Poço Redondo: professoras e professores paralisaram atividades nesta terça e vão paralisar novamente no dia 18

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A falta de diálogo, de cumprimentos de leis que asseguram direitos a professores e professoras e o descaço com e educação do município novamente foram os motivos que levaram o magistério municipal a cruzar os braços nesta terça-feira, dia 12.

A prefeita Aline Vasconcelos tem fugido (literalmente) de suas responsabilidades e do diálogo com a categoria. Durante todo mês de agosto professoras e professores, juntamente com representantes do SINTESE, estiveram dia após dia na sede da prefeitura para tentar marcar audiência com a prefeita. Até que no dia 24 de agosto, por fim, conseguiram uma audiência com a gestão municipal, mas nada foi apresentado a categoria.

Cansados de promessa não cumpridas e dessa longa esperar sem nada concreto diante de suas reivindicações, professoras e professores não encontraram uma alternativa a não ser paralisar suas atividades nesta terça-feira, dia 12, e fazer uma vigília na frente da prefeitura, em mais uma tentativa de diálogo e negociação.

E a luta continua: mais uma paralisação vai acontecer. Em assembleia realizado ao final da vigília de hoje professoras e professores decidiram que na próxima segunda-feira, dia 18, mais uma vez cruzarão os braços diante do silêncio e da omissão da prefeita Aline Vasconcelos.

O Coordenador do SINTESE na região do Alto Sertão, professor Cloverton Santos, fez questão de destacar todas a tentativas de diálogo e busca de audiências com a gestão municipal, mas sem um retorno real por parte da prefeita Aline Vasconcelos, professoras e professores estão se vendo obrigados a cruzar os braços e paralisar suas atividades.

“Todos aqui queriam estar em sala de aula, com seus direitos e de seus estudantes assegurados, mas o clima em Poço Redondo é de total insegurança, uma vez que a prefeita simplesmente largou a educação a própria sorte e quando nós a buscamos para o diálogo nada nos é apresentado, isso quando conseguimos ter algum retorno. Precisamos que a prefeita Aline assuma seus compromissos com a educação e com o povo de Poço Redondo. Não dá para fugir para sempre, os problemas não vão embora. Queremos soluções e para isso é necessário que a prefeita também queira”, cobra o dirigente do SINTESE.

Luta em Poço Redondo

Desde o início do ano que professoras e professores têm cobrado o que determina a Lei Nacional 11.738/2008: a atualização do piso salarial para professoras e professores. A Lei é bastante taxativa ao afirmar que professoras e professores da rede pública, de todo o Brasil, devem ter o piso salarial atualizado anualmente, sempre em janeiro, com respeito a carreira e cumprindo decisões do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça.

Estamos em setembro e até agora nenhuma negociação ou sinalização que demonstre a intenção de assegurar atualização do percentual de 2023 (14,95%), foi feita pela prefeita de Poço Redondo.

Mas o descaso não é sentido apenas por professores, ele atinge e ameaça toda a rede municipal de Poço Redondo. O número de matrículas teve uma queda expressiva e é urgente a necessidade de a prefeitura cumprir seu papel e realizar a Chamada Pública e a Busca Ativa de estudantes para que mais crianças se jovens se matriculem na rede.

É importante destacar que as verbas da educação estão diretamente ligadas ao número de estudantes matriculados na rede, ou seja, mais estudantes, mais verbas para a educação do município.

Outro grave problema é a falta do transporte escolar. Assegurar transporte escolar diário e de qualidade é uma obrigação dos gestores municipais. Ao virar as costas para isso a prefeita Aline nega condições de acesso e permanência de crianças e jovens nas escolas municipais de Poço Redondo.

Professoras e professores ainda enfrentam a falta de condições materiais e auxílio tecnológico, para o uso do diário eletrônico.

É válido ressaltar que o SINTESE não é contrário ao uso do diário eletrônico ou de qualquer outra ferramenta tecnológica que venha para facilitar e contribuir para o trabalho da professora e do professor, no entanto faz a defesa que não basta apenas ter o “diário eletrônico”, adotar um sistema, é preciso que as prefeituras ofereçam treinamento para as professoras e professores, disponibilize recursos para a aquisição de equipamentos necessários e acesso à internet de qualidade.