Na luta e na resistência: magistério sergipano repudia evento da Fames

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“Eu tenho 80 anos e muita força para lutar. Foi uma carreira que lutei passo a passo e eu não vou deixar destruir”, essa foi a fala de dona Maria José, militante histórica do SINTESE já no final da tarde da última segunda, 22, durante o ato em frente a Federação dos Municípios do Estado de Sergipe (Fames).

“Eu tenho 80 anos e muita força para lutar”, professora Maria José

A resistência do magistério começou ainda em frente ao Teatro Atheneu onde a Fames realizaria evento com o palestrante Paulo Lira que iria tratar sobre os critérios de recebimento de recursos através do  VAAR – Valor Aluno Anual Resultado, mas também dar todos os passos para que prefeitos, secretários de Educação e procuradores municipais consigam transferir as matrículas do ensino fundamental da rede estadual para as escolas municipais e a façam alteração dos planos de carreira e estatutos do magistério.

De início os professores e professoras foram proibidos de entrar, mas após muita insistência, rebeldia, mas também diálogo tiveram acesso às dependências do teatro.

Para o sindicato as duas ações são catastróficas para a Educação sergipana, a primeira por inviabilizar toda uma rede de ensino e a segunda por ter o objetivo de retirar direitos do magistério.

“Não vamos aceitar ações organizadas por prefeitos e secretários para destruir uma rede de ensino e atacar os direitos dos professores”, disse o presidente do SINTESE, professor Roberto Silva dos Santos.

A Fames alterou a realização do evento para a sede da entidade, mas isso não impediu que os professores e professoras fossem para lá e darem o seu recado.

Luta de todo o magistério

Essa é uma luta de todo o magistério sergipano, por isso o SINTESE, que representa a rede estadual e as 74 redes municipais e o Sindipema que é a entidade representativa do magistério da rede municipal de Aracaju estão juntos nessa luta.

“Estamos firmes, unidos, aguerridos e estaremos onde for preciso para defender a Educação pública, gratuita, de qualidade e com profissionais valorizados”, disse o presidente do Sindipema, Obanshe Severo.

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Fora Paulo Lira

“A nossa luta é todo dia, educação não é mercadoria”, essas foram as palavras de ordem que ecoaram em todo o Teatro Atheneu. Os professores e professoras mostraram, mais uma vez, que estão dispostos a luta pelos seus direitos. Por isso não vão aceitar calados que os governos municipais e estadual imponham fórmulas prontas e retirem direitos conquistados com muita luta.

“Da mesma forma que repudiamos a vinda de Mares Guia à Sergipe para impor pacotes educacionais, também dizemos não a Fames, a Paulo Lira e aos seus planos de destruir a rede estadual de ensino, retirar direitos do magistério e culpabilizar os professores e professoras pelos problemas da Educação”, disse a vice-presidente do SINTESE, Ivônia Ferreira.

Recado para secretários e prefeitos

Coordenadores das subsedes e integrantes da direção executiva do SINTESE dialogaram com alguns prefeitos e prefeitas e secretários de Educação sobre as consequências catastróficas dos planos da Fames para as redes.

E tanto no Teatro Atheneu quanto em frente ao prédio da FAMES o recado foi dado, as professoras e professores vão percorrer todos os municípios sergipanos denunciando os planos da federação em acabar com os direitos do magistério.

“Prefeitos, prefeitas, secretários e secretárias de Educação. Estamos de olhos abertos para vocês e prontos para a batalha. Estamos nos quatro cantos de Sergipe lutando por nossos direitos e por uma educação pública gratuita e de qualidade social”, afirma Lúcia Morais, coordenadora geral da subsede do SINTESE na região Centro-Sul.