O som de mais de 30 tambores ecoou por todo o Centro da cidade durante a realização do Calçadão
Popular da Consciência Negra na tarde desta quarta-feira, 23 de novembro. Mais de 120 adolescentes da rede pública de ensino e de várias comunidades quilombolas sergipanas transformaram o Calçadão da João Pessoa com a música e dança afro-brasileira durante a celebração do mês da consciência negra realizada pelo mandato da deputada estadual Ana Lúcia Menezes (PT).
Com muito vigor e roupas coloridas, o grupo Parlacênica da Escola Estadual John Kenedy, de Aracaju, abriu a programação apresentando um pequeno trecho do espetáculo ‘Alma Africana’, que tem 1h de duração. Formado por seis moças e um rapaz, o grupo é coordenado pelo professor Evanilson Santana. Na sequência, o grupo Irmãos de Rua, do município de Pirambu, deixou o público de boca aberta com sua apresentação de dança negra norte-americana repleta de movimentos rápidos e arriscados de uma coreografia com saltos e cambalhotas. O pequeno grupo formado por dois rapazes e uma moça se consolidou através do programa Abrindo Espaço, que promovia atividades artísticas e esportivas no prédio de várias escolas sergipanas, a exemplo do Colégio Estadual José Amaral Lemos, localizado em Pirambu. Esta experiência bem sucedida foi realizada quando a professora Ana Lúcia estava à frente da Secretaria de Estado de Inclusão Social.
A cinco atrações seguintes integram a Rede de Arte Popular do mandato da deputada estadual Ana Lúcia Vieira, coordenada pela dançarina Cleanis Maria e o percussionista João Cocó. Em conjunto eles ministram oficinas de identidade cultural afro-brasileira, dança e ritmo. A Comunidade Quilombola de Lagoa de Campinhos, do município Amparo do São Francisco, mostrou sua arte na apresentação do grupo de dança ‘Evolução das Raízes’, formado por 11 adolescentes. A primeira vereadora quilombola de Sergipe, Silvana de Amparo do São Francisco estava lá para incentivar a comunidade.
Através da coreografia o Grupo Afrocultural Batuq Dançayê, da comunidade quilombola de Brejão dos Negros, de Brejo Grande, apresentou uma performance cênica e dançante. Os quilombolas da Comunidade de Ladeiras do município de Japoatã trouxeram uma coreografia enérgica apresentada pelo numeroso Grupo de Percussão e Dança de Ladeiras. Assim como as seis adolescentes do Grupo Afrocultural Quilombo da Pakeza, da Comunidade Quilombola de Caraíbas, que chegaram com vontade de dançar e tocar.
O Grupo Afro-cultural Resistência do bairro Cidade Nova, no município de Estância, formado por
estudantes da Escola Gilson Amado prestaram homenagem a Santo Antônio e Ogum durante a apresentação cênica e dançante sobre o sincretismo religioso. A deputada Ana Lúcia fez questão de contar que este trabalhou que ela desenvolve há seis anos foi fustigado por estudantes da rede pública de ensino de Estância. Um grupo que ajudou a encaminhar 23 jovens, tendo a maioria deles se tornado estudantes universitários.
Um dos rapazes de Estância que por cinco anos participou de oficinas da Rede de Cultura Popular, hoje estudante do curso de Dança da UFS, o dançarino Gleidson estava lá assistindo a apresentação dos novos grupos. “Eu ficou muito feliz de ver este trabalho tendo continuidade porque foi assim que eu aprendi a ser um artista de verdade. E eu não tenho dúvida de que a juventude precisa de arte”, agradeceu.
A professora e deputada Ana Lúcia estava muito emocionada pela apresentação dos adolescentes quilombolas e porque nesta quarta-feira o seu irmão e poeta Mário Jorge Vieira
estaria completando 65 anos. Antes das apresentações, os jovens artistas almoçaram na antiga casa do poeta Mário Jorge, que já acolheu o escritor Paulo Coelho, o músico Gonzaguinha e vários outros artistas, pois o seu irmão sempre apostou no poder revolucionário da arte. “Estamos aqui para dizer que a juventude da escola pública tem talento, pensa, estuda e sonha. Temos que falar como é belo uma mulher negra assumir sua negritude e soltar sua beleza. Precisamos assumir nossa herança. A dignidade de uma população só vai existir de verdade quando a cultura e a educação deste povo for valorizada”, defendeu Ana Lúcia.













