Revista Paulo Freire fala sobre o adoecimento docente e suas consequências

Professor adoecido: Educação doente

 

ROBERTO SILVA*

Caros leitor e leitora,

Existem leituras que nos informam e outras que nos fazem refletir. Mas há aquelas que nos atravessam e nos convidam a tomar posição. É com essa perspectiva que apresentamos esta edição da Revista Paulo Freire.

Os textos partem de assuntos muito presentes no nosso cotidiano, que dizem respeito à educação, ao trabalho, à vida em sociedade, à defesa de direitos e, sobretudo, às opções que fazemos diante do tempo em que vivemos.

Abrimos a revista com um assunto que tem afetado profundamente quem vive o dia a dia das escolas: o adoecimento de professoras e professores. Ansiedade, depressão, esgotamento e sofrimento emocional não podem ser vistos apenas como questões individuais, muito menos como sinais de fragilidade. Eles, na verdade, revelam as condições nas quais o trabalho docente vem sendo realizado, marcado pelo assédio moral, perda de autonomia, cobranças excessivas, pressão por resultados, sobrecarga.

 

Esta edição também chama atenção para uma realidade dolorosa em Sergipe: os casos de maus-tratos contra crianças e adolescentes. Os números preocupam e é preciso lembrar que, por trás de cada estatística, existem crianças, famílias, histórias e vidas que precisam ser protegidas. A escola pública faz parte dessa rede de cuidado.

E quando falamos em direitos, retomamos uma luta que o magistério sergipano conhece muito bem: a recuperação da carreira. A decisão do STF representa uma conquista importante, resultado de anos de organização, mobilização e resistência. Mas uma decisão judicial, por si só, não encerra essa caminhada. Agora, é preciso garantir que o direito reconhecido seja efetivamente cumprido.

Neste Agosto Lilás, outro tema exige nossa atenção: a violência contra as mulheres. Falar sobre feminicídio é reconhecer que não estamos diante de acontecimentos isolados.

Também trazemos os resultados do IDEB 2025. Os indicadores de aprendizagem merecem ser observados, mas os números não podem nos fazer esquecer os problemas estruturais que continu-

am presentes na educação pública. Avaliar é importante. Mais importante ainda é compreender o que esses indicadores revelam — e aquilo que, sozinhos, eles jamais conseguirão mostrar.

Reservamos um espaço para celebrar o que permanece vivo porque gerações decidiram preservar. O texto sobre a Mussuca nos aproxima da riqueza da cultura quilombola, do Samba de Pareia, da Dança de São Gonçalo e da trajetória da Mestra Nadir.

É justamente essa diversidade de temas que torna esta edição necessária. Não para oferecer respostas prontas, mas para provocar perguntas, reflexões e conversas.

Boa leitura.

 

*Roberto Silva é presidente do SINTESE e da CUT/SE

 

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