Poço Verde: secretaria de educação quer encerrar turmas do 6º ao 9º do povoado Saco do Camisa

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Uma decisão da Prefeitura de Poço Verde está preocupando pais e responsáveis de estudantes da Escola Municipal Porfírio Vieira da Silva, que fica no povoado Saco do Camisa. A gestão municipal tem divulgado que vai transferir alunas e alunos do 6º ao 9º anos desta escola para escolas dos povoados São José e Tabuleirinho. A justificativa é a implementação do ensino integral na Escola Municipal Porfírio Vieira da Silva.

Além da Escola Municipal Porfírio Vieira da Silva, estão na lista: Escola Municipal Deputado Messias Góis, Comunidade Queimada Comprida; Escola Municipal Valdemar Martins de Castro, Povoado Lagoa do Junco; e Escola Municipal João Rabelo do Rosário, Povoado Lagoa do Mandacaru.

No último dia 13 de janeiro, aconteceu uma audiência na Promotoria de Justiça da Comarca de Poço Verde, reunindo representantes da gestão municipal, da comunidade escolar da Escola Municipal Porfírio Vieira da Silva e do SINTESE. Pais, mães, responsáveis e estudantes se mostraram contrários à mudança, devido aos possíveis prejuízos, como deslocamentos mais longos, perda de identidade da comunidade, entre outros, que podem gerar evasão escolar.

“Além disso, a cidade de Poço Verde tem um péssimo histórico com relação à precariedade no transporte escolar e na infraestrutura das escolas, pautas de constantes denúncias do SINTESE”, disse o professor Estefane Lindberg, diretor de Base Municipal do SINTESE Subsede Regional Centro-sul, que participou da audiência.

“Será que a gestão municipal, que nunca ofereceu transporte e infraestrutura de qualidade, vai conseguir dar conta do deslocamento desses alunos? Será que estas outras escolas estão em condições de receber mais estudantes? A rede está dando conta de atender adequadamente estudantes com necessidades específicas? Várias coisas a se observar, que já não vem sendo atendidas no cotidiano, imagina com uma movimentação dessa”, questionou o diretor.

Todas estas preocupações foram reforçadas por mães, pais e responsáveis dos estudantes, representados na audiência por Ana Izi Santos Dias, Edson Conceição da Cruz, Elenice Reis e Valdelúcia de Góes. A audiência foi conduzida pelo promotor Vlademir Gonçalves de França Filho, que propôs uma mudança paulatina do ensino parcial para o ensino integral, permitindo a existência das duas modalidades de ensino na unidade escolar para evitar estes impactos na comunidade e garantir a permanência dos estudantes, evitando a evasão escolar.