Mãos que se selam

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Como “guerreiros” sabem que nenhuma vitória é possível sem a aspereza dos treinos, da insistência e da força de vontade. Como “guerreiros” no fundo sabem que nas sombras de sua bravura se escondem os covardes. Nos últimos anos as lutas dos professores e professoras de Poço Redondo foram quase extintas, por uma grande falta de companheirismo, consciência, motivação e desprendimento. A cada nova reunião a decepção de ter, um, dois, apenas alguns educadores e educadoras. Quantas vezes ouvi os “guerreiros” dizerem: “_ Estou fora!” “_ Não dá mais!” Isto devido à profunda tristeza de saber que lutavam por uma causa nobre, porque lutar pelos direitos é nobre, mas não encontravam apoio nenhum nos próprios colegas de trabalho que muitas vezes os rotulavam injustamente. Como “guerreiros” sabem que nenhuma vitória é possível sem a aspereza dos treinos, da insistência e da força de vontade. Como “guerreiros” no fundo sabem que nas sombras de sua bravura se escondem os covardes. Uma bravura suave porque não tem intenção de machucar ninguém, mas além de proteger o seu direito tem desprendimento para lutar por aqueles que acendem uma vela pra Deus e outra pro Diabo.

Nas nossas mãos apenas uma bandeira “a nossa”, como professores e professoras nosso lado é sempre o lado da justiça, da ordem, do respeito e da dignidade humana em todos os seus aspectos. Nas mãos, além de erguê-la, devemos protegê-la das “misérias e dos miseráveis”, dos “covardes e dos canalhas”. E se isto não acontece talvez tenhamos que rever nossas relações e sensibilizarmos para o autoconhecimento, pois toda mudança é por opção e a fechadura está sempre do lado de dentro.

E estas são as palavras: mudança e opção. É isto que os professores e professoras de Poço Redondo estão começando a visualizar, pois tomaram as ruas com euforia e coragem tomaram conta das manifestações e no discurso dos que iam a nossa frente à explosão dos nossos motivos justificados. Ganharam as ruas debaixo de um sol escaldante, mas maior é o calor da causa.

Assim as mãos começaram a se selarem, como teia, uma teia grande e de fios dourados e resistentes dispostos a dar sustentação uns aos outros, conscientes que só existe alguma pessoas que se dizem “grandes” porque em muitas situações nós estamos de joelhos a seus pés.

Ergue-se então uma nova história: a História do nascimento da autonomia dos professores e professoras de Poço Redondo, pois neste contexto, a profissão exige a convicção de que a mudança é possível e que não somos objetos da História, mas sujeitos.

E quando observo colegas, profissionais da Educação, levantando as vozes, enxugando o suor sob um sol forte, selando as mãos, dividindo o pão, a água, o espaço, abrindo mão de certas regalias e acomodações da suas vidas privadas, os mesmos profissionais que constantemente em sala de aula fazem malabarismos com a falta de recursos, mas lá, velando o rumo da causa e da luta ainda encontram, fôlego para cantar e dançar, é assim que não tenho duvidas que há corporeificação das palavras pelo exemplo, saímos do banco de trás e tomamos a direção.

* Ivanilda Macedo – Professora de Educação Básica da Rede Municipal de Poço Redondo