Sem livros, sem material de trabalho, sem valorização: professoras e professores da Barra dos Coqueiros paralisam mais uma vez atividades

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Nesta quarta-feira, dia 20, professoras e professores da rede municipal de Barra dos Coqueiros vão novamente paralisar suas atividades e fazer panfletagem, às 13h, pelas ruas do Conjunto Marcelo Déda, para denunciar a situação precária da educação. A concentração será na praça, do Conjunto.

As condições das escolas municipais da Barra dos Coqueiros são péssimas, em todos os aspectos. Para ter uma ideia, já estamos para lá da metade do ano letivo, no mês de setembro, e até agora os estudantes das escolas municipais da Barra dos Coqueiros não receberam livros didáticos. Vale ressaltar que a entrega de livros didáticos, no início de cada ano letivo, é de responsabilidade da prefeitura.

Além disso, professoras, professores e estudantes convivem com a falta de materiais didáticos e pedagógicos. Se a professora ou professor precisa fazer algum tipo de atividade, que use cartolina, papel ou outro material de papelaria, eles têm que tirar dinheiro do próprio bolso para arcar com o material e não deixar as crianças sem atividades.

Salas de aula pequenas e quentes é a realidade da rede, por conta disso, diversas vezes professores e estudantes já passaram mal devido ao calor insuportável das “saunas de aula”.

O pior é que ar-condicionados foram comprados na gestão municipal passada, mas não foram instalados porque as redes elétricas das escolas municipais precisariam ser reformadas, para que os ar-condicionados possam funcionar sem gerar queda de energia.

O transporte escolar também é de péssima qualidade. Ônibus velhos e que são um perigo para a segurança dos estudantes os levem diariamente para a escola.

A alimentação escolar deixa a desejar. O cardápio estabelecido não é cumprido, deixando de lado nutrientes fundamentais para uma alimentação saudável e de qualidade, descumprindo com o que estabelece o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Não bastasse tudo isso, a categoria ainda tem sofrido ataques mentirosos. Carro de som roda pela cidade ofendendo e até chamando professoras e professores de “vagabundos”.

A diretora do SINTESE, do departamento de Bases Municipais, professora Emanuela Pereira, que tem acompanhado de perto a luta das professoras e professores Barra dos Coqueiros, conta que a situação no município, quando se fala em educação, é vergonhosa.

“O prefeito Alberto Macedo abandonou a educação da Barra a própria sorte. Professoras e professores estão tendo que se virar sozinhos para oferecer o mínimo condições de aula a seus estudantes. Tudo isso sem qualquer tipo de valorização e ainda sendo enxovalhados por mentiras. O SINTESE denunciou que um carro de som fica rodando pelas ruas da cidade, ofendendo professores, os chamando de “vagabundos”. É isso que a categoria tem enfrentado. Por isso voltaremos as ruas, para pedir o apoio da população da Barra na luta pelo direito a educação das crianças e jovens e por valorização para professores” enfatiza a dirigente do SINTESE.

Sem valorização

Professoras e professores também têm seus direitos negados. A prefeitura não respeita e não valoriza estes profissionais que são fundamentais para o desenvolvimento intelectual, cultural de crianças e jovens e para o futuro do povo da Barra dos Coqueiros.

O prefeito, Alberto Macedo, passa por cima da Lei e não cumpre com a atualização do piso salarial. Em 2022, o prefeito pagou apenas 10,16% dos 33,24% de atualização asseguradas por Lei para aquele ano. Já em 2023 a administração municipal ainda não apresentou nenhuma proposta.

Vale sempre ressaltar que a Lei Nacional 11.738/2008, e decisões do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, afirmam que o piso salarial das professoras e professores da rede pública de todo o Brasil, deve ser atualizado, anualmente, sempre em janeiro, no vencimento inicial e respeitando as carreiras do magistério.