Dia 15 de outubro, dia da professora e do professor

Em muitas homenagens feitas a nossa profissão sempre a tratam como a “profissão que forma as outras profissões”.

Essas homenagens lembram a nossa importância para o futuro de crianças e jovens, para o crescimento do país. O curioso é que ofício tão nobre não é tratado com a mesma nobreza no que diz respeito a valorização.

Nós, educadores e educadoras, sofremos com a desvalorização, trabalhamos em condições precárias e mesmo com quadros quebrados; em salas quentes; sem materiais pedagógicos adequados, estamos lá, dando o nosso melhor dentro de uma sala de aula. Além das condições de trabalho precárias, a nossa remuneração não condiz com tal esforço, está longe de refletir tudo aquilo que estudamos e dedicamos a nossa formação e a nossa profissão.

No Estado de Sergipe a desvalorização do professor e professora é mais que uma prática, é uma política cruel empregada pelo Governo Belivaldo e por parte dos prefeitos e prefeitas, como o tripé de apoio ao desmonte da educação pública: desvalorização do magistério; sucateamento das escolas e implantação de pacotes educacionais prontos, que visam destruir autonomia docente e das escolas, perseguir a liberdade docente e a educação emancipadora de qualidade social.

Ano após ano professores e professoras da rede pública de Sergipe precisam lutar para que a Lei Nacional 11.738/2008, que assegura a atualização do piso salarial do magistério, seja cumprida, para que tenhamos um salário digno. No caso do Governo do Estado são sete anos sem cumprir com a Lei, a carreira de professores e professoras da rede estadual de ensino está destruída. Hoje todos os professores e professoras da rede estadual recebem o mesmo vencimento inicial, tenha nível médio ou doutorado.

Tentam nos empurrar goela abaixo pacotes educacionais prontos, currículos prontos, vazios, que não pensam nas realidades e particularidades de nossas escolas e estudantes. As Secretarias municipais e estadual de Educação realizam avaliações que não têm o objetivo real de avaliar, mas sim de punir escolas e culpabilizar professores e professoras pelo baixo desempenho de seus estudantes, sem se quer dar a nós, professores professoras, plenas condições para desenvolver e construir o básico para o processo de ensino e aprendizagem.

Nem quando nos aposentamos temos o merecido reconhecimento, nem mesmo após 25, 30 ou 35 anos de serviços prestados a educação dos filhos e filhas dos trabalhadores de Sergipe. Professores e professoras aposentadas viram ser descontados, de forma imoral, pelo governo Belivaldo Chagas, 600 a 800 reais por mês de suas aposentadorias, durante 2 anos e 2 meses e agora lutam para que o que foi confiscado seja devolvido.

Mesmo diante de uma realidade tão dura nós resistimos, nós seguimos lutando. O SINTESE luta lado a lado de sua categoria. Esta é a nossa razão de ser: lutar e defender direitos. Os tempos são sombrios, difíceis, mas poderiam ser ainda mais cruéis para professores, professoras e estudantes se não seguíssemos de pé, se o SINTESE não estivesse aqui fazendo luta.

Lutamos por acreditar que a educação é a única maneira de formar sujeitos críticos e emancipados; lutamos porque sabemos da nossa importância histórica e da importância da nossa profissão para o futuro de Sergipe e do Brasil; lutamos por melhores escola; lutamos com convicção no saber, no aprender, na ciência, muito embora nos últimos anos vimos o chefe de estado do país blasfemar contra a ciência, contra nós, professores e professoras, contra o pensamento livre e politizado. Lutamos, sobretudo, porque temos lado: o lado do povo e da educação sergipana.

Seguimos aqui, fazendo como Paulo Freire nos ensinou: conjugando o verbo “esperançar”. Porque com disse o nosso patrono: “[…] Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo”

Outro modo é possível, companheiros e companheiras, uma educação que vise dar asas e não aprisionar também é possível; ter nossos direitos garantidos, seja em atividade ou aposentados, é possível. Tudo que precisamos é lutar e esperançar sempre!

Feliz Dia do Professor e da Professora. Sigamos firmes regando sonhos, para juntos um dia colhermos justiça social, liberdade, emancipação e fraternidade.

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