“É a prática que tem o poder material da transformação”

Esse foi o tom dado pela professora doutora da Universidade lianna torresFederal de Sergipe, Lianna Torres em sua fala sobre “A Importância das Práticas Pedagógicas no Processo de Construção da Escola Democrática e Popular”.

Lianna iniciou sua fala fazendo um resgate histórico da Educação a partir da década de 1930 e como os fortes traços elitistas e interesses privativistas no processo de formação da educação brasileira impedem que o quadro de baixa escolaridade da população brasileira seja revertido. Segundo ela não dá para esperar pelos detentores do poder, pois as elites que estão reunidas no “Todos pela Educação” não têm interesse na construção de uma escola pública de qualidade para todos e todas.

É importante que os sindicatos dos trabalhadores e os movimentos sociais ponham na agenda a educação pública, cujo principal objetivo seja uma escola popular e democrática para todos. A luta pela educação pública, gratuita e de qualidade deve ser uma luta e uma conquista dos trabalhadores em geral.

Mas para que tal situação seja transformada se faz necessária uma ampla participação social. Ela ressaltou que é fundamental o incentivo a participação e não de participacionismo (sinônimo de apoiar, vestir a camisa, etc.) da comunidade escolar no processo de construção de uma escolarização popular e democrática.

“Na construção de uma escola pública democrática e popular, a comunidade é quem deve dirigir o processo de trabalho e participar das decisões, pois a participação autêntica funciona como antídoto da alienação do trabalhador”, apontou.

Para ela, além da participação comunitária, se faz necessário que a construção de práticas pedagógicas esteja alinhada a concepções libertadoras de libertárias de educação popular. Para isso ela citou Paulo Freire, que tem toda a sua prática pedagógica calcada no fazer social e que a prática social deve ser tomada como ponto de partida e ponto de chegada.

A palestrante também lembrou que é preciso respeitar os saberes populares, que deve ser recuperar a cultura como matriz para a construção de uma educação contra hegemônica. “Nós, militantes da Educação, temos o compromisso político e pedagógico de construir uma escola democrática, pois o Estado sabota as nossas propostas”, disse. 

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