Nesta quinta-feira, 8 de outubro, a greve das professoras e professores da Rede Estadual de Ensino completa um mês. Para marcar essa data, a categoria se mobiliza em defesa da carreira e dos direitos do magistério e realizará uma grande marcha pelas ruas de Aracaju.
A concentração será às 14h, em frente ao Parque da Sementeira.
No dia seguinte, sexta-feira, 9 de outubro, às 9h, professoras e professores voltam a se reunir em Assembleia Geral para avaliar o movimento e decidir coletivamente os próximos passos da greve. A assembleia acontece no auditório do SINTESE, na Rua Duque de Caxias, 154, bairro São José, em Aracaju.
Ao completar 30 dias de greve, a categoria também reafirma seu compromisso com estudantes e suas famílias: as aulas correspondentes ao período de paralisação serão repostas, assegurando o cumprimento do calendário letivo e preservando o direito dos estudantes.
Categoria espera proposta concreta do Governo
Durante este mês, professoras e professores realizaram diversas mobilizações na capital e no interior. Houve atos públicos, ocupação da Secretaria de Estado da Educação (SEED) e mobilização na Praça Fausto Cardoso, em frente ao Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), onde a categoria buscou a mediação do Judiciário junto ao Governo do Estado.
Todas essas ações têm um objetivo central: cobrar do Governo de Sergipe uma proposta concreta para a retomada dos escalonamentos da carreira do magistério, de 40% a 100%.
Para o presidente do SINTESE, professor Roberto Silva, o sindicato permanece aberto à negociação, mas é preciso que o diálogo avance para medidas efetivas.
“Óbvio que o espaço de diálogo é fundamental, mas diálogo, por si só, não adianta. Precisamos de objetivos concretos, palpáveis e de prazos estabelecidos. Uma mesa de negociação precisa ter início, desenvolvimento e conclusão. É isso que esperamos algo concreto para que possamos retornar às salas de aula sabendo que o Governo do Estado dará continuidade à valorização das professoras e professores e à retomada da nossa carreira, conforme já havia se comprometido com a categoria”, afirma Roberto.
Por que professoras e professores estão em greve?
A luta pela retomada da carreira atravessa mais de uma década. Em outubro de 2025, após 14 anos e uma defasagem salarial acumulada superior a 54%, professoras e professores conquistaram uma importante decisão no Supremo Tribunal Federal (STF), que declarou inconstitucional a Lei 213/2011.
A legislação havia alterado o plano de carreira do magistério sergipano. Com a decisão do STF, a categoria reivindica o restabelecimento dos escalonamentos de 40% a 100%, previstos anteriormente na Lei Estadual nº 163/2009.
Até 2011, a carreira reconhecia a formação acadêmica de professoras e professores por meio desses escalonamentos. O nível médio era a referência inicial e os percentuais avançavam conforme a formação, chegando ao doutorado.
Agora, o magistério cobra do Governo do Estado a apresentação de uma proposta objetiva, com etapas e prazos definidos para a continuidade desse processo.
“O Governo de Sergipe já havia iniciado uma retomada da nossa carreira antes mesmo da decisão do STF. Precisamos continuar avançando. A partir de dados oficiais do próprio Governo, o SINTESE realizou estudos de impacto financeiro que apontam condições para isso. O que buscamos é uma proposta concreta, com marcos temporais, que assegure o direito das professoras e professores”, destaca Roberto Silva.
Os números apontam que há margem financeira
Estudos realizados pela assessoria financeira do SINTESE, com base em dados oficiais da Secretaria de Estado da Fazenda, apontam que há margem fiscal para avançar na retomada dos escalonamentos da carreira.
Segundo os dados analisados pelo sindicato, Sergipe apresenta atualmente superávit orçamentário de R$ 861 milhões. Em relação às despesas com pessoal, a diferença entre o gasto atual e o limite máximo seria de aproximadamente R$ 1,25 bilhão.
Diante desse cenário, professoras e professores chegam ao 30º dia de greve mantendo a reivindicação que orientou o movimento desde o início: uma proposta concreta, com prazos definidos, para a retomada da carreira.
Nesta quinta-feira, a categoria volta às ruas para reafirmar essa cobrança. Na sexta, em assembleia, professoras e professores decidirão coletivamente os próximos passos da mobilização.











