Na manhã seguinte à deflagração da greve geral dos professores da rede estadual de Sergipe, terça-feira, dia 24, os educadores lotaram as galerias da Assembleia Legislativa de Sergipe e entregaram sua pauta de reivindicação. A deputada Ana Lúcia (PT) aproveitou a oportunidade para fazer uma retrospectiva de toda história de luta da categoria dos professores, convidando os servidores do DETRAN e da Polícia Militar presentes para uma reflexão sobre o papel histórico dos sindicalistas na construção da democracia e da justiça social no estado de Sergipe.
Ana Lúcia reafirma sua postura no Partido dos Trabalhadores e fala sobre a motivação que lhe levou à luta pelos movimentos sociais. “Sou hoje parlamentar pelo terceiro mandato do Partido dos Trabalhadores, hoje e na outra legislatura também ocupei a posição de deputada em apoio ao Governo. No primeiro mandato eu era oposição. Mas qual era o projeto para o qual eu coloquei meu nome em disposição da população, que acreditou e já me reconduziu por duas vezes a este parlamento? O papel de defensora de um projeto de nação, de estado que venha buscar a justiça social, que possibilite e potencialize esta justiça social; de um projeto, pode ser para meus netos e netas, mas que seja o de uma geração com pessoas que possam conviver na sociedade em condições iguais. Este é o projeto de um partido socialista que vai para a disputa com um programa e que hoje é governo a nível estadual e federal, e que enfrenta profundas contradições, mas que seus militantes e seus representantes não podem aprofundar estas contradições. Tem que saber analisar e defender aquilo que é importante para as mudanças. É este o projeto que a gente quer, e caminha em direção deste sonho. Por isso é que na manhã de hoje eu falo aqui como parlamentar, mas falo acima de tudo como educadora, professora da rede estadual há 37 anos”, enfatizou.
A deputada faz toda a retrospectiva de luta para mostrar que a categoria não pode abrir mão de conquistas que lhes foram tão caras como o Piso Nacional e o Plano de Carreira. “Nós passamos 23 anos lutando pela regulamentação do piso salarial. Neste período estava na Constituição, na Lei de Diretrizes e Bases, na Lei do Fundeb, que nós tínhamos direito ao Piso. Mas vai ser só em 2008 que nós vamos conquistar uma concepção não só de Piso, mas de Carreira, quando os professores tiveram um grande defensor na Câmara Federal, o nosso deputado federal Iran Barbosa, que disputou com Paulo Renato cada emenda, e saiu vitorioso”, frisou.
A deputada Ana Lúcia recorda que foi durante o Governo Lula que foi conquistado não só o Piso Nacional dos professores, como também foi firmado que a carreira do Magistério é única. “A nossa carreira começa com o nível médio. São os nossos professores primários que desde a década de 40 enfrentam este conservadorismo, muitas vezes através de discursos de políticos que dizem estar ao lado do trabalhador, mas quando foram governo nunca ficaram ao lado do trabalhador. Nunca fizeram um discurso nesta tribuna para dizer que o seu governo estava errado ou equivocado”, apontou.
MAIS DEMOCRACIA
A deputada Ana Lúcia recorda que a categoria dos professores fez a primeira greve depois do Golpe Militar, em 1984, após 25 anos de muita repressão. A professora lembrou que o governador João Alves retirou os 20% de regência e isso gerou muita luta e várias marchas que fizeram parte da conquista do processo democrático. “É preciso que o Governo entenda que esta categoria é vitoriosa a partir de muito luta, de muito deboche, de muita agressão verbal, e não só verbal. Nós aqui fomos vítimas de muita agressão física também porque aqui a repressão era pesada. Quantas greves nós fomos às ruas com o pelotão de choque e cães ao lado? Nunca mais tivemos greves assim, é um grande avanço para a democracia. Mas a democracia só vai avançar quando for prioridade o serviço público. Quando a educação, a saúde a segurança pública, a cultura, o lazer, a alimentação sejam considerados direitos fundamentais da pessoa humana”, argumentou.
Mais uma vez a deputada Ana Lúcia defendeu que o investimento em educação não é despesa, e apontou a pesquisa realizada pelo IPEA afirmando que cada R$ 1 que o governo investe em comodities gera R$ 1,44, enquanto cada R$ 1 investido em educação gera R$ 1,80 de retorno para o PIB. “É extremamente equivocada a interpretação da direita conservadora de que nós geramos despesa. Nós funcionários públicos não geramos despesas. Investir no serviço público é investir na melhoria da qualidade de vida da população mesmo em um regime capitalista e excludente, isso não é ainda a transformação, porque ela só vai vir quando você realmente tiver uma estrutura de distribuição de riqueza, reforma agrária, reforma urbana e geração plena de emprego”, definiu.











