
Essa foi a tônica da fala da professora doutora da Universidade do Porto, Luiza Cortesão no Encontro Regional de Educação realizado pelo SINTESE no Instituto Histórico e Geográfico na manhã desta quinta-feira, 28.
Com o tema “Violência Simbólica do Currículo Único” a professora começou apresentando dados de alfabetização no Brasil e convidou os educadores a enxergarem por trás dos dados apresentados, a partir daí ela apontou reflexões e dialogou sobre os entraves do currículo único através da perspectiva freireana.
Para ela o currículo único é uma barbaridade, mas que é amplamente apresentado como uma solução para os problemas relacionados ao insucesso escolar porque a unicidade curricular é uma das pedras fundamentais de sustentação do sistema capitalista, pois ele acaba homogeneizando os estudantes que têm os seus saberes culturais totalmente desconsiderados. “O currículo único é uma máquina trituradora que fabrica o insucesso escolar”, ressalta.
Cortesão também criticou o uso institucionalizado dos exames nacionais (Enem, Saeb, Provinha Brasil). Ela lembrou que em Portugal os exames nacionais foram abolidos há quase meio século, mas que, infelizmente, o atual governo (que tem viés político-ideológico conservador) que retomá-los. “Retomar os exames nacionais é um erro educacional enorme, se eles voltarem Portugal retrocederá 40 anos”, revelou.
Instigando os educadores a refletirem, a professora da Universidade do Porto também apresentou situações em que os educadores acabam adotando práticas pedagógicas que por vezes são empoderadoras (proporcionando ao estudante instrumentos para a sua emancipação) ou domesticadoras. Ela explica que tais comportamentos não devem ser levados de forma maniqueísta, ou seja, não há aqueles educadores que somente têm práticas empoderadoras ou emancipadoras, os docentes por vezes estão resvalam entre um tipo e outro de prática pedagógica.
Outra ferrenha crítica feita por ela foi com relação ao sistema de ensino apostilado que ela denomina como o “símbolo da mercantilização do ensino”. Para ela, o ensino apostilado trata o professor apenas como uma “peça do sistema” que não tem interferência na “produção do conhecimento”. Ele se torna mero reprodutor de conteúdos. “O sistema de ensino apostilado é um insulto a todos os professores”.
Para ela, empreender uma prática pedagógica emancipadora está intrinsicamente ligado ao reconhecimento da cultura e dos saberes que os estudantes trazem para a sala de aula. Para ilustrar ela usou situações pesquisadas por ela com estudantes vindos de famílias ciganas e também de filhos de imigrantes de Cabo Verde. Ela conta que em vários momentos o livro didático foi abolido, pois como não havia empatia entre o conteúdo nele contido e a realidade dos alunos, o livro se tornava um obstáculo ao processo de ensino e aprendizagem.
Considerar a cultura e a vivência dos alunos não significa ignorar a produção do conhecimento, mas sim construir uma aprendizagem com significados.
Mais encontros
No dia de hoje (28) também foi realizado em Japaratuba um encontro regional, lá a professora doutora da Unicamp, Corinta Geraldi também tratou de avaliação e currículo.
Os próximos encontros acontecem:
29 de agosto – sexta-feira
CENTRO-SUL E SUL
Palestrante: Luiza Cortesão
Local: Av. Padre Alvares Pitangueira, 102, (Largo do Cemitério) Lagarto – SE
Horário: 09h-17h
29 de agosto – sexta-feira
ALTO SERTÃO
Palestrante: Corinta Geraldi
Local: Nossa Senhora da Glória-SE
Horário: 09h-17h
30 de agosto – sábado
BAIXO SÃO FRANCISCO I e II
Palestrante: Corinta Geraldi
Local: Vila Nova Clube – Neópolis – SE
Horário: 09h-17h
30 de agosto – sábado
AGRESTE
Palestrante: Luiza Cortesão
Local: SUBSEDE AGRESTE DO SINTESE
Rua José Rufino de Santana, 146, Bairro Marianga,Itabaiana-SE.
Horário: 09h-17h











