Ipesaúde: Pacientes oncológicos têm dificuldade de acesso a exames e demora em marcações traz prejuízos na eficácia do tratamento e risco à vida

O que era para ser tratado com prioridade, tem sido negligenciado: pacientes com câncer, usuários do Ipesaúde, têm enfrentado dificuldade para conseguir marcar exames, até os periódicos mais simples, porém fundamentais para o tratamento, como é o caso de hemograma, têm sido negados aos pacientes oncológicos, o que traz severos prejuízo e agravamento dos quadros clínicos.

Denúncias sobre este grave cenário têm chegado ao SINTESE. O Sindicato, por meio de ofícios, solicitou audiência com a presidência do Ipesaúde, para tratar das recorrentes denúncias sobre dificuldades e longa espera para atendimento, entre outros pontos. A audiência está marcada para a próxima quarta-feira, dia 13.

E quando se trata de pacientes oncológicos a espera pode debilitar ainda mais a saúde e pode até custar a vida. Os pacientes relatam alteração nos prazos para realização de exames essenciais ao tratamento contínuo, a exemplo do PET-CT e ressonância magnética.

De acordo com as denúncias, o prazo para a realização, dos exames acima citados, era de até 15 dias, no entanto, passou a ser condicionado a cotas estabelecidas pelas clínicas credenciadas, ou seja, o paciente fica à mercê da disponibilidade, ou não, da clínica em realizar aquele exame. O resultado são atrasos significativos para o atendimento dos pacientes, já que não há qualquer prazo definido, além de prejuízos à eficácia do tratamento.

Insegurança e negligência

As sérias restrições no acesso a serviços essenciais para pacientes com câncer perpassam também por insegurança sobre os atendimentos de urgência. Sobre este ponto as denúncias colocam que faltam médicos emergencistas no Ipesaúde, devidamente qualificados para o atendimento de pacientes com condições clínicas complexas.

Os pacientes convivem ainda como a inexistência de oncologistas em regime de sobreaviso, o que além de gerar receio e insegurança nos usuários, pode significar agravamento do quadro clínico, já que o atendimento imediato e especializado, diante de uma situação emergencial, não é assegurado.

Em tratamento oncológico há 5 anos, pelo Ipesaúde, a professora aposenta e ex-deputada, Ana Lúcia Vieira, narra com tristeza e indignação, o que tem vivenciado. Ana Lúcia denuncia a negligência aos pacientes oncológicos.

“Há poucas semanas negaram quatro exames meus, inclusive Hemograma que preciso fazer todos os meses. A preocupação, não só minha, mas de vários outros pacientes com quem converso, é ter piora no quadro e ter que ir para a emergência, porque o IPES não prioriza contratar médico emergencista, nem tem oncologista em sobreaviso. A situação é gritante e pacientes oncológicos estão tendo seus quadros agravados, e até indo a óbito, por desconhecimento do médico de plantão. Temos quase mil tipos de câncer e para cada tratamento os efeitos colaterais são diferentes, não é ‘receita de bolo’, precisamos de especialistas específicos.  Quem tem doença crônica e grave, como a minha, e é usuário do Ipesaúde, está correndo sérios riscos. Estamos negligenciados”, denuncia.

O que a professora Ana Lúcia expõe é um fato que merece extrema atenção: o tratamento oncológico envolve múltiplas variáveis clínicas, com diferentes tipos de câncer e protocolos terapêuticos. Os efeitos colaterais podem demandar intervenções urgentes e específicas, por isso a necessidade de médicos especialistas, de sobreaviso.

É importante enfatizar que a falta de profissionais capacitados para lidar com essas particularidades, pode resultar em condutas inadequadas, agravamento do quadro de saúde e, em situações extremas, risco de óbito evitável.

Outra situação que suscita insegurança são as mudanças abruptas no local de tratamento e nos profissionais responsáveis pelo acompanhamento dos pacientes oncológicos. Não há uma prévia comunicação, muito menos consentimento do paciente ou de sua família sobre tal mudança, uma situação que gera sofrimento emocional e prejuízos à continuidade do cuidado, para pessoas que já estão fragilizadas.

Para o presidente do SINTESE, professor Roberto Silva, se faz necessário, e de forma urgente, um posicionamento do Ipesaúde, bem como a adoção de medidas concretas que garantam o pleno acesso e a qualidade da assistência aos usuários em tratamento oncológico.

“No ofício que enviamos à presidência pedimos esclarecimentos formais acerca dos critérios utilizados para autorização e eventual negativa de exames oncológicos. Além de explicações sobre a existência e funcionamento de plantões ou sobreavisos de oncologistas na rede de urgência; e também soluções imediatas para a política de regulação e distribuição de cotas para exames de alta complexidade e dos procedimentos adotados para alteração de profissionais e locais de tratamento dos pacientes”, cobra o presidente do SINTESE

O professor Roberto fez questão de enfatizar que o SINTESE está vigilante e que a negligência não é opção quando se trata de saúde e de vida. “A assistência oncológica exige continuidade, previsibilidade e integralidade no cuidado. Não é admissível interrupções, atrasos ou alterações que possam comprometer ainda mais a saúde e a vida dos pacientes. Seguimos vigilantes e na luta por um Ipesaúde democrático, transparente, acessível, que cuide e salve vidas”, pontua.

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