Produzir currículo é nossa arma de luta


Na mesa que tratou sobre “A Resistência ao Desmonte da Educação e os Caminhos para a Construção de Currículos” o professor Fernando Seffner da Universidade Federal do Rio Grande do Sul dialogou com os conferencistas que em regimes democráticos, o professor e a professora são sempre considerados intelectuais, pois lhes é dado o poder pedagógico, e a partir da sua sala de aula produzir as melhores alternativas curriculares.

Mesmo nestes casos, isso não significa que os integrantes do magistério sejam os únicos responsáveis na construção do currículo, eles fazem isso dialogando com os níveis mais elevados em educação.

Avaliando a situação brasileira, ele diz que há uma tentativa bastante evidente de centralizar cada vez mais para cima essa discussão curricular, fazendo de conta que construir os percursos curriculares que as crianças farão nos anos de escolares é algo que só pode ser feito por especialistas. Ele continua dizendo ainda mais grave é que existe um conjunto de especialistas dedicados a discutir currículo que nunca estiveram em sala de aula.

“Para ele essas coisas devem ser discutidas permanentemente diálogo com quem está no dia a dia da sala de aula. Pois em um país com mais de 200 milhões de habitantes cuja população escolar que ultrapassa os 45 milhões e dessa população 85% estuda na escola pública, em regiões que vão do litoral à serra, do semiárido ao pampa gaúcho, por tantos lugares com marcas culturais diferentes eu não consigo acreditar que a solução seja reunir um grupo de especialistas supostamente iluminados que na verdade, no caso brasileiro, mais fazem, até hoje, copiar documentos que já foram produzidos em outros lugares, com traduções de inglês eventualmente mal feitas, do que propriamente olhar para o seu país”, afirma Fernando.

A arma de cada professor e professora para resistir é continuar produzindo currículo, se sentirem donos dos percursos curriculares dos estudantes, pois quem estará na frente dando conta se as crianças aprenderam ou não, não são os especialistas, mas sim os professores e professores.

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