Estudantes do Colégio de Tempo Integral Arquibaldo Mendonça, em Indiaroba, protestam contra estrutura precária

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“Era uma escola muito engraçada, não tinha quadra, não tinha auditório, não tinha nada. Integral sem estrutura, não é integral”. Estas palavras estavam escritas em um cartaz erguido por uma estudante, do Centro de Excelência Arquibaldo Mendonça, em protesto feito durante os jogos interclasses da unidade de ensino, que aconteceu neste mês de setembro.

O Centro de Excelência Arquibaldo Mendonça, está localizado no município de Indiaroba. A unidade faz parte dos primeiros grupos de Colégios da Rede Estadual de Ensino que deixaram de ofertar o ensino em tempo parcial para se tornarem Centros de Excelência do Ensino Médio em Tempo Integral, em 2017.

Embora o SINTESE tenha alertado à época, que o Colégio Estadual Arquibaldo Mendonça (e tantos outros) não tinha condições físicas para receber estudantes em tempo integral, a transição foi feita e promessas de reformas também.

Seis anos se passaram e o hoje Centro de Excelência Arquibaldo Mendonça segue sem condições físicas de ofertar aulas em tempo integral, as mudanças efetivas ficaram apenas no papel.

Para ter uma ideia da gravidade da situação que o Arquibaldo Mendonça vivencia, os estudantes não o tratam com “Centro de Excelência”, mas sim como “Centro de Decadência”.

Quadra esportiva

Na época do então governo Belivaldo Chagas, houve uma promessa a comunidade escolar de que a quadra esportiva seria construída. Mas isso não aconteceu.

Hoje o que existe no Centro de Excelência Arquibaldo Mendonça é apenas uma área, com o chão demarcado e uma velha cesta de basquete, sem qualquer cobertura, onde os estudantes fazem atividades esportivas, submetidos as intemperes do tempo.

Alimentação Escolar

Um outro cartaz que chamou atenção no protesto dos estudantes, durante os jogos interclasses, do Arquibaldo Mendonça, foi um que dizia o seguinte: “1 dia de camarão e 29 de frango”. A frase faz alusão ao projeto “Filé de Camarão na Alimentação Escolar”, lançado pelo Governo do Estado, em julho deste ano.

O projeto teve como “garotos propaganda” o próprio governador do estado, Fábio Mitidieri e seu vice e secretário de estado da educação, Zezinho Sobral, que foram a uma escola da rede, onde foi ofertado o marisco, comeram o prato preparado pela merendeira e propagaram aos quatro ventos que aquele era “um grande salto na qualidade da alimentação escolar ofertada para os alunos da Rede Pública Estadual de Sergipe”.

Mas ao que parece o “salto” foi apenas um “pulinho”. Os estudantes do Arquibaldo Mendonça questionam sobre a repetição do cardápio da alimentação escolar, da falta de opção, o que acaba gerando uma alimentação que não condiz com que estabelece o Plano Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e a Resolução nº 6, de 08 de maio de 2020, que dispõe sobre atendimento da alimentação escolar aos alunos da educação básica.

A Resolução nº 6/2020, em seu Inciso I, Artigo 5, é taxativa ao afirmar que as escolas da rede pública devem assegurar o  “emprego da alimentação saudável e adequada, compreendendo o uso de alimentos variados, seguros, que respeitem a cultura, as tradições e os hábitos alimentares saudáveis, contribuindo para o crescimento e o desenvolvimento dos alunos e para a melhoria do rendimento escolar, em conformidade com a sua faixa etária e seu estado de saúde, inclusive dos que necessitam de atenção específica”.

Outros problemas

Além da falta da quadra, da alimentação escolar sem a variedade preconizada por Lei, os estudantes ainda reclamam da falta de auditório, da péssima qualidade dos banheiros e da necessidade de reforma de todo o espaço físico da escola.

É importante ressaltar que a garantia de permanência dos estudantes nas unidades de ensino, como rege a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a própria Constituição Federal brasileira, perpassa pelos Governos Municipais, Estaduais e União assegurarem um ambiente saudável, prazeroso e digno para nossas crianças, adolescente e jovens.

A Escola deve ser um ambiente propício e adequado para a construção dos processos de ensino e aprendizagem. Escola tem que ser vista como um lugar da construção de sujeitos emancipados, donos de suas histórias, da construção dos saberes e do amanhã. Neste sentido, as Escolas públicas não podem ser tratadas como um lugar para “amontoar” crianças e jovens, instaladas em prédios decadentes, sem conforto e sem estrutura.  Mas infelizmente tais “conceitos” soam como um sonho, uma realidade distante, para jovens estudantes do Arquibaldo Mendonça.

Cobranças feitas pelo SINTESE

O SINTESE enviou ofício ao Governador, Fábio Mitidieri, para que seja feita intervenção imediata, que as demandas e necessidades da comunidade escolar do Centro de Excelência Arquibaldo Mendonça sejam atendidas.

Para o presidente do SINTESE, professor Roberto Silva, o Governo do Estado não pode relegar os estudantes, seja da capital ou do interior, ao esquecimento. Promessas foram feitas e precisam ser cumpridas, independentemente de qualquer que seja a gestão que está no poder.

“O Arquibaldo Mendonça é uma unidade de Ensino Médio em Tempo Integral e precisa de uma estrutura física e de alimentação condizentes ao que a unidade é. Se o governo de Fábio Mitidieri não se atentar a isso, não promover as reformas e melhorias necessárias, não só no Arquibaldo Mendonça, mas em todas as unidades de ensino de tempo integral, o estado seguirá descumprindo a Constituição, a LDB, o PNAE e afastando os nossos jovens da educação básica. Esperamos que o compromisso com a educação, que Fábio Mitidieri afirma ter, não fique apenas no papel”, almeja o presidente do SINTESE.