Sim, há dinheiro para valorização e assegurar pagamentos em dia… Mas falta vontade política

Prioridade. Esta palavra é a chave, o centro de uma boa gestão. Um bom governante prioriza os anseios da população, prioriza direitos e prioriza, sobretudo, garantir dignidade. Quando olhamos para os servidores do estado de Sergipe, para os aposentados e aposentadas deste estado, o que podemos constatar é que nem de longe eles são prioridades para o governo Jackson Barreto, muito embora seja e foi o trabalho destas pessoas que assegura, e assegurou um dia, o bem-estar e serviços essenciais ao povo sergipano.

Desde o início de sua gestão, em 2015, que Jackson Barreto não reajusta o salário dos servidores estaduais. Aposentados e aposentadas sofrem também, desde 2015, com os constantes atrasos no pagamento de seus proventos de aposentadoria. Antes os aposentados eram os primeiros a receber, sempre dentro do mês, agora nunca sabem ao certo em que data o pagamento vai sair.

Os proventos de aposentadoria referentes a maio foram pagos somente no dia 14 de junho, não satisfeito em atrasar, o Governo do Estado ainda dividiu o pagamento daqueles aposentados e aposentadas que recebem acima de 5 mil reais.

A vida e a dignidade de servidores, da ativa e aposentados, não são prioridades para o governo Jackson Barreto. A prova de que a palavra PRIORIDADE é subvertida neste governo é que mesmo diante deste cenário de caos, o Governo do Estado realizou, durante todo o mês de junho, festa em Aracaju.

“Nunca imaginei que depois de contribuir, junto com meus companheiros, 25 anos, 30 anos para a educação dos filhos e filhas dos trabalhadores sergipanos iria passar por tanta humilhação, sem saber ao certo a data que irei receber. São contas atrasadas, credores em nossa porta, remédio que acabam e não temos como comprar outros, enfim, é um verdadeiro calvário. Ciente de tudo isso, o Governador Jackson Barreto ainda sim, ao invés de priorizar aqueles que tanto deram para este estado, faz festa em Aracaju. É muito doloroso, ver que tudo que fizemos ao longo da nossa vida parece não ter valor para este Governo. O sentimento que nós, professoras e professores aposentados temos é que Jackson Barreto quer arrancar de nós a nossa dignidade”, coloca com pesar a diretora do departamento de aposentados do SINTESE, professora Maria Luci Lima Santos.

Diante da realização da festa na cidade de Aracaju e do atraso e parcelamento do pagamento dos professores aposentados, o SINTESE enviou ofício ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) solicitando intervenção do órgão junto ao Governo do Estado. O TCE possui Resolução que proíbe expressamente a realização de eventos festivos na hipótese de inadimplência com os servidores públicos, sejam eles da ativa ou aposentados.

“O Governo do Estado ignora solenemente a Resolução do TCE e realiza festa mesmo pagando com atraso e parcelando pagamento de professores e professoras aposentadas, que todos os meses convivem com a incerteza, pois nunca sabem quando vão receber. Isso tem gerado sofrimento entre os aposentados, que estão com suas vidas financeiras desestruturadas. O SINTESE não é contra a realização de festas por parte do Governo do Estado, mas em um cenário de atraso e parcelamento de pagamento como pode um governante não entender que salário é dignidade? Como pode um governante não priorizar aqueles que dão e deram sua força de trabalho para servir a população de Sergipe?”, indaga o vice-presidente do SINTESE, professor Roberto Silva.

Além dos servidores do regime geral do estado e dos aposentados, o governo Jackson Barreto tem encampado uma política de desmonte e desvalorização da carreira dos professores e professoras da rede estadual de ensino, que amargam quatro anos (2012, 2015, 2016 e 2017) sem receber o reajuste do piso salarial. Esta cruel política de desvalorização gerou o empobrecimento da categoria. Ao longo destes anos, professores e professoras ficaram entre 40 e 65 por cento mais pobres.

Há verbas – Diferente do discurso pregado nos quatro cantos do estado por Jackson Barreto de que não há verbas para assegurar valorização de professores e demais servidores e pagamento em dia para os aposentados, dados oficiais do Governo do Estado, publicados no Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO), pela Secretaria de Estado da Fazenda (SEFAZ), apontam o contrário.

Quando comparamos o primeiro quadrimestre de 2016 (janeiro a abril) com o primeiro quadrimestre de 2017 percebemos que recursos do Fundo de Participação do Estado (FPE), do ICMS, do FUNDEB e do IPVA tiveram crescimento.

Veja a tabela abaixo:

RECEITA

2016 (jan-abr)

2017 (jan-abril)

CRESCIMENTO

FPE

R$ 1.103.387.775,98

R$ 1.222.672.481,43

10,81%

ICMS

R$ 932.877.987,57

R$ 1.020.896.098,31

9,44%

FUNDEB

R$ 183.327.928,60

R$ 219.845.494,56

19,92%

IPVA

R$ 76.048.868,91

R$ 89.974.042,12

18,31%

*Fonte: ANEXO 3 RREO 2016 E 2017 SEFAZ/SE ; BANCO DO BRASIL.

Os dados oficiais mostram que há recursos, logo o que não há é desculpas para o governo do estado não pagar em dia aposentados, não valorizar professores e professoras da rede estadual e demais servidores.

Educação – É importante destacar que parte das verbas arrecadas pelo o estado com ICMS, IPVA, FPE devem obrigatoriamente ser destinadas a educação. Conforme prevê a Constituição Federal o estado deve investir no mínio 25% das receitas, oriunda de impostos, na educação.

Mas em terras sergipanas o desrespeito as leis e aos direitos de trabalhadores e trabalhadoras está colocado como ‘ordem do dia’ no governo de Jackson Barreto. Em 2015 e 2016 o Governo do Estado não investiu o mínimo constitucional de 25% na educação de Sergipe. Em 2015 a aplicação dos recursos, oriundos de impostos coletados pelo estado, na educação foi de 22,51%. Em 2016 os recursos aplicados na educação foram ainda menores: 18,82%

Não se trata somente de descumprir a Lei, o que por si só já é algo grave. Trata-se também de deixar de investir na educação de crianças, jovens e adultos de nosso estado; de escolas estaduais sucateadas que não dão condições dignas de ensino e aprendizagem a estudante e professores; de professores e professoras desvalorizados e que estão empobrecendo ano após ano.

“Quando afirmamos que há dinheiro, que há recursos isso é um fato. O governo do estado de 2015 para 2016 não investiu o percentual mínimo de 25% na educação. Em 2016 o governo utilizou de forma indevida mais de 311 milhões da MDE [Manutenção e Desenvolvimento da Educação] para arcar com o aporte ao Sergipe Previdência. Ou seja, as verbas da educação não foram utilização para a promoção da dignidade dentro das escolas, nem para a valorização do magistério. Já apontamos tudo isso, ao Ministério público Federal e Estadual, ao Tribunal de Contas e já denunciamos a situação em coletiva de imprensa. Esperamos que o governo do estado compreenda que não podemos manter esta situação de empobrecimento desenfreado do magistério. Para tanto basta vontade política, uma vez que existe sim dinheiro”, afirma a presidenta do SINTESE, professora Ivonete Cruz.

spot_img

Últimas

Divina Pastora: paralisação conquistou audiência com gestão municipal

Professoras e professores da rede municipal de ensino da...

Denúncia do SINTESE faz TCE conceder cautelar supendendo contratações temporárias em Siriri

A partir de denúncias feitas pelo SINTESE, o Tribunal...

Poço Redondo: prefeito apresentará proposta para atualização do piso do professor no fim de agosto

Na última terça, dia 4 de agosto, aconteceu audiência...
spot_imgspot_img

Divina Pastora: paralisação conquistou audiência com gestão municipal

Professoras e professores da rede municipal de ensino da cidade de Divina Pastora iniciaram hoje, dia 11 de agosto, uma paralisação de três dias...

Denúncia do SINTESE faz TCE conceder cautelar supendendo contratações temporárias em Siriri

A partir de denúncias feitas pelo SINTESE, o Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE-SE) concedeu medida cautelar, nesta última quinta-feira, dia 6,...

Candidatos assinam carta compromisso com a Justiça e com o magistério; falta o governador cumprir a decisão do STF

Candidatos ao governo do estado de Sergipe no pleito de 2026 estiveram na sede central do SINTESE, em Aracaju, na terça e quarta-feira, dias...