Arauá: professor é agredido em sala de aula

A aula de Geografia, do último dia 28 de maio, do 8º ano do Colégio Municipal Joaldo Costa Carvalho, da rede municipal de ensino de Arauá, não terminou de uma forma feliz. Uma agressão física marcou a vida do professor Valfrido Alves da Silva.

Um aluno com deficiência intelectual estava inquieto, entrando e saindo da sala durante a aula. Num dado momento, o aluno quis sair com as mochilas de outros dois colegas. Ao tentar impedir que o estudante saísse com o material escolar dos colegas, o professor Valfrido foi agredido com dois socos no rosto.

“Em 31 anos de magistério, já recebi ameaça, mas nunca passei por uma situação deste tipo. Jamais imaginei que algo assim pudesse acontecer comigo”, disse o professor, que foi à delegacia da cidade, registrou boletim de ocorrência e fez exame pericial no Instituto Médico Legal (IML). O aluno conta com uma cuidadora via contrato da prefeitura, que não estava na escola no dia.

O SINTESE enviou ofício à Secretaria Municipal de Educação de Arauá para que, em articulação com as Secretarias Municipais de Saúde e de Assistência Social, apurem o fato com o intuito de compreender o que levou esse aluno, de forma inesperada, a praticar o ato violento, verificando, inclusive, o seu convívio no ambiente familiar, bem como adotem as providências urgentes e necessárias para assegurar a integridade física do professor.

Até o momento, a gestão municipal não se pronunciou sobre o assunto, não fez contato com o professor ou tomou qualquer atitude. “Tenho recebido mensagens de apoio e carinho de alunos, pais, colegas, da comunidade da escola, mas o sentimento que fica é de impotência. A sensação é de que estamos sozinhos. Isso não é apenas sobre violência na escola, é sobre educação formal, direito, respeito e solidariedade. O magistério a todo tempo sendo desrespeitado”, disse o professor.

“A gente é desrespeitado a partir do momento em que não há o atendimento correto e necessário por parte do poder público para que o professor possa trabalhar, para que este aluno possa estudar, para que a sociedade tenha acesso a educação e saúde de qualidade. A sociedade desigual, sem integralidade na educação, na saúde e no social, aparece refletida nessa fotografia triste com um acontecimento como este dentro da escola. E tudo isso precisa mudar, para o bem de toda a sociedade”, desabafou.

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