Contra autoritarismo da Seduc, professores protocolam matrizes curriculares construídas nas escolas

De forma simbólica, professores e professoras de algumas escolas da rede estadual protocolaram na manhã desta quarta, dia 12, na Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura – Seduc, matrizes curriculares, projetos político pedagógicos e regimentos.

O protocolo finalizou o ato realizado em frente ao prédio da secretaria e denunciou o autoritarismo da gestão de Josué Passos, que através da portaria 4807/2021, impôs que só a proposta curricular criada pela Seduc é a que vale para a implantação do Novo Ensino Médio.

Todos esses documentos foram construídos de forma coletiva nas escolas e representam o exercício da autonomia das unidades de ensino que é garantido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação e pela Resolução nº 22/2021 do Conselho Estadual de Educação.

“O processo de construção da matriz curricular, do projeto político pedagógico e do novo regimento foi um momento de comunhão, construção, mobilização e aprendizagem entre professores e professoras e é muito revoltante ver a Seduc desconsiderar isso”, disse a professora Adma Rosa, professora de Português no Colégio Estadual. Senador Lourival Baptista em Simão Dias.

Apagão pedagógico

Com a insistência em não aceitar o que foi construído coletivamente nas escolas, a Seduc pode criar nas escolas um apagão pedagógico. Isso porque ao desconsiderar a proposta elaborada pelos professores e professoras que, diga-se de passagem, respeita a legislação que regulamenta o Novo Ensino Médio faz com que as escolas fiquem à deriva de como será a efetivação do ano letivo de 2022, nessa nova modalidade.

“Não podemos aceitar que toda a construção feita pelos professores e professoras seja ignorada, essa atitude da Seduc vai criar um sério problema na formação dos estudantes das escolas públicas estaduais. É fundamental que a Seduc respeite a autonomia das escolas”, explica Rita de Cássia Santos, coordenadora da subsede Agreste do SINTESE

Ninguém recebe

Apesar de terem conseguido protocolar os documentos, os professores e o sindicato encontraram portas fechadas tanto no gabinete do secretário, quanto no do superintendente.

“Desde novembro tentamos marcar audiência com o secretário Josué Passos para debatermos sobre essa portaria e as outras questões do magistério, mas toda vez que viemos aqui encontramos portas fechadas. Essa não é uma atitude de um gestor que se diz democrático”, denuncia o vice-presidente do SINTESE, Roberto Silva dos Santos.

Assembleia unificada

Na próxima terça, dia 18, a partir das 9h no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, acontece assembleia unificada. Na pauta além da questão do novo ensino médio estão: luta pela implementação da atualização do piso do magistério, luta contra o desconto de 14% nas aposentadorias e pensões e a eleição da comissão eleitoral geral do SINTESE.

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