Mães, pais, responsáveis dos estudantes e professores fazem ato na Seduc pelo não fechamento de turmas do Ensino Fundamental

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“Estudei nessa escola, meus filhos mais velhos estudaram nessa escola, minha filha estuda nessa escola. Tenho câncer, estou operada, mas não pude deixar de vir aqui e deixar meu manifesto. Eu não quero que essa escola feche”.

Esse foi o depoimento de Acácia, da comunidade escolar do Colégio Estadual Professora Josefina Leite, em Pedrinhas. Ela e outras mães, pais, responsáveis, professoras e professores participaram do ato realizado pelo SINTESE, em frente a Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura – Seduc na manhã desta quinta, dia 22. O ato foi contra a política da secreatria em fechar turmas do Ensino Fundamental.

“Mais uma vez a Seduc quer implementar uma política sem fazer um diagnóstico ou sequer o mínimo diálogo com a comunidade escolar. Todos foram pegos de surpresa. Não podemos aceitar essa política absurda. Todos estão mobilizados e firmes no sentido de impedir o fechamento das turmas do ensino fundamental nas escolas da rede estadual”, disse o presidente do SINTESE, Roberto Silva dos Santos.

O calendário de matrícula da rede estadual preocupa

A preocupação das mães, pais e responsáveis é muito grande, principalmente por conta do calendário de matrícula da rede estadual. Para quem quiser ingressar na rede, que é o caso dos estudantes do 1º ao 5º ano, as matrículas só estarão liberadas na primeira semana de fevereiro.

“Moramos no morro em Itaporanga, a única escola é a Francisco Sales. Se ela fechar não temos onde matricular nossas crianças. Pedimos providências”, disse Maria Angélica, mãe de uma estudante do 4º ano, matriculada na unidade de ensino.

O fechamento das turmas do ensino fundamental não afeta somente as escolas atingidas, mas toda a rede estadual. Seja no aspecto financeiro, com a perda de quase R$400 milhões em recursos da Educação, seja no que diz respeito aos postos de trabalho de professoras, professores e também das funcionárias e funcionários de escola.

A Seduc estava movimentada no dia de hoje com solenidades de inaugurações e entrega de veículos escolares, o momento também foi a oportunidade para as comunidades escolares externarem a sua revolta contra a política de fechamento de turmas.

Comunidades escolares entregam abaixo assinados

Marcaram presença no ato desta quinta-feira representantes do Colégio Estadual Cel. Maynard Gomes (Porto da Folha), Colégio Estadual Luís Guimarães (São Cristóvão), Colégio Estadual Teotônio Alves China (Poço Redondo), Escola Estadual Francisco Sales Sobral (Itaporanga d’Ajuda), Colégio Estadual José Inácio de Farias (Monte Alegre de Sergipe), Colégio Estadual Martinho Garcez (Frei Paulo), Escola Estadual São Lourenço (Aracaju), Colégio Estadual Professora Josefina Leite Campos (Pedrinhas), Escola Estadual Deputado Francisco Paixão (Campo do Brito), Escola Estadual Guilherme Campos (Campo do Brito), Escola Estadual Padre León Gregório (Nossa Senhora da Glória), Escola Estadual Professora Angelina Azevedo (Nossa Senhora Glória), Escola Estadual Rotary Dr. Carlos Melo (Itabaiana), Escola Estadual Eliezer Porto (Itabaiana) e Escola Estadual Guilhermino Bezerra (Itabaiana).

Ao final da mobilização, os representantes de cada uma destas escolas protocolaram abaixo-assinados solicitando que o governo do Estado, através da Seduc, mantenha a matrícula das turmas do Ensino Fundamental, principalmente dos anos iniciais.

“Este foi só mais um passo, seguiremos em luta. Se preciso for ocuparemos também o Ministério Público para cobrar providências. O Governo do Estado de Sergipe não pode negar a matrículas nas escolas da rede estadual a crianças do 1º ano ao 5º ano. Educação é um direito previsto na Constituição Federal, previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, e as turmas dos anos iniciais do ensino fundamental também são de responsabilidade do Governo do Estado, conforme estabelece a Lei. O governo não pode simplesmente fugir de suas obrigações com o povo de Sergipe, muito menos negar o direito a educação para nossas crianças” afirma taxativamente, o presidente do SINTESE.