Professores em greve fazem ato em frente à SEED

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Será realizada também durante o ato a queima de réplicas dos novos diários de classe. Segundo a direção do sindicato a queima dos diários é um ato de desagravo da categoria contra mais uma forma de perda de autonomia do professor. No terceiro dia de greve os educadores da rede estadual fazem ato público, a partir das 8h em frente ao prédio da Secretaria de Educação. Será realizada também durante o ato a queima de réplicas dos novos diários de classe. Segundo a direção do sindicato a queima dos diários é um ato de desagravo da categoria contra mais uma forma de perda de autonomia do professor.

Na manhã desta quarta, os educadores ocuparam parte das galerias da Assembléia Legislativa e pediram apoio aos deputados. O sindicato entregou a cada um dos parlamentares presentes um documento fazendo um panorama da atual situação dos educadores da rede estadual.

Diários de classe

O diário de classe atual é único, ou seja, todos os professores vão colocar as notas no mesmo diário. Há também um espaço onde o Comitê Pedagógico da escola e os diretores poderão fazer comentários sobre o professor, ou seja, eles serão monitorados, o pode gerar um inquérito administrativo e futuras perseguições. Para completar ainda há uma ficha de turma, onde o professor também será avaliado pelas respostas que der sobre sua turma.

Pauta de reivindicação

Desde a decretação da greve por tempo indeterminado (na assembléia da categoria no dia 15) já aconteceram três reuniões entre o SINTESE e a Secretaria de Educação, mas não houve avanço nas negociações. Com relação aos pontos da pauta de 2007 (Proid, gratificação por interiorização e gestão democrática) o secretário José Fernandes Lima, disse que já enviou os projetos ao governo, mas não sabe se eles vão ter a concordância do governador. Na última quarta aconteceu uma reunião entre uma comissão paritária do SINTESE e da SEED para discutir o projeto de lei.

Sobre a reforma e manutenção das escolas o secretário disse que tudo depende da CEHOP e que desde que assumiu somente dois estabelecimentos de ensino passaram por reformas. A regulamentação das gratificações previstas no Plano de Carreira (merecimentos, produção técnica e científica, auto-qualificação e dedicação exclusiva) vai depender da Comissão Permanente de Gestão de Carreira.

Reajuste

Mas em relação ao reajuste nada foi definido, apesar da SEED informar nos meios de comunicação que apresentou uma proposta. O que foi apresentado ao sindicato foi uma possibilidade de reajuste linear (sem apresentar valores) e um meio de valorizar quem está em sala de aula, mas para o sindicato não há nada de concreto nisso.

Em reuniões anteriores o SINTESE vem colocando há várias distorções na folha de pagamento da Educação. Pois de acordo com informações contida nos demonstrativos gerenciais enviados ao Conselho do Fundeb em 2007 a folha de pagamento do Fundeb para os professores que estão dentro da sala aula girou em torno de R$193 milhões e dos que estão fora da sala por volta de R$200 milhões. Para o sindicato isso demonstra que os educadores que a atual política da SEED valoriza aqueles que deixam a sala de aula e que esta lógica deve ser alterada. “Há várias distorções na folha de pagamento e temos certeza de que se forem corrigidas o reajuste linear para os educadores pode ficar acima dos 32,43%”, disse o presidente do SINTESE Joel Almeida.

O sindicato solicitou também cópias da folha de pagamento para que ela possa ser analisada e as irregularidades sejam encontradas, mas o secretário José Fernandes Lima foi categórico ao negar o pedido, ele se apóia no argumento de que é preciso respeitar o sigilo, mas a Resolução nº 243 do Tribunal de Contas do Estado e a lei 11.494/2007, que regulamenta o Fundeb, garantem que o Estado tem obrigação de repassar aos conselheiros que acompanham o fundo as informações sobre salários dos educadores.