No dia dos aposentados, ato em Sergipe cobra devolução do confisco 14% e revogação do desconto do IPESAÚDE

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A manhã do dia 24 de janeiro foi marcada pela energia e pela força das aposentadas do SINTESE. Foi o grande ato pelo Dia Nacional das/os Aposentadas/os, que aconteceu em frente ao Palácio dos Despachos, em Aracaju.

A principal reivindicação do ato foi a devolução do valor referente ao desconto de 14% feito nos contracheques de aposentadas e aposentados de Sergipe no período de abril de 2020 a junho de 2022. “Em estudo feito pelo próprio Sergipeprevidência, o valor total referente a este desconto neste período é de cerca de 240 milhões de reais” disse Roberto Silva, presidente do SINTESE. “Já conversamos com o governo, já dissemos que a devolução desses valores pode ser feita parcelada, mas tem que ser feita. Foi um desconto feito sem argumento plausível”, comentou.

Este desconto foi criado no Governo Belivaldo Chagas e foi aplicado durante 27 meses na remuneração de aposentadas e aposentados que recebiam acima de dois salários mínimos, com a alegação de que havia um déficit previdenciário na folha do Estado. Com muita luta nas ruas e na Justiça, o SINTESE conseguiu a suspensão deste desconto, comprovando, com um estudo do DIESSE, que este déficit não existia.

Até hoje, aposentadas e aposentados sentem o peso desses descontos. Como muitos deles são arrimo de família, tiveram que fazer ajustes drásticos, como cortar plano de saúde, faculdade de filhos e netos, reduzir a feira e abandonar tratamentos médicos por não conseguirem comprar medicação. “Muitas e muitos de nós ainda não nos recuperamos e não retomamos a vida que tínhamos antes. Seguimos entre acordos de dívidas e ajustes de vida. Com a devolução desse dinheiro, que é nosso e nos foi tirado erroneamente, acredito que conseguiremos nos recuperar”, disse Maria Luci Lima, diretora do Departamento de Aposentadas/os do SINTESE.

Outro ponto que entrou em pauta no ato foi o Ipesaúde, o plano de saúde do Estado e que atende a servidoras/es públicas/os estaduais. “Nós passamos a vida inteira pagando este plano de saúde, com um desconto considerável em nossos contracheques, mas ele vem sendo tão sucateado por más gestões que muitas vezes recorremos ao SUS, a outros planos de saúde ou a atendimento particular para poder conseguir tratar nossa saúde”, disse Ana Geni de Andrade, também diretora do Departamento de Aposentadas/os do SINTESE.

“A rede de atendimento diminuiu, tanto em número de profissionais, como em unidades de saúde; o agendamento está cada vez mais difícil e complicado, especialmente para idosas e idosos; além da queda vertiginosa de procedimentos permitidos. É uma sequência de desrespeitos que deram a vida no serviço público e até hoje pagam este plano de saúde”, comentou Ana Geni.

Após as falas de representantes de diversos sindicatos e de aposentadas e aposentados presentes, uma banda de frevo animou a produção de cartazes com mensagens para o governado Fábio Mitidieri, que foram colados no corrimão da entrada do Palácio dos Despachos. “Infelizmente, a Polícia Militar não permitiu que colássemos na grade e nas paredes da entrada”, disse Roberto.

O superintendente Especial de Articulação Política e Relações Institucionais do Governo de Sergipe, Venâncio Fonseca, conversou com o presidente do SINTESE e da CUT Sergipe, Roberto Silva, durante o ato. “O superintendente se comprometeu a levar nossa pauta ao governador e articular uma audiência para que possamos dialogar, mais uma vez, sobre o assunto e chegarmos a uma solução”, disse Roberto.