Baixo número de inscritos em concurso mostra descrédito na condução da educação pública pelo Governo do Estado

No último domingo, 11 de janeiro, aconteceu o concurso para o magistério do Estado de Sergipe. Foram cerca de 13 mil inscritos. Se comparado ao concurso de 2012, que teve mais de 32 mil inscritos, houve uma queda vertiginosa no interesse pela carreira na rede estadual de ensino.

“Isso é reflexo de como o Governo de Sergipe tem tratado professoras e professores atualmente. O desrespeito à categoria, a destruição da carreira, a desvalorização da remuneração, tudo isso fica refletido na queda da procura por este concurso”, avalia o professor Roberto Silva, presidente do SINTESE.

O número de vagas, que não atende à necessidade da rede de ensino estadual, também é outro ponto motivador do desinteresse. “O certame ofertou 300 vagas, sendo que a necessidade real da rede é de mais de 2.500 vagas. Já denunciamos isso, acionamos o Ministério Público Estadual que, inclusive, entrou com uma ação judicial para que o Governo ampliasse as vagas, mas não houve alteração”, disse.

Segundo o SINTESE, as últimas convocações relativas ao último concurso (2012) aconteceram em 2016. “Entre 2017 e 2024, tivemos cerca de 2.500 aposentadorias. São cerca de 2.500 vagas, sem contar com as vagas geradas por falecimento ou demissão. Podemos falar tranquilamente em 2.600 vagas ociosas na rede estadual de ensino”, disse, acrescentando que poucas delas estão preenchidas por contratos temporários.

“Como é que eu tenho mais de 2.500 cargos vagos e eu faço concurso para 300 vagas apenas? Tem componente curricular que só tem apenas uma vaga no concurso, enquanto você tem uma escola com três, quatro professores contratados e vagas ociosas. Um absurdo a forma como este concurso foi construído”, afirmou.

Para o presidente, não há justifica para o Estado continuar com contratos temporários. “O concurso é muito importante para a qualidade do ensino. Ele qualifica o ensino público pois é o professor efetivo que vai ficar na rede, ter vínculo com o alunado, contribuindo na formação de crianças, adolescentes e jovens. A gente vai trabalhando e se aperfeiçoando, nosso trabalho vai melhorando e a qualidade da educação pública vai aumentando. A evolução é natural. E nada disso é possível com contratos temporários”, comentou.

“Ofertar apenas 300 vagas num déficit de 2.500 nos gera mais uma luta para o ano de 2026, pois vamos buscar a nomeação dos aprovados além das 300 vagas ofertadas. A necessidade da rede é real e precisa ser suprida”, afirmou o presidente do SINTESE.

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