Palestrantes alertam para importância da luta da sociedade

A XVIII Conferência Estadual de Educação, realizada pelo SINTESE, trouxe a conjuntura nacional e internacional como mesa de abertura, na manhã do dia 7. A doutora em Economia do Trabalho, Jana Silverman, e o doutor em Teoria da Economia, Luiz Filgueiras, fizeram uma análise do Brasil e do mundo para trabalhadoras e trabalhadores da educação sergipana.

Segundo o professor Luiz, o Brasil vem sofrendo com a política neoliberal há mais de três décadas. “O ano de 1990 é um ano que marca um divisor de águas da sociedade da economia brasileira. Ali, com o governo Collor, você começou a implementar um conjunto de políticas econômicas e sociais de caráter neoliberal”, disse o professor.

“E isso impactou fortemente os trabalhadores, porque essas políticas elevaram o desemprego estrutural da economia brasileira, elas ajudaram a precarizar o trabalho, elas retiraram direitos sociais e trabalhistas dos trabalhadores. Então é um período extremamente adverso para a classe trabalhadora, porque enfraqueceram os sindicatos”, explicou. “O desemprego em alta e a precarização do trabalho aumenta a informalidade e tudo isso enfraquece o poder do sindicato de negociação. E tudo isso se complicou mais ainda nos últimos anos porque você teve uma ascensão mundial, no Brasil também, da extrema-direita, do neofascismo. E essa ascensão desse movimento extrema-direita radicalizou mais ainda as reformas e as políticas neoliberais” acrescentou.

E essa ascensão do neofascismo no mundo afeta diretamente o Brasil. “A eleição do Trump, a recondução dele à Presidência dos Estados Unidos é uma alerta da ascensão, mais uma vez extrema direita no mundo que, pelo menos no Estados Unidos, está sabendo pautar, não só esse pauta mais conservadora de costumes, mas também questões de classe”, destacou a professora Jana.

“E esta é uma questão complexa porque, com base na experiência anterior, Trump é imprevisível, é um estilo igual a Bolsonaro, ou seja, muito personalista, que não necessariamente tem um projeto de longo alcance”, chamou atenção a professora Jana. “Já as pessoas por trás do Trump, como o Robert Kennedy, que é um negacionista, eles sim têm um projeto. Eles querem uma América Latina subordinada, longe da China, ou seja, sem critério próprio no cenário internacional, enquanto os trabalhadores lutam para a soberania brasileira, soberania latino-americana, para fortalecer os projetos de integração latino-americana, para ser um contrapeso contra essa intensificação de uma nova guerra fria com China que está por vir”, observou.

“Uma das bandeiras de Trump é elevar as tarifas de importação para poder dificultar as exportações brasileiras, por exemplo. E se de fato acontecer e tiver realmente um impacto nas exportações brasileiras”, disse o professor Luiz. “Se isso realmente acontecer, vai impactar a economia brasileira, gerando um processo de desindustrialização, desemprego, entre outros problemas no Brasil”, comentou.

Para enfrentar e reverter essa realidade, os professores destacam a importância da participação da sociedade na luta de trabalhadoras e trabalhadores. “As pessoas recebem muitas mensagens na internet, no celular, do vizinho, da igreja, o tempo todo, e o sindicato está ficando uma voz enfraquecida. Então, a gente tem que estar mais inserido na comunidade, nos locais de trabalho, no dia a dia do trabalhador, para estar fazendo esse debate constante, tomar esse conhecimento que estamos adquirindo hoje na Conferência e levar para o dia a dia, para que o trabalhador também comece a internalizar essas questões de consciência de classe para, mais uma vez, não culpar outros fatores e entender que é nossa própria mobilização, nossa poder de mudar a correlação de forças entre o empregador, seja o Estado ou a iniciativa privada, e a classe trabalhadora, que vai fazer com que a negociação tenha resultados mais favoráveis”, observou professora Jana.

“É preciso ter uma ação política na sociedade porque é isso que pode fazer a transformação, porque é isso que vai pressionar e viabilizar políticos de outro tipo, que vai eleger vereadores, deputados, prefeitos, governadores e tal, mais sensibilizados com as pautas dos trabalhadores e da sociedade. Mas isso você não consegue só a partir de uma categoria. Você precisa ter uma ação política que envolva o conjunto das categorias, o conjunto dos sindicatos, dos movimentos sociais, para que você mude a perspectiva, o olhar da população para os problemas da sociedade, para a educação, para a saúde, etc. e que não se deixe manipular pelos políticos profissionais que vivem do engodo, vivem do corporativismo, vivem do fisiologismo nos bairros, etc. Ou seja, você tem que ter uma ação política muito forte nos bairros, na periferia, que hoje em dia estão tomados pelas igrejas evangélicas, tomados pelo tráfico de drogas, tomados pelas milícias. Então, se você não confrontar, não enfrentar isso, você dificulta muito o movimento de cada categoria sindical, porque fica meio que isolado do resto”, comentou professor Luiz.

A XVIII Conferência Estadual de Educação continua, trazendo temas como resistência à BNCC, assédio e controle do trabalho docente e valorização e bonificação.

Confira toda a programação em nosso site

 

 

 

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