Alimentação Escolar é ponto importante para a Segurança Alimentar

Dentro da programação do Curso para Representantes do Magistério nos Conselhos de Alimentação Escolar realizado pelo SINTESE, Mirsa Leite falou sobre “Direito Humano: Alimentação Escolar no Contexto da Segurança Alimentar e Nutricional”.

Ele iniciou sua fala com uma citação de Josué de Castro, que foi um dos precursores na discussão e debate sobre a Fome no Brasil. Ela fez uma explanação de como legislação e organizações mundiais tratam a alimentação adequada como um direito humano que deve ser respeitado. No final do ano de 2010 segundo a FAO, 960 milhões de pessoas passam fome no mundo. Mirsa lembrou que de acordo com dados do Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, em 2008 48,3% da população sergipana vivia em situação de pobreza absoluta, quando o rendimento domiciliar é de até 1/2 salário mínimo. Nesse mesmo período o instituto divulgou que a taxa de pobreza extrema correspondente a 21,3%.

Em 2010 o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional divulgou os indicadores de segurança alimentar e nutricional no Brasil e apontou 26% de domicílios em Sergipe com insegurança alimentar (leve, moderada, grave).

Mirsa destacou que os conselheiros devem ficar atentos de que não basta somente ter alimentação escolar, mas é preciso que esse alimento nutra, que ele seja mais que um meio para matar a fome,mas sim um fator de desenvolvimento físico e intelectual. E que para isso vários fatores devem ser respeitados entre eles a diversidade cultural da região.

Mirsa LeiteOutro ponto destacado por Mirsa é que a insegurança alimentar não tem a ver somente com a falta de comida, mas também com relação a sua qualidade. “Não basta somente garantir o alimento, ele também deve nutrir. E é importante ressaltar que o grau de agrotóxicos encontrados em frutas e verduras está muito além dos recomendados pelos órgãos internacionais. No Brasil consumimos cinco litros de agrotóxicos por ano”, ressaltou.

Para ela os conselheiros são condutores da informação, a discussão deve ser feita nas escolas com a comunidade escolar, pois a falta de informação também é um entrave na segurança alimentar. A mídia hoje tem um papel nocivo na transformação dos padrões alimentares regionais.

Os professores também tiveram a oportunidade de trocar experiências positivas e também negativas sobre o trabalho do conselho.

Ana Lucia da direção do SINTESE participa do debate“Temos como princípio de que o papel do conselheiro, seja do Fundeb, do CAE ou da Educação vai além da fiscalização, mas sim de construir políticas públicas a partir das instâncias constituídas. Temos que crer e acreditar que é possível fazer essa sociedade diferente”, disse Ivonete Cruz, do Departamento de Formação Sindical do SINTESE.

Ao final do debate os participantes do evento assistiram vídeo desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento Social sobre segurança alimentar e também o documentário “Mulheres Mangabeiras” sobre as catadoras de mangaba de Sergipe.

O documentário, que emocionou os professores, é uma ação que faz parte do Projeto Catadoras de Mangaba Gerando Renda e Tecendo Vida em Sergipe,  realizado pela Associação das Catadoras de Mangaba e Indiaroba- Ascamai, sob patrocínio do Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania e em parceria com a Universidade Federal de Sergipe, o Movimento das Catadoras de Mangaba de Sergipe e o Conselho de Segurança Alimentar de Sergipe, tem o objetivo de difundir e registrar os processos de trabalho das Catadoras de Mangaba do Estado, valorizando seus saberes e de suas famílias.

Atualizado às 9h30

Com informações do site Catadoras de Mangaba

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