Inércia do Estado em discutir violência de forma ampla faz mais uma vítima

A adolescente Gabriela da Purificação Silva dos Santos, 17, não é apenas vítima de um assalto seguido de morte, mas também da inércia do Governo do Estado em fazer uma discussão ampla com todos os atores sociais com o objetivo de dirimir as causas da violência social que ultimamente tem atingido as escolas sergipanas.

Gabriela foi morta com um tiro na cabeça em frente ao Colégio Estadual Paulo Costa localizado no conjunto Bugio. Segundo informações publicadas em veículos de comunicação que noticiaram o caso, a adolescente foi abordada por dois rapazes em uma motocicleta, que exigiram o celular, ao reagir foi morta.

Gabriela é a vítima mais grave, mas não foi a única. Diversos assaltos e furtos têm ocorrido no entorno do estabelecimento de ensino e até dentro de suas dependências. No mês de novembro, a professora Cláudia Oliveira, que é membro da direção do SINTESE foi assaltada dentro da escola, enquanto realizava a coleta das avaliações dos professores da rede estadual para a Prova Final. Desde o ano passado tem sido frequente a ocorrência de furtos, arrombamentos e até incêndios aconteceram nas escolas da rede estadual e foram amplamente noticiados.

O atentado sofrido pelo professor Carlos Cristian foi noticiado nacionalmente e a partir daí um grupo, que envolvia outras secretarias e organizações governamentais e com participação do SINTESE, foi criado e tinha como o objetivo de discutir a situação de violência e buscar alternativas para combatê-la, mas devido a inércia da Secretaria de Estado da Educação, as discussões não avançaram e as reuniões deixaram de ser realizadas.

“O problema da violência tem sido secundarizado pelo Estado. Só é motivo de falas governamentais quando algo de muito grave acontece, como foi a situação do professor Carlos Cristian e agora com a morte dessa jovem. O debate sobre as causas da violência e a sua chegada nas escolas públicas de forma tão contundente não tem sido feito de forma pedagógica e processual”, aponta a presidenta do SINTESE, Ângela Maria de Melo.

Para o sindicato a Secretaria de Estado Educação não cumpriu o seu papel de aglutinar as demais secretarias, órgãos estatais e a universidade na busca por políticas públicas que propiciem a inclusão dos jovens.

A inclusão da Universidade Federal de Sergipe no debate sobre o combate a violência foi sugerida pela deputada estadual professora Ana Lúcia durante audiência com José Sobral (na época secretário de Estado da Casa Civil), ocorrida no dia do ato público realizado pelo SINTESE em repúdio a violência. “Com a pesquisa e a extensão, a universidade exercita os valores e fortalece a relação com a comunidade. Por isso estamos pedindo a presença da universidade neste processo, para que, conjuntamente possamos buscar caminhos de superação dos grandes desafios que a escola contemporânea enfrenta”, sugere a parlamentar.

Com informações da Ass. Comunicação do Mandato da Dep. Estadual Ana Lúcia

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