Em ato, professoras e professores aposentados pedem celeridade da justiça e exigem devolução do confisco de 14%

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Luta misturada com cultura. Este foi o tom do ato feito pelas professoras aposentadas da rede estadual, nesta segunda-feira, dia 10, em frente ao Tribunal de Justiça de Sergipe, em Aracaju.

As guerreiras aposentadas do SINTESE ocuparam a Praça Fausto Cardoso para cobrar celeridade no processo judicial pela devolução do confisco de 14% de seus proventos de aposentadoria.

Além de falas de luta e depoimentos sobre os 26 meses que sofreram vendo 14% de suas aposentadorias sendo tomadas na mão grande pelo governo Belivaldo Chagas, a mobilização teve também espaço para a cultura.

O grupo de dança do projeto “SINTESE Cultural”, formado por professoras aposentadas, se apresentou com uma linda ciranda e convidou todos que participavam do ato e que passavam pela Praça a “cirandar” junto com elas.

“É uma marca dos atos das aposentadas. Além da força, da luta e da garra que as aposentadas demonstram em cada ato, ainda temos um momento lúdico, seja com a dança ou com o coral. A nossa vida é lutar, mas na luta também precisamos de leveza, de momentos de troca e beleza, que trazem sensibilidade e renovam a energia para se fazer mais luta”, reflete a diretora do departamento de aposentados do SINTESE, professora Maria Luci.

Luta, vitória e mais luta

Entre abril de 2020 e junho de 2022, o governo Belivaldo Chagas, com o aval de deputados que compõem a Assembleia Legislativa, realizou o confisco de 14% das aposentadorias dos servidores do estado.

Para professores e professoras aposentados o confisco de 14% significava em seus salários uma perda mensal de 600 a 800 reais. Muitos professores e professoras passaram por sérias dificuldades, acumularam dívidas com bancos e foram forçados a mudar o padrão de vida.

A professoras aposentada, Vandalucia Maia, descreve o período com a palavra impotência. “Eu trabalhei, eu contribuí para o estado, para a previdência e, do dia pra noite, eu vi sendo tomado do meu salário 738 reais e simplesmente eu não podia fazer nada. O sentimento de total impotência. Tive que abrir mão do meu telefone fixo, de um plano de saúde e de diversas outras coisas do meu dia a dia. Tudo que nos restou foi confiar em Deus e na nossa luta, na luta do SINTESE”, lembra.

E a luta rendeu frutos. Durante estes 2 anos e 2 meses as professoras aposentadas correram por todo estado de Sergipe, denunciado a maldade de Belivaldo Chagas e exigindo o fim do confisco. O confisco dos 14% chegou ao fim em junho de 2022 e a luta agora passou a ser outra: pela devolução de tudo que foi indevidamente tomado dos professores e professoras aposentados.

“A batalha segue nas ruas e na justiça. O SINTESE espera que o processo corra o mais rápido possível e que seja devolvido o quanto antes o que foi maldosamente tomado das nossas aposentadas e aposentados. Estas mulheres e homens contribuíram com sua força de trabalho, por 25, 30, 35 anos, contribuíram com a educação e formação da sociedade sergipana e não podem simplesmente, chegar no momento que mais precisam de amparo, serem lesados e ficar por isso mesmo. Esperamos que a justiça sergipana faça justiça e devolva as professoras e professores aposentados o que é deles. Vamos luta para isso, e confiamos em mais uma vitória”, afirma a vice-presidenta do SINTESE, professora Ivônia Ferreira.