Canhoba: Professores e comunidade marcham por educação de qualidade social

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Professores e demais membros da comunidade escolar fazem ato e pendem educação digna e respeito a direitos

Professores da rede municipal de Canhoba foram às ruas da cidade, nesta quinta-feira, 6, para Professores e demais membros da comunidade escolar fazem ato e pendem educação digna e respeito a direitosdizer basta a falta de respeito à seus direitos e ao descaso com a educação. Em marcha, juntamente com estudantes, pais, mães e demais membros da comunidade, os professores reivindicaram melhores condições de trabalho, pagamento do reajuste do piso salarial de 2015 e pagamento de salários em dia. A categoria está em greve desde o dia 20 de abril.

A prefeitura, administrada por Elinalda Pereira Santos do Bomfim, deve ainda aos educadores de Canhoba o salário de dezembro do ano de 2012. A gestão municipal se recusa a sentar-se com a comissão de negociação do SINTESE para tentar encontrar soluções para os problemas enfrentados pela educação do município.

“A realidade dos professores de Canhoba não é diferente da realidade de professores de muitos outrosA presidente do SINTESE, Ângela Maria de Melo, aponta que muitos professores dos municípios sergipanos vivem uma realidade de negação de direitos municípios sergipanos, que trabalham em condições péssimas, em escolas com estrutura precária e que ainda veem dia após dia seus direitos serem negados por gestores que relegam a educação ao esquecimento. Educação não é um favor que a prefeitura faz aos habitantes da cidade, é um direito de todo o cidadão. Receber salário em dia, ser valorizado, ter condições dignas de trabalho é um direito do trabalhador. E como todos sabem: quem nega direitos está cometendo um delito”, enfatiza a presidente do SINTESE, Ângela Maria de Melo.  

A deputada estadual, professora Ana Lúcia, também marchou junto aos professores de Canhoba e mais uma vez se colocou à disposição da categoria. 

Sem estrutura

As escolas municipais de Canhoba estão sucateadas. São necessárias reformas urgentes, que garantam acesso e permanência dos estudantes nas unidades de ensino. Os professores sofrem também com a falta de material didático e pedagógico, o que tem fragilizado o processo de ensino e aprendizagem. Além disso, a alimentação escolar não é servida nas escolas municipais desde o início do ano letivo de 2015.

A grave situação enfrentada pela educação do município fez com que a comunidade abraçasse a luta dos professores. Pais, mães e responsáveis por estudantes das escolas municipais marcharam lado a lado com os educadores pelas ruas de Canhoba e mostraram sua indignação com o atual cenário da educação no munícipio.

Para a delegada sindical e professora da rede municipal de Canhoba, Maria de Fátima Ferreira da Silva, a greve gerou uma unidade maior entre as comunidades escolares, que estão em um momento especial de mobilização e reflexão sobre a educação e ‘a escola que queremos’.

“Neste processo nos conectamos com a comunidade e reafirmamos nossa certeza pela luta, pelo nosso ofício e por nossa função social de libertar tantos através da educação. A escola que queremos é aquela na qual os estudantes, professores, funcionários, pais, mães e responsáveis pelos alunos conhecem e se reconhecem”, aponta a professora Maria de Fátima.

Denúncia na Câmara

A falta de transparência da prefeitura com os gastos da educação também é outra problemáticaApós a marcha os manifestantes dirigiram para a Câmara de Vereadores onde foram apresentados estudos que aponta irregularidade no uso de verbas do FUNDEB enfrentada pelos educadores de Canhoba.  Apesar do SINTESE ter solicitado por diversas vezes as folhas de pagamento da educação a prefeitura, dentro da prerrogativa da Lei de Acesso à Informação, a gestão municipal concedeu  apenas a folha de março de 2015.

A partir desta folha o Sindicato fez um estudo, que foi apresentado na Câmara Vereadores de Canhoba após a marcha dos professores. O estudo aponta que somente na folha de março de 2015, o uso irregular de verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) ultrapassam R$ 11 mil.

As despesas irregulares são oriundas do uso indevido de verbas do FUNDEB para custear salários de professores que estão fora de sala de aula, lotados na Secretaria Municipal de Educação. As verbas do FUNDEB devem ser destinadas à remuneração somente dos professores que estão no efetivo exercício de sua função.   

Solicitação de audiência

O SINTESE já enviou ofícios à prefeita Elinalda Pereira Santos do Bomfim solicitando audiência, inclusive o último ofício data de 05 de maio, mas até agora a prefeitura não deu qualquer resposta.

“Os professores estão aberto ao diálogo e a negociação, basta que a prefeita marque a audiência e receba a comissão de negociação do SINTESE. Tudo que queremos, professore e comunidade, com esta luta é mais dignidades, respeito, uma educação democrática e de qualidade social para os filhos e filhas dos trabalhadores de Canhoba”, coloca a diretora do departamento das Bases Municipais do SINTESE, Sandra Moraes.