De forma antidemocrática e indo de encontro ao direito de livre manifestação e liberdade de expressão, o secretário municipal de educação de Itaporanga d’Ajuda, Ronaldo de Oliveira, desmarcou audiência com dirigentes e representantes do SINTESE no município, que aconteceria nesta terça-feira, dia 17.
O motivo? O ato organizado pelo SINTESE, no desfile cívico da cidade, que aconteceu no último domingo, dia 15. Professoras e professores tomaram a avenida, após todas as escolas passarem em desfile, para fazer seu protesto.
Em ofício enviado ao SINTESE nesta terça-feira, dia 17, o secretário municipal de educação diz que não receberá as representações da entidade e deixa nítido que a audiência não vai acontecer devido ao fato das professoras e professores de Itaporanga terem feito um ato denunciando a situação precária da educação municipal, durante o desfile cívico.
Para a diretora do Departamento de Bases Municipais do SINTESE, professora Emanuela Pereira, é lamentável a postura do secretário municipal de Itaporanga. Esta atitude só reforça o caráter punitivo, perseguidor e antidemocrático que vem sendo adotado pela gestão do prefeito Otávio Sobral, contra professoras e professores.
“As manifestações da classe trabalhadora são legítimas. Não houve baderna, algazarra, o que houve foram professoras e professores que estão cansados de ver seus direitos e de seus estudantes negados. A livre manifestação é peça fundamental em nossa democracia e um gestor que se diz democrático não cancela audiência por conta de uma ação de trabalhadores e trabalhadoras em defesa de direitos. Esperamos que o secretário repense sua postura e remarque a audiência com o SINTESE”, enfatiza a dirigente do SINTESE.
Entenda o fato
O ato realizado pelo SINTESE em Itaporanga d’Ajuda, no domingo dia 15, fez parte das ações do Grito dos Excluídos, mobilização que acontece todos os anos, há 30 anos, em todo o Brasil, na semana da pátria. O objetivo é dar visibilidade e voz as pautas dos movimentos sociais, populares e sindical, a todos que lutam pelas trabalhadoras e trabalhadores do país e pelo povo vulnerável e esquecido. O Grito dos excluído tem com realizador principal a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Munidos de faixas e cartazes na mão, professoras e professores da rede municipal de Itaporanga denunciaram as mazelas vividas pela educação municipal, o desrespeito que a gestão de Otávio Sobral tem dedicado a professoras, professores e estudantes.
Em vídeo nas redes sociais o secretário municipal de educação de Itaporanga afirmou que a “oposição tentou manchar o brilho do evento [desfile cívico], trazendo mentiras, trazendo contendas para a avenida”.
Não, secretário Ronaldo de Oliveira, ali não era a oposição, mas sim professoras e professores que estão cansados, de dia após dia, ver seus direitos e de seus estudantes negligenciados pela gestão municipal de Itaporanga.
O caos está instalado na educação de Itaporanga, as escolas municipais têm estrutura precária. Alimentação escolar é de péssima qualidade, comida em pouca quantidade e de baixo valor nutricional, resumindo-se praticamente a biscoito seco em um dia, uma banana em outro e achocolatado. Às vezes nem comida tem. O transporte escolar está sucateado, o que coloca em risco a segurança das crianças e jovens que dependem do transporte para irem à escola.
Além da falta de estrutura, de condições de trabalho para professoras e professores, dos severos prejuízos que a precariedade das escolas traz ao processo de ensino e aprendizagem, a gestão do prefeito Otávio Sobral, persegue professoras e professores que lutam por seus direitos. A administração municipal de Itaporanga também tem investido em uma política de desvalorização do magistério municipal ao negar a atualização anual do piso salarial do magistério, assegurada pela Lei Nacional 11.738/2008.











