Ato denuncia retrocesso do TCE com aprovação da volta de Flávio Conceição

Escrito por Iracema Corso - CUT/SE Ligado . Publicado em Sociedade

ato tce 5 de dez capa

O movimento sindical levou pizza e doce de leite ao Tribunal de Contas de Sergipe (TCE/SE), na manhã desta quinta-feira, dia 5/12, no dia do julgamento do processo administrativo que trata do retorno do ex-conselheiro Flávio Conceição, envolvido na Operação Navalha.

Trabalhadores dos municípios de Campo do Brito, Propriá, Estância e Poço Verde viajaram até Aracaju para engrossar o protesto construído pela CUT, CTB, Conlutas e sindicatos filiados. A manifestação contou com a presença de dirigentes sindicais do Sindoméstica, Sintese, Sindibrito, Oposição Sindipropriá, Sindiserve Poço Verde, Sindtic/Se, Sindijus, Sintufs e Sindifisco.

O presidente da CUT/SE, Roberto Silva, destacou que a possível volta de Flávio Conceição, envolvido na Operação Navalha, será um retrocesso para o TCE. “Um Tribunal que no passado era conhecido como Tribunal de Faz de Contas e que hoje é respeitado não pode aceitar o retorno de Flávio Conceição e retroceder, fazer isso é afirmar que Sergipe é um estado onde se legaliza a ausência de controle social. Estamos aqui com o doce de leite e a pizza porque esperamos que os conselheiros não coloquem Sergipe na cadeira da vergonha".

O presidente da CTB Adênilton Santana afirmou que um dos pré-requisitos para ser conselheiro do TCE é ter conduta ilibada e idoneidade moral. “É um tribunal que tem a prerrogativa de avaliar as contas dos gestores e políticos. O TCE tem avançado muito nos últimos anos, e o retorno dele realmente é o retrocesso. A gente precisa vir aqui e repudiar. Cobramos o afastamento permanente de Flávio Conceição, ele já recebe sua aposentadoria, o que já é uma aberração, mas pior ainda é ele voltar e sujar a imagem do Tribunal de Contas para o Estado de Sergipe”.

Por unanimidade, os conselheiros do TCE votaram pelo retorno de Flávio Conceição. A partir da decisão, quem deixará a função para o retorno de Flávio Conceição será Clóvis Barbosa, que prepara Mandato de Segurança para protocolo no Superior Tribunal de Justiça.

Ainda no ato, Pedrão da CSP Conlutas disse que a denúncia vai continuar. “A gente defende tanto a ética, e o conselheiro tem que ser uma pessoa respeitada na sociedade. Em nome da luta sindical, vamos lutar e denunciar o que está acontecendo aqui”, destacou.

Dirigente da CUT e da FETAM, Cláudio Barros Herculano viajou de Propriá para vir ao protesto. “Isso é uma falta de respeito ao povo brasileiro, ao povo sergipano, por isso a gente tem que cair em cima mesmo e com força. Com o retorno dele, o TCE perde credibilidade. O povo sergipano precisa de respeito. E as centrais sindicais estaduais vão ocupar as ruas novamente para lutar por concurso público para conselheiro, não podemos mais ter indicação política”, defendeu.

A Operação Navalha provou que o ex-conselheiro Flávio Conceição, na época homem de confiança de João Alves, teve atuação destacada no esquema de propinas representando os interesses da Gautama. ‘Doce de leite’ era o termo usado por Flávio Conceição e Zuleido Veras para comentar o pagamento de propinas a conselheiros. Hoje os conselheiros votaram pelo seu retorno ao cargo no TCE, alegando a anulação das interceptações telefônicas. O que não anula a ocorrência dos fatos interceptados.