Texto do professor Jivaldo Batista, diretor geral do SINTESE Subsede Regional Centro-sul
Essa é a pergunta que paira sobre as cabeças de mães, pais e responsáveis de alunas e alunos matriculados na rede municipal de ensino de Poço Verde, principalmente na zona rural. A aflição se abateu sobre as comunidades assim que a Secretaria Municipal de Educação iniciou, neste ano de 2026, um processo de reordenamento da rede para lá de questionável.
Não há problema em parar para pensar, avaliar, rearrumar, reordenar, ajustar a rota e traçar novos rumos. O problema surge quando estes novos rumos são traçados sem planejamento, sem consulta às partes envolvidas e tudo feito à toque de caixa e repique de sino.
Em apenas uma semana, os destinos de comunidades escolares de Poço Verde foram completamente transformados, ou melhor, transtornados. Simplesmente, sem consulta alguma a estudantes, familiares e professores, a Secretaria de Educação do município decidiu transferir os anos finais do Ensino Fundamental de unidades escolares de um povoado para outro.
O argumento da gestão é a busca por melhorias. Mas que melhorias são essas que ferem a identidade e o senso de comunidade de estudantes, fazendo-os trilhar longas distâncias para ter aulas em um outro povoado, em uma outra comunidade? Que melhoria é essa que faz alunos usarem um transporte escolar precário, com veículo que pegou fogo, com carro de passeio fazendo as vezes de transporte escolar? Que melhorias são essas numa rede de escolas com infraestrutura problemática, com portas de salas de aula caindo, muros e paredes rachados, telhados com cupim, carteiras velhas?
Que melhorias são essas que expõem estudantes, famílias e professores a incertezas e desesperança? Que expõem comunidades ao fim a partir de seu esvaziamento? Sim, essas comunidades caminham para o fim quando se perde pontos de ancoragem social, como uma escola, e a dispersão de seus moradores faz definhar o pertencimento e, por fim, sua história.
E tudo isso é fruto de uma má gestão, que não se importa com a educação como bem público e direito fundamental, como a que temos enfrentado em Poço Verde, com o prefeito Roberto Correia Santana, conhecido como Roberto Barracão.
Mesmo ele tendo assinado a carta-compromisso com o SINTESE, ele tem desrespeitado direitos de professoras e professores, desrespeitado estudantes e familiares, desrespeitado a História de Poço Verde. Desde janeiro de 2025, a Secretaria de Educação já passou por quatro secretários e as comunidades escolares tiveram que recorrer ao SINTESE e ao Ministério Público para buscar um mínimo de dignidade.
A educação de Poço Verde não pode continuar sendo conduzida do jeito que está. A comunidade escolar precisa ser respeitada. O povo de Poço Verde precisa ser respeitado.
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