Cento e quarenta e três mil reais. Este foi o valor desembolsado pela Secretaria de Estado da Educação de Sergipe (Seed) para pagar por 1h e 40 minutos de palestra do cantor sertanejo, Leo Chaves (da dupla Victor e Leo). A dita palestra aconteceu durante a Jornada Pedagógica da Rede Pública Estadual de Ensino de Sergipe, na última terça-feira, dia 20, no teatro Tobias Barreto, em Aracaju.
O SINTESE vem por meio desta repudiar a contratação e reafirmar que irá cobrar no Conselho Fundeb e junto aos órgãos públicos responsáveis a devolução do dinheiro gasto para os cofres da educação.
A denúncia da situação esdrúxula foi feita pela Mangue Jornalismo, que abriu sua matéria apontado que o valor pago ao tal cantor é o equivalente a 2 anos de salário de um professor da rede estadual de Sergipe. (Veja aqui a matéria)
O curioso, para dizer o mínimo, é que esse fato ocorreu em meio a luta das professoras e professores da Rede Estadual de Ensino por valorização e retomada de direitos.
O governador Fábio Mitidieri, no final de 2025, após um ano de audiências, afirmou que não tinha recursos para atender as pautas de reivindicação dos professores, fechando de forma unilateral as negociações do SINTESE, descumprindo sentenças do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinam a imediata retomada da carreira nos percentuais de 40% a 100% e descongelamento de gratificações.
Não satisfeita em gastar 143 mil com a palestra do cantor, a Secretaria de Estado da Educação, no mesmo dia, pagou 53 mil e 900 reais para uma palestra virtual do professor Mário Sérgio Cortella. No frigir dos ovos, quase 200 mil reais foram gastos dos cofres públicos de Sergipe, sem qualquer processo licitatório.
“O que estamos vendo é uma afronta à educação, aos professores, ao dinheiro público. Não podemos deixar isso passar como se ‘nada fosse’, de um lado temos o governo que afirma não ter dinheiro para retomar direitos dos professores e de outro este mesmo governo faz farra com a verba da educação, isso é um absurdo e o SINTESE vai denunciar aos órgãos públicos de controle”, afirma o presidente do SINTESE, professor Roberto Silva.
Mas a pergunta que não quer calar é: o que leva a Secretaria de Estado da Educação de Sergipe a contratar um cantor para falar sobre educação, por uma hora e 40 minutos, pagando a pequena fortuna de 143 mil reais?
Na contratação do cantor, publicada no Diário Oficial, a Secretaria de Estado da Educação justifica o seguinte: “a contratação direta mostra-se plenamente justificada, em razão de sua [Leo Chaves] notória especialização, singularidade técnica e elevada relevância para o contexto educacional nacional”.
E o que seriam essas “singularidade técnica”, “elevada relevância e “notória especialização”? Um curso de bacharel em Coaching pela Florida Christian University e uma formação (ou processo de formação), em pedagogia, que não se sabe em qual instituição de ensino, já que esta informação não foi divulgada.
Na reportagem feita pela Mangue Jornalismo, o site aponta que a Florida Christian University (FCU) afirma em sua página oficial ter como missão “proporcionar Ensino Superior de forma prática e acessível, a profissionais e ministros, preparando-os para o cumprimento de suas vocações em bases cristãs”.
A Mangue destaca ainda que “em 2016, o Governo do Rio Grande do Norte proibiu a atuação da FCU no estado devido a propaganda enganosa e por oferecer cursos sem validação no Brasil. Em fevereiro de 2023, pouco mais de um mês após a tentativa de golpe de Estado contra o presidente Lula, Jair Bolsonaro visitou a FCU em Orlando, recepcionado pelo presidente da instituição”
“É absurdo em cima de mais absurdo. Enquanto temos dentro da nossa própria rede professoras e professores mestres, doutores, quadro intelectuais altamente capacitados, a Seed faz a opção de pagar 143 mil reais em uma palestra motivacional. E sabe quem paga esta conta? O povo sergipano. E nós, professoras e professores da rede estadual, que nos dedicamos à educação das crianças e jovens de Sergipe, seguimos desvalorizadas, empobrecidos, com uma perda salarial que ultrapassa os 54%, ao longo dos últimos 15 anos…não há como não se indignar! Iremos buscar os órgãos de controle e denunciar tal ação da Seed” reitera o presidente do SINTESE.












