O ano de 2022 será crucial para a luta da classe trabalhadora por dias melhores

O SINTESE não podia deixar o ano terminar sem fazer uma avaliação das lutas e debater as perspectivas para 2022, por isso ainda na tarde do dia 29 o sindicato realizou no Iate Clube de Aracaju uma roda de conversa intitulada “Nossas lutas e desafios em tempos de guerra” com a professora Catarina Almeida da Universidade de Brasília, Romero Venâncio, da Universidade Federal de Sergipe e Rubens Marques (prof. Dudu), integrante da direção do SINTESE e ex-presidente da CUT/SE.

Na abertura, Ivonete Cruz, presidenta do SINTESE lembrou do quão difíceis foram os anos de 2020 e 2021 não só por conta da pandemia, mas também pela política de desmonte da Educação e dos direitos da classe trabalhadora. “Foram tempos difíceis onde por um grande período não pudemos sequer nos encontrar, mas isso não impediu que estivéssemos em luta, em 2020 de forma virtual, mas em 2021 de forma presencial”, disse.

A dirigente lembrou também da luta para barrar a PEC 32 no Congresso Nacional. “Durante três semanas, nós do SINTESE nos juntamos a trabalhadoras e trabalhadores de todo o Brasil e ocupamos o aeroporto de Brasília para dar o recado aos deputados e senadores. Se voltar não volta! Conseguimos que ela fosse tirada de pauta em 2021, mas estejamos atentos e fortes pois 2022 vai nos exigir ainda mais disposição e organização”.

Catarina fez um histórico de todos os retrocessos vividos pela Educação desde o golpe de 2016, destruição da política de Educação inclusiva, Base Nacional Comum Curricular para o ensino fundamental, passando pela reforma do ensino médio, que é ainda mais destrutiva da que o ocorreu nos anos 1970, pela atual descaracterização do uso dos recursos do Fundeb, isso sem contar com os ataques cada vez mais agressivos ao magistério.

E que esse processo de destruição da Educação é para fazer com que o povo brasileiro não tenha conhecimento dos seus direitos e, com isso, não possam lutar por eles. “A educação nos dá a perspectiva de que temos direitos e devemos lutar por eles, por isso que querem tanto descaracteriza-la, destruí-la”, disse em sua fala inicial.

Ela lembrou que o papel de um professor e de uma professora é essencialmente político, o fazer pedagógico também é político e que em2022 cada um e cada uma tem uma responsabilidade, é ano de eleições e é fundamental que reconstruamos esse país em outras bases, bases que garantam o desenvolvimento pleno dos sujeitos.

A Comunicação foi o ponto central da fala do professor da Universidade Federal de Sergipe, Romero Venâncio. “A Comunicação pode decidir a política brasileira”. Ela fez uma reflexão que desde 2013 vivemos um “vácuo civilizatório” e que 2018 foi um ano paradigmático.

Romero afirma também que o movimento sindical precisa estar organizado e preparado para discutir e fazer uso das redes sociais, pois lá é o palco da guerra que já está sendo travada.

A exemplo de Catarina, Romero foi categórico ao dizer que no campo da Educação não se separa o político do pedagógico e que precisamos expurgar o fascismo que se instalou na sociedade brasileira.

Professor Dudu em sua fala reforçou que não existe Educação neutra, principalmente em um cenário capitalista. Refletiu que a unidade na luta da classe trabalhadora é também um dos pilares para o ano de 2022. Ele lembrou o papel do SINTESE na organização das lutas desde o golpe e que temos de nos reforçar nas trincheiras para a batalha de 2022. “Só depende de nos os rumos do Brasil, precisamos estar preparados para esta luta”.

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