu uma herança maldita, a partir da qual organizou uma cautelosa transição nos seus primeiros anos de governo - a era Palocci - até a passagem à era do modelo econômico e social, que explica o enorme apoio popular do seu governo e do da Dilma.

A pedagogia dos médicos cubanos

Escrito por Emir Sader Ligado . Publicado em Emir Sader

“As médicas cubanas parecem empregadas domésticas.” A afirmação, a mais expressiva da onda de expressões de intolerância e de discriminação racista, feita por uma jornalista brasileira de direita, representa, sem perceber, o mais significativo elogio de Cuba.

Diante das necessidades de atendimento médico da população, o governo brasileiro, depois de convocar a médicos brasileiros a ocupar os postos nas regiões do país com mais necessidades e menor atenção, fez um convênio com o governo de Cuba para trazer ao Brasil a profissionais de saúde do país que inquestionavelmente tem uma das melhores, senão a melhor medicina social do mundo. Os extraordinários índices de saúde da população cubana – da mortalidade infantil à expectativa de vida ao nascer -, ainda mais pelo nível de desenvolvimento econômico do pais, confirmam essa avaliação.

Esse convênio, que poderia passar simplesmente como um a mais entre tantos outros assinados entre o Brasil e Cuba, gerou uma onda de reações que propiciam um diagnóstico social de uma e de outra sociedade, inédito e de uma profundidade inesperada. Começando pelos próprios médicos brasileiros, na sua grande maioria formados em universidades públicas – as melhores do país -, mas que não são obrigados a entregar praticamente nenhuma contrapartida à sociedade que os formou, de forma gratuita. Frequentemente concluem seus cursos e abrem consultórios nos bairros melhor situados das grandes cidades brasleiras, para atender a uma clientela de grande poder aquisitivo.

Como resultado, o mapa das doenças do país e a localização dos médicos costuma ser brutalmente desencontrado, praticamente oposto: onde estão as doenças, não estão os médicos; onde estão os médicos, não estão as doenças.

Mesmo assim, depois de se negar a atender a população mais pobre – a grande maioria – tentaram impedir que o governo brasileiro trouxesse médicos de fora do pais – de outros países, alem de Cuba – para atender à população. Fizeram manifestações, criaram situações de constrangimento para os médicos cubanos na sua chegada, anunciaram que fariam campanhas contra a reeleição da Dilma, acreditando dispor de autoridade política com seus pacientes.

A declaração com que começa este artigo se insere nesse cenário de elitismo e de falta de sensibilidade social de médicos brasileiros. A frase, que pretende desqualificar a médicas cubanas, porque no lugar da imagem do médico homem, branco, com fisionomia dos doutores dos filmes de Hollywood, são pessoas nascidas no meio do povo cubano, se revela como um imenso elogio da sociedade cubana e em uma crítica da brasileira. Mulhres de origem humilde, que no Brasil seria empregadas domésticas, em Cuba é normal que possam se formar como médicas e expressar sua solidariedade com outros povos, necessitados dos profissionais que Cuba consegue formar em excesso para as necessidades do seu país.

Essa reversão do sentido da frase se deu também no plano mais geral da sociedade brasileira que, confundida no começo, muito rapidamente reagiu de forma muito positiva, com mais de 80% apoiano a vinda dos médicos cubanos ao Brasil. Pelas necessidades que passaram a ser atendidas por esses médicos, assim como também pela atenção que imediatamente começaram a receber setores populares muito amplos do Brasil, até ali sem nenhuma assistência ou com atenção médica absolutamente precária. Cidades que nunca tinham tido a presença de médicos, em que a população tinha que se deslocar quilômetros de distância para ter uma assistência esporádica, começam a conhecer um direito essencial à atenção médica direta e permanente, graças aos médicos cubanos.

É um programa de saúde pública, mas que encerra em si mesmo uma lição, uma pedagogia política de grande evidência – que é o que mais incomoda à direita brasileira. Pessoal formado em universidades públicas – e em Cuba todas o são – tem que atender prioritariamente as necessidades fundamentais do seu povo, que além de tudo paga os impostos que financiam as universidades públicas, mas que, via de regra, não pode ter seus filhos com acesso a essas mesmas universidades – mais ainda aos cursos de medicina.

O Brasil está avançando como nunca na sua história no combate à desigualdade, à pobreza e à miséria, mas não encontra ainda correspondência nas estruturas educacionais que formam os profissionais de medicina. Daí o apoio de Cuba – que a Dilma agradeceu a Fidel, por ocasião da recente reunião da Celac em Havana, quando se inaugurou a primeira parte do porto de Mariel, que o Brasil constrói na Ilha, colaborando com a ruptura do bloqueio imposto pelos EUA.

Os médicos cubanos são melhores que grande parte dos médicos que o Brasil tem hoje porque – além da sua excelente formação profissional -, são melhores cidadãos, formados por uma sociedade orientada não pela medicina mercantil, mas pelas necessidades reais da população. A vinda dos médicos cubanos permite, como nenhum manual de educação política, esclarecer princípios das sociedades capitalistas – voltadas para os valores de troca – e das sociedades socialistas – voltadas para os valores de uso. Uma atendendo demandas do mercado, a outra, as necessidades das pessoas.