“Foi a BNCC que nos trouxe até aqui”: palestra da segunda mesa da Conferência Estadual de Educação fala sobre a influência da BNCC nas políticas excludentes de premiação

A tarde do primeiro dia da XVIII Conferência Estadual de Educação, 7, foi marcada pelo debate de Resistência à BNCC.

Convidados para trazer contribuições e conduzir as discussões, a professora Elza Ferreira, do Instituto Federal de Sergipe (IFS) e o professor Fernando Cássio, da USP, foram taxativos ao apontar a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), como a “porta de entrada” para as políticas de avaliação, premiação e bonificação em detrimento da real valorização de professoras e professores da Rede Pública.

O professor Fernando Cássio fez questão de destacar em sua fala o vanguardismo do SINTESE, na percepção, na criação de espaços e conteúdo combativos à BNCC desde o ano de 2016, justamente por esta entidade compreender que o currículo centralizado levaria a educação e os educadores a perda de liberdade docente, a padronização e, por fim, ao aprofundamento do processo de desvalorização.

Para Fernando Cássio o SINTESE, mais uma vez, se mostra corajoso ao se colocar contra a política de premiação e exigir a valorização, o piso na carreira e o fim de políticas que excludentes que insistem em tratar diferentes como se iguais fossem.

O professor lembrou ainda aos presentes que o currículo escolar é uma organismos vivo e que se não o disputarmos vamos acabar legitimando a bonificação e não a valorização. “O currículo é uma produção da vida que é feita no dia a dia da escola. Se a gente não disputar o que vai ensinar na escola, a gente vai acabar aceitando a bonificação como salário”, afirma.

A professora Elza Ferreira em sua fala também deu destaque ao fato do SINTESE está na luta e na resistência à BNCC, há tempos.

A própria professora Elza contribuiu na construção de três cadernos, em 2018, para nortear os debates, que foram feitos em todo o estado, de Resistência à BNCC, a partir da compreensão de seu “DNA” e dos problemas reais que seriam gerados a partir da padronização do currículo.

Como nunca é demais lembrar, professora Elza Ferreira colocou que há uma tentativa de criminalizar as professoras e professores, de colocar apenas em nossas mãos a culpabilização pelo dito fracasso diante de índices e resultados esperados.

“A intenção que o projeto da BNCC tem, a partir das premiações excludentes, é criar mecanismo para responsabilizar apenas professoras e professores pelo desempenho de seus estudantes. Não leva em consideração a realidade estrutural da escola, a realidade socioeconômica em as nossas escolas e estudantes estão inseridos, o processo de desvalorização que professores passam, apenas culpabiliza o professor e não o Estado que não assume suas responsabilidades e fortalece os abismos educacionais”, enfatiza.

Assembleia e passeata

Logo após a mesa, professoras e professores se reuniram em assembleia geral unificada. A categoria deliberou por paralisação, tanto da Rede Estadual de Ensino como das Redes Municipais.

Na Rede Estadual a paralisação é na próxima terça-feira, dia 12. Já nas Redes Municipais será na quinta-feira, dia 21.

Saiba os motivos assistindo ao vídeo do presidente do SINTESE, professor Roberto Silva, feito logo após a assembleia que decidiu sobre as paralisações. Clique no link: https://www.instagram.com/reel/DCFoyooyfpV/?igsh=b3prMW1keGJubnM0 

Ainda na tarde do primeiro dia da nossa XVIII Conferência Estadual de Educação, professoras e professores tomaram as ruas e seguiram até o Tribunal de Justiça de Sergipe, para cobrar que a justiça ouça também o SINTESE, exercendo o dever de mediação de conflitos, antes de decretar de forma injusta as ilegalidades de nossas paralisações, ouvindo apenas o lado do Governo do Estado.

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