Governador Fábio Mitidieri se compromete a receber SINTESE na próxima semana

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Nesta terça-feira, 14, o SINTESE organizou uma ação de luta na porta do Teatro Tobias Barreto, onde aconteceu a entrega do prêmio “Educação Nota 10”, para dialogar com professoras e professores da Rede Estadual de Ensino e dizer ao Governo do Estado e a Secretaria de Estado da Educação, que valorização não se faz com premiação, mas com respeito a direitos.

Durante nossa ação no Teatro Tobias Barreto, o governador do estado, Fábio Mitidieri, presente no evento, teve uma breve conversa com o presidente do SINTESE, professor Roberto Silva e  com sua vice-presidenta, professora Leila Moraes, em que se comprometeu a receber o Sindicato na próxima semana, para apresenta a proposta do Governo frente à pauta de garantias de direitos e dar continuidade as discussões para retomada da carreira.

Premiação excludente

Mais uma vez, o nome do presidente do SINTESE, professor Roberto Silva, consta na lista de premiados e, mais uma vez, o presidente do SINTESE doará todo o valor do seu prêmio. A doação será encaminhada à Mangue Jornalismo, um veículo que produz jornalismo independente, dando espaço as lutas e histórias invisibilizadas pela grande mídia.  Clique aqui e conheça a Mangue Jornalismo

Com relação ao “Prêmio Escola Nota 10”, o professor Roberto Silva fez questão de acentuar que este tipo de política não vai resolver os problemas da educação de Sergipe, apenas ranqueia escolas; não valoriza o trabalho que os professore desenvolvem em sala de aula e não valoriza a aprendizagem dos estudantes, fruto do nosso trabalho. Além disso, professoras e professores aposentados, que dedicaram toda uma vida e força de trabalho à educação das filhas e filhos dos trabalhadores de Sergipe, são deixados de fora da premiação criando mais uma cenário de desigualdade entre ativos e aposentados.

O presidente do SINTESE também fez questão de ressaltar que não se tratar, de maneira alguma, sobre constranger ou estar contra as professoras e professores que recebem os prêmios, visto a enorme perda salarial da categoria diante da falta de valorização efetiva, mas sim de estar contra a uma política excludente, meritocrática, que contribui para a disputa, a perseguição e o assédio moral dentro das escolas.

“Entendemos que aqueles professores que receberam os prêmios é um alento diante da política de desvalorização da nossa categoria, com uma perda salarial de 54% que as professoras e professore vivem hoje. Mas precisamos seguir lutando por uma política que valorize a todos”, afirma Roberto

Nota Pública

Durante a mobilização no Teatro Tobias Barreto foi entregue as professoras e professores presentes uma Nota Pública, elaborada pelo SINTESE, exigindo valorização e respeito ao Magistério Público Estadual de Sergipe. Veja o texto na integra abaixo:

 

Nota pública por valorização e respeito ao Magistério Público Estadual de Sergipe

Os avanços e conquistas na qualidade do ensino, no Sistema Estadual de Educação de Sergipe, são fruto da extrema dedicação de nós, Professoras e dos Professores que, diariamente, estamos nas salas de aula; das comprometidas equipes diretivas das escolas públicas; e do trabalho incansável de todos os profissionais da educação — efetivos, contratados e aqueles que, com afinco, dão suporte pedagógico nos órgãos da atividade meio da educação.

Nós educadores e educadoras, com excelente formação profissional, somos os verdadeiros responsáveis pela construção da qualidade social da educação em Sergipe. No entanto, somos também as principais vítimas de uma política cruel e desumana, que impõe sistematicamente a desvalorização, a negação de direitos e o empobrecimento da categoria.

Entre 2012 e 2025, nós Professores e Professoras perdemos cerca de 54% do nosso poder aquisitivo. As consequências desse arrocho salarial e da retirada de direitos ultrapassam o campo econômico: há um alto grau de endividamento e um número expressivo de profissionais adoecidos. Soma-se a isso a naturalização do assédio moral dentro da SEED/SE, que atinge servidores dos órgãos de suporte pedagógico, integrantes das equipes diretivas e docentes das salas de aula.

A chamada “premiação” não pode — e não deve — substituir os direitos assegurados na carreira do Magistério Público Estadual. Tampouco pode ser usada como instrumento de manipulação da opinião pública diante da ausência de uma política de remuneração justa e condigna.

A atual política da direção da SEED tem sido a de impedir e inviabilizar a conclusão do processo de negociação coletiva da pauta de reivindicações do Magistério Estadual. Os políticos e seus assessores, que promovem o aparelhamento eleitoral da Secretaria, são os mesmos que participam de festas escolares, organizam solenidades de “premiação”, posam para fotos com pessoas de boa-fé e, ao mesmo tempo, reduzem drasticamente as vagas em concursos públicos, barram o restabelecimento do triênio vinculado ao vencimento, se opõem à recuperação da carreira e apostam que o programa “Escola Nota 10” pode disfarçar a política de desvalorização da categoria.

É preciso concluir imediatamente a negociação da pauta de reivindicações do Magistério Estadual, restabelecer o triênio vinculado ao vencimento, descongelar todas as gratificações, recuperar a carreira e devolver os 14% confiscados dos aposentados.

Valorização não é prêmio!

Valorização é a garantia  dos direito!