Manifestação feminista de Sergipe é ignorada por maioria dos deputados estaduais

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Dia Internacional da Mulher é marcado por caminhada de protesto, distribuição de Manifesto e visita à porta da Câmara Municipal de Aracaju e à Assembleia Legislativa de Sergipe

Por Iracema Corso – CUT/SE

‘Nos queremos vivas’, ‘fica comigo ou morre’ são alguns dos cartazes feministas que denunciaram, no Estado de Sergipe, a ameaça machista corriqueira e um pouquinho da violência que as mulheres do Brasil inteiro enfrentam todos os dias de sua aguerrida vida. E na manhã da quarta-feira, essa denúncia ocupou as ruas do Centro de Aracaju, no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

A Secretaria da Mulher da Central Única dos Trabalhadores (CUT Sergipe) junto a várias sindicalistas e diretoras da central sindical participaram da construção da manifestação de 8 de março, que neste ano destacou três reivindicações para o debate público: ‘Pela vida das mulheres; nenhum direito a menos e sem anistia para golpistas’.

 

A vice-presidenta da CUT Sergipe, Ivônia Aparecida Ferreira, falou às companheiras e companheiros presentes na concentração na Pça General Valadão. “Neste 8 de março nós precisamos dizer aos homens que precisamos fazer essa luta juntos e juntas. Nós não precisamos avançar somente entre nós mulheres, porque os homens precisam entender a importância do debate contra o machismo. Infelizmente todos dos dias morre uma mulher vítima desse preconceito”, disse Ivônia Ferreira.

A secretária da Mulher da CUT Sergipe, Cláudia Oliveira, cobrou mais envolvimento dos vários sindicatos, das trabalhadoras e trabalhadores de Sergipe na construção da luta feminista pela própria importância das mulheres na luta de classes. “Quem sabe quando tivermos paridade nos sindicatos, na Câmara Municipal e na Assembleia Legislativa de Sergipe, possamos avançar nas nossas pautas”, observou Cláudia.

Para a secretária da Mulher da CUT, esta é uma data muito importante para iniciar a luta feminista reivindicando por direitos. “Ao longo do ano temos muitas batalhas, combatemos a violência contra a mulher, estamos na construção do 1º de maio, e em toda e qualquer luta junto aos movimentos sociais. No 8M lançamos nosso Manifesto, distribuímos na Câmara Municipal de Aracaju, na Assembleia Legislativa e na DAGV. É o manifesto que expressa tudo o que temos a dizer, leva a nossa pauta para os governantes e para a sociedade tomar conhecimento do que nós, mulheres feministas, pensamos. O 8 de março é dia de luta, é dia que marca a nossa jornada de 2023”, afirmou Cláudia Oliveira.

O Manifesto produzido coletivamente no Fórum de Mulheres de Sergipe possui 15 páginas para detalhar os desafios da luta feminista em Sergipe e os dados que revelam as formas de violência praticadas contra a mulher no Estado sergipano, além de apontar caminhos para resolver este problema.

“Sergipe é o terceiro estado com maior risco de vitimização letal de mulheres negras do país, revela Atlas da Violência. Em relação ao percentual de mulheres negras vítimas de homicídios, o estado também aparece em segundo, com o percentual 94%. Além disso, das mortes registradas no ano de 2019, 94% eram mulheres negras e 6% não negra”, afirma o manifesto.

No Manifesto, as feministas alertam que os casos de feminicídio aumentaram mais de 42% em Sergipe no ano de 2021, em relação ao ano anterior (CEACrim). Em 2021, foram registradas 315 notificações de violências contra mulheres de 18 a 59 anos, residentes em Aracaju.

A fome em Sergipe é outra denúncia grave do Manifesto das feministas. “De acordo com dados do IBGE (2021), Sergipe tem o quinto maior índice de pobreza do país (são mais de 1 milhão). Exatos 46,8% da população sergipana enfrentam graves problemas relacionados à falta de alimento. Sergipe é o 5º estado brasileiro com mais famílias passando fome, com 30%. A constatação é do segundo inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil”, outro trecho do Manifesto.

Poder de Decisão
Durante a caminhada de luta pelas ruas do Centro de Aracaju, a secretária da Formação da CUT Sergipe e dirigente do SINDIJOR/SE, Caroline Rejane Santos, foi impedida de entrar na Câmara Municipal de Aracaju ‘porque estava sem blazer’.

Devido à estrutura física precária do edifício da Câmara Municipal de Aracaju, as manifestantes foram impedidas de entrar no prédio público, e a entrega do manifesto aconteceu na porta da Casa Legislativa de Aracaju contando com um número reduzido de vereadores.

O protesto do Dia Internacional da Mulher não teve o acolhimento do conjunto de deputadas e deputados estaduais. Além de ter sido impedida a entrada das manifestantes na Galeria do Plenário, apenas a deputada estadual Linda Brasil veio até a porta da ALESE para receber o Manifesto das Mulheres destinado a todos os parlamentares de Sergipe.

Joelma Dias, secretária da CUT, destacou que o retrocesso conservador machista que tentou tomar o Poder à força no Brasil ainda sobrevive em Câmaras de Vereadores, Assembleias Legislativas, entre outros espaços de Poder, ocupados majoritariamente por homens.

Durante a manifestação do 8 de março em Aracaju, vários deputados de Sergipe, vereadores defendem e são autores de projetos de lei que pioram as violências praticadas contra mulheres. “Trata-se da política ultra conservadora que quer obrigar mulheres e crianças estupradas a gerarem filhos de seus estupradores. O poder de decisão da mulher é violentado por homens parlamentares que nunca vão saber o que é ser mulher, nem o que é uma gestação”, criticou Joelma.

Para Joelma, este projeto político perverso fala muito sobre a cultura brasileira de ódio e repulsa contra seres humanos do sexo feminino, por isso é tão importante que as mulheres feministas ocupem os espaços de Poder e possam agir contra a cultura de feminicídio e de violências contra a mulher.

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Sindijus participa de #8 de Março em Aracaju

http://www.sindijus.org.br/sindijus-participa-de-8-de-marco-em-aracaju.html

SÁBADO: Mulheres do Baixo São Francisco promovem atividade de formação e luta
https://se.cut.org.br/noticias/sabado-mulheres-do-baixo-sao-francisco-promovem-atividade-de-formacao-e-luta-219f/