Dados do IDEB maquiam retrocesso de aprendizagem entre estudantes das escolas públicas de Sergipe

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Diferente do que dizem os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), divulgados pela Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (Seduc) e Secretarias de Educação em diversos municípios sergipanos, no último dia 16 de setembro, a educação pública do estado de Sergipe não está vivendo “um céu de brigadeiro”. O que professores e professoras estão vivenciando, diariamente em sala de aula é o déficit de aprendizagem, ansiedade entre os estudantes e sensação de abandono por parte do poder público.

O falso aumento nos números do IDEB em Sergipe ocorreu devido a política adotada pelas Secretarias de Educação, durante a pandemia, de aprovação automática de todos os estudantes das redes estadual e municipais de ensino, nos anos de 2020 e 2021.

A manobra está longe de ser condizente a um “avanço de aprendizagem”, mas uma maquiagem que falseia a realidade vivida dentro das escolas públicas sergipanas.

Os números divulgados visam fechar os olhos para pesquisas que comprovam o déficit de aprendizagem, resultado da ausência de políticas públicas durante a pandemia, que excluíram estudantes do direito à educação e professores de ministrarem suas aulas conforme os seus planejamentos pedagógicos.

Em Sergipe tivemos e estamos vivendo retrocessos de aprendizagem, que obviamente não seria e nem será sanado com a aprovação automática dos estudantes, que são vítimas da ausência de políticas pública para a educação durante a pandemia.

Dados do IDEB

É importante destacar que os dados para a avaliação do IDEB estão associados aos índices de aprovação; de reprovação; de evasão escolar na rede de ensino e avaliação em larga escala aplicada aos estudantes.

Sendo assim, quando as Secretarias de Educação de Sergipe optaram por aprovar todos os estudantes de forma automática, por 2 anos consecutivos (2020 e 2021), os índices do IDEB só poderiam subir e não refletir a realidade dentro das salas de aula, maquiando os dados.

Para o presidente do SINTESE, professor Roberto Silva, é necessário que as Secretarias de Educação em Sergipe encarrem o problema de frente e busquem soluções sérias, em diálogo com comunidade escolar, para que sejam pensadas políticas públicas de enfrentamento ao déficit de aprendizagem, que atinge a maioria dos nossos estudantes, e não comemorar números que não mostram a verdade vivida nas escolas públicas do estado.

“O que a Seduc e as secretarias municipais de educação deveriam fazer é reconhecer que têm dívidas sociais e pedagógicas com os estudantes. É preciso ter uma política séria e profunda de recuperação de aprendizagem”, avalia.

O presidente do SINTESE denuncia ainda que professores e professoras, tanto na rede estadual de ensino como nas redes municipais, sem qualquer apoio dos gestores das secretarias, estão se esforçando para diminuir em suas escolas o déficit de aprendizagem entre seus estudantes.

“O que está acontecendo nas escolas é que professores e professoras, de uma forma desafiadora, estão construindo o processo de recuperação de aprendizagem sem nenhum apoio do Governo do Estado ou das prefeituras municipais de Sergipe. Por isso, usar os números do IDEB como uma conquista, vitória ou heroísmo da Secretaria de Estado da Educação e das Secretarias Municipais de Educação, é uma agressão contra professores e professoras”, coloca.